existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Fev 07
publicado por alemvirtual, às 14:42link do post | comentar

 

 

Hoje, vou voltar a treinar! Passaram quatro semanas desde que corri pela última vez. Finalmente, deram-me “luz verde” para recomeçar. Uma lesão obrigou-me a prescindir daquilo que, nestes últimos tempos, mais prazer me dava: correr.

Calçar uns ténis e sair ao final do dia, partilhando a pista ou as bermas das estradas com outros amantes da corrida, tornou-se para mim mais que um hábito, mais que uma necessidade…tornou-se verdadeira fonte de água pura onde eu bebia, sedenta de tempo livre de mágoas. Era (e vai voltar a ser) na corrida que as angústias e os medos de uma existência difícil se diluíam como fantasmas desvanecidos perante a luz.

Correr… algo tão simples, tão ao alcance de mim e ignorado durante tantos anos. As coisas fáceis e simples, muitas vezes se ocultam diante dos nossos olhos. Para as ver necessitamos de as olhar com “os olhos do coração”… e que deleite a sua descoberta…

Eu descobri a corrida porque alguém a desvendou aos meus olhos. A venda caiu e comecei a enxergar…Esse alguém mostrou-me aquilo que mais “amava” na vida: correr nos campos, na praia, na estrada, numa pista…apenas e sempre, correr. Um acidente de viação roubou-lhe a possibilidade de voltar a cortar Metas.

 Sentia no seu olhar a saudade desses tempos, a dor contida nas palavras ditas e a dor calada nas palavras por dizer… creio que o seu coração chorava, sufocava a angústia do “nunca mais”.

Hoje, eu corro por ele e com ele, ou será ele que corre em mim?

Ele acompanha-me, incentiva-me, orienta-me e corrige-me. Cada passada que dou são os passos que ele desejava dar. Está do “lado de lá” das provas. Agora, faz parte da multidão anónima colocada ao longo das estradas. Outrora integrava o grupo daqueles por quem essa multidão se deslocava e a quem aplaudia.

Pouco a pouco ganhei uma admiradora fiel: a minha filhota. Ela espera que eu corra a Meia Maratona (algo inimaginável há uns meses atrás). Até aqui, também nunca acreditei, agora tenho uma dupla motivação para tentar… por ela e por ele.

Ela “corre”, contra o tempo, num caminho sombrio que o espectro do cancro acompanha. Acredita que, um dia, há-de correr mais que ele até perdê-lo de vista. Eu também quero acreditar; ter fé que a palavra “Meta” esteja muito longe de ser alcançada. Abrir os olhos e descobrir que alguém a arrancou do seu caminho e, em seu lugar, colocou a palavra “Partida”. Partida para uma vida com sonhos, com sorrisos e projectos…

Desta outra “corrida” falarei, talvez, outro dia. Há momentos em que o sofrimento sufoca as palavras. Sente-se, apenas.

Hoje, vou voltar a correr e, por breves momentos, tudo será esquecido (?).

Um dia, ainda vou fazer a Meia Maratona. Nesse dia, gostaria de ganhar duas medalhas: uma para ele, outra para ela. Merecem. Assim eu consiga.

AP


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