existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Fev 07
publicado por alemvirtual, às 17:52link do post | comentar | ver comentários (2)
 
 
 
Saí de casa cerca das 11h 30min.
A manhã estava luminosa, embora algumas nuvens escuras se aproximassem no horizonte. No céu de um azul pálido, os meus olhos seguiam as formas e figuras daqueles castelos brancos que ora se apresentavam de forma indefinida ora assumiam o perfil de personagens da minha infância. Esta brincadeira durou até chegar à Pista de Atletismo.
A temperatura era amena e sentia-se muita humidade no ar. Tirei o casaco e soube-me bem o vento fresco nos braços. Aumentou a minha sensação de liberdade. Estes momentos são para mim uma autêntica evasão.
 
O mesmo grupo de homens (desta vez eram só dois) que há uns dias atrás me tinha convidado a acompanhá-los nas suas voltas à pista, cumprimentou-me e, mais uma vez, convidou-me a correr com eles. Aceitei. Hoje, já me sentia melhor.
Durante 30´ corremos e conversámos.
Um dos “companheiros” de treino, parecia estar com mais dificuldade e corria calado, um pouco mais atrás.
 O outro senhor corria a meu lado e falou dos seus treinos, de como gosta de se juntar à multidão que aos Domingos, na praia, corre da Costa até à Fonte da Telha, das provas difíceis em que participou – como a de Manteigas-, das Maratonas que fez…das taças e prémios que ganhou…
Eu sorria…sou uma migalhinha comparada com aquela experiência e memórias de uma vida a correr. Mas contei que corro há poucos meses, que me tinha lesionado na Corrida dos Reis e que agora recuperava e esperava estar bem física e psiquicamente para ir correr à terra que muito amo: Constância.
A referência à Vila-Poema tornou os meus companheiros ainda mais entusiasmados. Até o que vinha calado, falou. Todos adoram Constância e teceram os maiores elogios à prova, à terra e às gentes. Senti-me orgulhosa. Constância emociona-me.
Falávamos e corríamos…
Despedimo-nos com um “Até sempre”.
Eles ainda voltaram a gritar: “Apareça! Corra connosco. Correr sozinha é aborrecido!”
Eu agradeci e sorri-lhes. Nunca me aborreço de correr sozinha – pensei. No entanto, reconheço que este treino foi mais agradável com a companhia daqueles desconhecidos. Era assim que todos deveríamos ser, em todas as situações da vida.
Respeito, camaradagem, convívio, entreajuda, igualdade e solidariedade…valores que encontrei na minha primeira corrida e que me seduziram a entrar neste mundo…são estes valores que, hoje, voltei a encontrar…
Cada vez que corro, regresso fortalecida. Não só no corpo, mas no espírito. Faz-me acreditar que o mundo não está assim tão despido daqueles valores que, deveriam fazer desta “bola azul”, a casa de uma enorme família…
 
A.P.

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