existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Dez 07
publicado por alemvirtual, às 08:38link do post | comentar

 

Era uma flor. Tinha nascido num campo que não sabia onde ficava. Era imenso, coberto de outras flores de cores intensas, garridas, perfumadas. Havia rosas e cravos, orquídeas e malmequeres e muitas, muitas outras flores desconhecidas que admirava secretamente. Havia flores com pétalas de todas as formas. Algumas exalavam aromas intensos e exóticos, cativando quem passava.

 

Ela não se via, não sabia que flor era. Debruçava-se, curvando-se sobre si mesma, num esforço em busca de um reflexo. Mas abaixo dos seus olhos, via apenas a terra seca. Onde estava a sua imagem?

 

Não sabia como tinha nascido ali. Não sabia porque tinha nascido naquele campo. Gostava de imaginar-se, ainda pequena semente, enrolada nas asas do vento ou  transportada no bico frágil de uma ave. Por isso, olhava o céu e observava o vaivém das gaivotas e julgava perceber em si vestígios de uma existência ligada ao mar profundo...talvez o agitar das suas folhas verdes, fosse uma recordação do marulhar das ondas ou talvez o remoínho do vento agreste.

 

Sabia apenas que estava ali, por isso, fosse qual fosse a razão da sua presença, deveria ser uma razão especial.

Alguém tinha que saber. E perguntou a todas as flores. Quando a sua vozita se perfeu nos confins do prado, agarrou nas poucas pétalas e partiu.

Subiu às montanhas e viu as flores das escarpas. Sentiu o frio da rocha e o seu toque áspero e cortante. E viu que não era uma flor das montanhas escarpadas.

Caminhou nas vastas planícies e não gostou da monotonia da paisagem. Conversou com os malmequeres e não se reconheceu na igualdade das suas coroas.

Ergueu-se, o mais que pode, e falou com as giestas.

Ao entardecer entrava sorrateiramente nos jardim bem tratados e escolhia um canteiro ansiando a alvorada. Ensaiava o seu melhor sorriso e aguardava... A seiva corria mais depressa e a cor intensificava-se. Pelo menos, assim pensava ela que não sabia qual era a sua cor.  Às vezes era arrancada violentamente pelas mãos rudes do  jardineiro que a olhava como se de uma erva daninha se tratasse. Nessas alturas, a flor chorava e fugia por caminhos solitários.

 

Talvez mais à frente...talvez mais longe...

 

Andou por serranias e por vales profundos. Subia e descia. Já quase não tinha raízes. Tinha gasto as finas correntes que a prendiam à terra dura, nos camihos percorridos. Aquelas pequenas raízes eram como âncoras na areia. E este pensamento fê-la de novo pensar no mar.

 

O mar... e suspirou.

 

Talvez não seja uma flor da terra - pensou. Talvez seja uma flor do mar.

E agarrando na última pétala, caída, correu até ao topo da falésia. O mar bramia e libertava, muito acima das ondas, o seu perfume salgado. Era como um véu ou uma cortina ténue, cobrindo o berço de um bebé.

O mar sussurrava uma canção de embalar...

A flor fechou os seus olhitos, esboçou um sorriso infantil e lançou-se no vazio.

 

Dizem que uma gaivota pairou no ar e viu a flor descrevendo círculos suaves, mergulhando em direcção ao mar...

 

 


Gostava muito de um dia nos voltarmos a ver. No dia em que fomos apresentadas a alegria não era o tema das nossas trocas de palavras, mas deu para ver que a Paula é uma pessoa divertida. Era uma tarde bonita.
Infelizmente vou manter ainda incógnito o meu rosto, mas dentro de pouco direi quem sou. Talvez pelo nome não me reconheça, mas vou tentar...
Quase não tenho tempo para vir ao computador porque nesta idade a dor de costas é maior que o prazer do "Mundo" da Internet. Mas sempre que posso venho ter ao blog da melhor mãe do Mundo.
Ainda guardo o presente que a Margarete me deu quando nos conhecemos... tão bonito e com tanta classe!
De onde será que ela veio? De um sítio bem distante, tenho a certeza. Talvez também eu não pertença a este Mundo tão cruel, mas enfim... ainda não chegou a hora de partir.
Que linda a imagem que colocou o blog... as flores silvestres são as minhas favoritas.
Gosto muito de si e da sua filhota. São as duas lindas, e gravadas no meu coração.
Qualquer dia marcamos um chá e recordamos as "aventuras" da nossa menina, está bem?
Mais uma vez um feliz Natal e um beijo.
Anónimo Misterioso
Anónimo Misterioso a 20 de Dezembro de 2007 às 14:03

Feliz Natal e óptimo 2008!

José Capela
Jose Capela a 24 de Dezembro de 2007 às 15:50

Um Feliz Natal e que, 2008 seja um ano repleto de realizações.

um abraço,
Carlos Lopes a 24 de Dezembro de 2007 às 19:10

Boa tarde Ana Paula,
só para lhe dizer que acredito que neste Natal no ceú havia mais uma estrela a brilhar forte.
Um tranquilo resto de ano de 2007.
Muita força e coragem.
O homem que corre.
António Almeida a 26 de Dezembro de 2007 às 13:20

Olá Paula,

Apenas para te desejar um Bom Ano 2008. Que tudo te corra bem e sê feliz.

Beijinhos
Fernando Sousa
Fernando Sousa a 26 de Dezembro de 2007 às 17:08

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