existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
05
Nov 07
publicado por alemvirtual, às 13:36link do post | comentar

img487/7558/milhasguadiana007xy6.jpg

img211/5402/milhasguadiana112xw6.jpg

img487/2936/milhasguadiana121lf9.jpg

img487/2686/milhasguadiana060vt6.jpg

img229/3453/milhasguadiana063zd1.jpg

img392/7015/milhasguadiana136vq5.jpg

img232/6749/milhasguadiana140hi5.jpg

img392/4027/milhasguadiana082qe4.jpg

img392/1933/milhasguadiana104eh9.jpg

Foi a prova mais bonita e animada em que participei.

Mesmo antes da partida, ainda pensava que seria um feito impossível de concretizar. Algo épico, correr X Milhas, digno de figurar entre as maiores façanhas da minha vida...Não estava minimamente confiante nessa capacidade, não me apetecia acreditar, nem tão pouco esforçar-me por conseguir.

Cheguei ao local da partida, onde todos já estavam em pleno período de aquecimento, havia algum tempo.

Muita gente na rua em Vila Real de Santo António. Uma banda animava o ambiente e o aquecimento fez-se ao som da música.

 

Com o equipamento do Clube do Sargento da Armada e o dorsal 450, alinhei junto dos meus amigos e colegas de equipa que me iriam acompanhar durante toda a prova. A nossa "chefe" tinha repetido vezes sem conta "Vais com eles. Não desistes. Não avanças demais. Nem ficas para trás. Sempre com eles." E assim foi. Eu com eles e eles sempre comigo. Foram o meu apoio e o meu ânimo. As minhas forças e as minhas pernas. O físico e o psíquico numa tentativa de equilíbrio. Eles sempre comigo, sempre lado a lado. Sempre de mãos dadas. Obrigada Isabelinha e Pacheco.

 

11 horas, soou o tiro de partida. Não sei ao certo quantos foram os participantes, mas talvez mais de meio milhar.

 

O percurso é lindo. Sentindo o mar por perto corremos ao lado dos terrenos pantanosos e alagados do Guadiana. Cegonhas e gaivotas. Pombos e outras aves eram uma mostra da riqueza da vida por aquelas paragens.

O sol brilhava num céu imaculadamente azul. Forte demais neste Novembro mais primaveril que outonal. Recorremos a todos os abastecimentos de água, estrategicamente colocados de 4 em 4 Km.

Ao longo de todo o percurso muita gente a assistir. Alguns parados por condiconamento de trânsito, mas todos bem dispostos, gritavam palavras de incentivo em espanhol e em português...batiam palmas e sorriam.

Reinava um clima de companheirismo e alegria nos corredores. Gracejos e risadas tornaram os quilómetros da prova diminutos, a distância pareceu desvanecer-se e o relógio ter avançado demasiado depressa.

Via-se o rigor com que a prova tinha sido organizada: no policiamento, na abundância de água, na cobertura televisiva e fotográfica, nas centenas de placas nos coletes onde se lia "Organização".

 

Chegámos à ponte ao minuto 45. Aí o Daniel deixou-nos. Era o quilómetro oitavo e o ritmo do nosso grupo era vagaroso demais para a sua juventude vigorosa. Comecei a vê-lo distanciar-se naquela subida...Orgulhosa da sua capacidade respondi ao Pacheco quando ele me perguntou : "O miúdo?". "O miúdo já lá vai. Corre muito"...

Continuámos no nosso passo lento, conversando, acenando aos carros que passavam e contando pequenas histórias.

Os quilómetros sucediam-se. Chegámos a Espanha e já as nossas amigas e colegas de equipa, Adelaide e Magnífica (que por estarem lesionadas não participaram) nos aguardavam na rotunda que antecede aquele que era o meu "papão" da corrida: a subida até Ayamonte. Tinha ouvido cobras e lagartos. "Não vou conseguir, pensava. Ainda se fosse ao início..." Mas consegui.

Cá em baixo estendia-se um maravilhoso cenário de ilhotas pantanosas e pequenos nichos de canaviais. O rio era mais azul que o céu. Dei graças por aquela beleza. Por poder ver e por ter subido. Por estar a descer uma avenida ladeada de maravilhosas  rosas vermelhas que fazem lembrar o amor e aquecem ainda mais o coração. Por estar viva. Por poder correr. Agarrei a minha estrelinha de cristal azul e pensei que quando chegasse ao fim, me atiraria para o chão a chorar. Que iria desfalecer de saudade e de angústia por não poder telefonar para um número a dizer "Cheguei". Mas não. Nada disso aconteceu.

Entrei no estádio e recebi um saco com duas sanduíches, uma maçã, uma água, uma t-shirt e uma medalha. Com a medalha ao pescoço, beijei os meus colegas e disse apenas "Obrigada".

Voltei e telefonei ao meu filho. Agora é só a ele, mas sei que ela sorriu o tempo todo.

"Cheguei".

"Boa, mãe. Quanto tempo?"

1 hora e 31 minutos.

Foram, sem dúvida os melhores tempos dos últimos tempos da minha vida.

Quando não imaginava ser possível...

X Milhas do Guadiana a lembrar X Motivos para viver...

A Vida. A Família. Os Amigos. O Céu. O Sol. O Mar. As Gaivotas. A Música. A Corrida. A minha Estrelinha Azul.


Boa Ana Paula, como dizem os meus putos "bué da bom"!
Que alegria ler as tuas palavras e constatar que também só sabes um caminho: seguir em frente!
Muitos parabéns e fico muito feliz com a tua (vossa) felicidade. Força nas corridas e na vida. Ela está aí para ser agarrada por pessoas cheias de força e garra como tu. A vida é mais bela sempre que nos cruzamos compessoas como tu.
Bj GRANDE
António
António Bento a 5 de Novembro de 2007 às 22:49

Bom dia, Ana Paula

Parabéns pela excelente prova.
Existe sempre motivos para correr, pois correr é sempre feito para frente, como aliás deveria ser a vida!

Beijos e felicidades

José Capela
josecapela62@gmail.com a 7 de Novembro de 2007 às 10:45

mais sobre mim
Novembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO