existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
29
Out 07
publicado por alemvirtual, às 14:03link do post | comentar | ver comentários (4)

Bem perto da bem conhecida  Costa de Caparica (penso que todos os portugueses já ouviram falar ou conhecem a praia da Costa) eleva-se uma localidade: o Monte da Caparica. Nao consigo distinguir onde termina o Monte e começa o aglomerado populacional de Raposo, apesar de uma placa identificar esse "lugar". Nunca  sei se estou em Raposo, no Pragal ou no Monte da Caparica. 

É nesta localidade, urbana, com bairros marcadamente de subúrbio, a denotar carência a  todos os níveis que se realiza a Corrida da Freguesia de Costa de Caparica ou do Raposense (nome do Clube desportivo e cultural que dinamiza esta prova em colaboração com a autarquia).

Importante cativar e reunir muitas dezenas de jovens (talvez mais de uma centena), motivando-os para a prática de desporto, quiça "roubando-os" a outros caminhos, aos desvios negativos a que a vida difícil do quotidiano os impele.

 

Nessa noite tinha dormido mal. Tive pesadelos. Sem perder a "noção" de que a minha filha tinha partido, sonhei com ela e falei-lhe. Um sonho afltivo que me deixou "em baixo". Pela manhã, não me apetecia nada e muito menos correr.

Cheguei cedo ao local da corrida. Muitas crianças e jovens (pois as suas provas começariam pelas 9h 30m), alguns alunos da minha escola, gente conhecida de outras provas, colegas de trabalho e outros de corridas (estes com nomes e significado afectivo para mim)...Isolei-me de todos. Sentei-me num muro e fiquei a observar a azáfama e os miúdos falando alto e alegremente.

Vi como alguns, que não pertenciam a clube nenhum, iam correr com uns calções de praia e uns ténis rotos e sem atacadores. A alma doeu ainda mais. Decididamente não me apetecia correr nem estar ali. Sozinha entre muitos. Deslocada.

Mas chegou a hora.  A minha "chefe" (já se sabe que chamo chefe à Adelaide Rodrigues e ao Fernando Oliveira que coordenam o Clube do Sargento da Armada- secção de Atletismo) tinha-me dito para correr com ela e com a "super-corredora" (isto também é chamado com carinho à Magnífica) da nossa equipa, pois estavam ambas lesionadas e fariam a prova lentamente.

Fui com elas. Foi divertido ver como a ambulância nos acompanhava e os bombeiros iam falando connosco. Disparates engraçados, claro.

Nós ríamos e lá íamaos devagar, devagarinho...Eu ria com elas, mas só aparentemente. Na realidade estava muito longe dali.

A "chefe", entretanto "obrigou-me" a ir para a frente e a deixá-las. "Faz a tua prova" - disse-me. E eu fiz.. A partir desse ponto, acelerei para alcançar uma outra veterana que ia à frente. Pensei ir com ela toda a prova e disse-lhe. Mas ela também estava com problemas. Ao sair da localidade do Monte da Caparica deixei-a para trás (sei como é a sensação de nos sentirmos pressionadas a um ritmo que não conseguimos acompanhar). Pela frente uma subida até uma rotunda. Distanciei-me cada vez mais dela e vi a Ana cá em cima. Pensei chegar até ela, mas estava longe demais. A meio da subida uma jovem andava, ofegante. Agarrei-lhe na mão e incentivei-a. Ela, humilde dizia "Vou atrapalhar a senhora". "Não vais nada" - respondi-lhe. "Vem comigo".

Esta foi a melhor parte da corrida. Podia ter avançado um pouco mais e encurtado o meu tempo, mas não o fiz. Foi a melhor opção que tomei. Foi gratificante. Assim, vim com a Claúdia (era esse o seu nome) ajudando-a o melhor que sabia. Controlámos a respiração e o ritmo. Aproveitámos a pequena descida para arranjar forças para a nova subida (esta bem acentuada). Só a deixei quando vi que ela iria terminar a prova e que já nada mais podia fazer por ela.

Obrigada Cláudia, por aceitares a ajuda que te podia dar.

 

Há um ano atrás, esta prova foi a minha estreia por um Clube Desportivo e a minha segunda participação numa prova.A primeira, a título individual tinha sido a Corrida do Tejo.

Nitidamente, senti-me melhor este ano (em termos físicos, claro).

 

Uma garrafa de água, uma peça de fruta e uma medalha foi a recompensa pela participação. Mas houve outra. Essa deram-ma sem saber. Tinha pensado "Nunca mais corro". Mas no final da prova estava desejosa que chegassem os treinos prometidos por alguns amigos para continuara correr. Esta instabilidade talvez tenha vindo para ficar e é bem patente nas palavras e nos actos. Mas elo menos, por agora, a corrida não me vou deixar abandonar pela corrida (ou seria eu a abndonar a corrida?)

 

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No final, recebi um miminho muito precioso.

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Admirada ..."Já estão deste lado?"


24
Out 07
publicado por alemvirtual, às 19:11link do post | comentar | ver comentários (3)

(foto retirada de: www.contradiz.blogger.com.br/09%20-%20cigarro...)

 

Há vitórias que têm um sabor amargo de derrota. Quem já sentiu isso, conhece a sensação.

Neste caso, mais que sensação como modo de falar ou conceito vazio de experiência física, é mesmo uma sensação gustativa.

A boca amarga. Parece que as  "minúsculas bolsinhas" da minha língua estão queimadas, como se um chá demasiado quente as tivesse agredido. Permanece um travo a "não sei quê" que deixou o último cigarro. E sobretudo, uma sensação interior de fraqueza e falta de coragem...de falta de determinação...de ser um ser humano menor...

Pois é, não fumo há uma semana. São 7 dias e 7 x 24 horas... e 24 h x muuuuuitos minutos..... Eu fumava (por vezes, muitas vezes e muitos anos) mais cigarros que horas existem no dia.

 

Sabor amargo deixar de fumar?

Gosto de dizer e repetir "deixei de fumar". Gosto de contar e recontar os dias e as horas que passaram sobre o último cigarro.

Foi uma promessa que fiz e demorou muitos meses (na realidade anos, muitos anos) a cumprir.

Prometi aos meus filhos. Se a uma havia  (e há) muitas razões para não fumar, com o outro não há menos.

 

O cigarro pode matar, claro. Neste caso, não foi o cigarro que a matou. Deixei de dar tanto valor às "tretas" (não são tretas, eu acredito, mas estou revoltada) dos alimentos que previnem o cancro, dos estilos de vida saudável, da prevenção do tabagismo.............

Ainda assim, gostava que o meu filho não fumasse. Por ela (em sua memória) porque se preocupava muito comigo e por ele que importa proteger e incutir mensagens e modelos de comportamento positivos, deixei de fumar.

 

Continuo a sentir este gosto amargo de ter deixado apenas quando ela já não  vê (outra força de expressão; sei que vê).

Queria manter este estado de "não fumadora". Pouco a pouco, esta pequena vitória deverá começar  a ter um gostinho mais agradável. Quando ele seguir o meu exemplo. Exemplo muito tardio, é certo...


22
Out 07
publicado por alemvirtual, às 13:19link do post | comentar | ver comentários (4)

Manhã de Outono parecendo o entardecer de um dia estival. A luz, a temperatura, o céu azul sem nuvens, intensificavam-se naquelas "línguas de fogo" de um laranja, forte, como os raios de sol, beijando o horizonte em tade de Verão.

Tudo organizado, tudo muito "comercial". A prova de 2006 vivi-a de maneira diferente, intensamente.

Não, não foi pelo estado de espírito com que corri.

Este ano, achei tudo muito bem, tudo tão bem quanto o ano passado, no entanto...No entanto,  faltou o ingrediente mais importante: calor humano.

De uma grande organização, espera-se um grande evento. Assim foi e assim será (espero).

Mas à medida que se "cresce", transformamo-nos. E podemo-nos transformar, valorizando e desenvolvendo  aspectos positivos ou até  assumir alguns negativos que se tomam como "naturais" nesse processo de crescimento. Veja-se o exemplo das pequenas mercearias do comércio tradicional versus hipermercado ou outra grande superfície comercial.

Senti-me sozinha a correr os 10 Km, apesar dos 8.500 inscritos e participantes.

 A poucos metros da Meta encontrei uma cara conhecida, a Sandra, foi o único momento bom da corrida. Não por desconhecer os outros. Na edição anterior também não conhecia ninguém, no entanto, senti-me a correr entre amigos, numa prova alegre, organizada, apelativa. Por isso, este ano quis repetir, mas ficou uma sensação de "vazio". Para o próximo ano, procurarei uma prova mais "rústica", mais "caseira" em menor "escala" onde possa sentir o que mais aprecio no mundo da corrida: calor humano.

Na nossa sociedade, cada vez mais desumanizada, importa preservar e fomentar estes nichos de autênticos valores humanistas. Atrever-me-ia a afirmar, de valores judaico-cristãos, pois sãos os pilares da nossa sociedade.  Ao voltar costas à sua ancestralidade ética e moral, entrou numa crise de valores (a todos os níveis), da qual resulta a sensação de vertigem, de desconforto e desorientação. Falta pautar a vida por ideais comuns e formas colectivas de gratificação pessoal. Urge descobrir de novo que a individualidade não nos deve remeter para um individualismo egoísta, mas sim para a acção, de expressão conjunta, onde cada um seja e valha, exactamente, por aquilo que é na sua essência. 

 

Bem, eu não sou grande corredora. Sou uma corredora. Tenho capacidade para isso. Tenho funcionalidade nos dois membros inferiores e capacidade para a executar.

Dei por mim, ridiculamente, a desenhar cenários de corrida, colocando hipóteses de tempo gasto.

 

Depois, chorei. Senti raiva de mim mesma, pois apercebi-me dessa forma inconformista de ser. Não soube ainda aprender a valorizar as pequenas coisas da vida e tive uma tão grande lição de vida!. Que importava o tempo que faria? O importante era poder correr. A minha filha tinha perdido o andar.

Fui, apenas para correr. Mas não consegui desligar-me do cronómetro, nem de ir fazendo contas ao longo do percurso, nem de me esforçar por reduzir ao máximo o tempo em cada quilómetro. Logo, o meu propósito foi uma farsa. Não fui apenas para correr. Fui para me testar e saber até onde me podiam "levar as minha pernas". Ainda sonhos com sucessos...

 

Corri com ela no pensamento e numa foto que coloquei na t-shirt. Corri com raiva e com desespero.

Mas só quero aprender a correr, apenas porque posso correr. É esse o caminho que me falta e o treino a concretizar.

 

 Ontem, nos 10 Km gastei 54´ 54´´. Quero interiorizar que o tempo é relativo e assumir isso como verdade na minha vida. Quero desvalorizar o que não tem valor... Por enquanto não consigo. Mas vou tentar...

 

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Tenda no Palácio Ribamar (entrega chip e t-shirt)

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A "nossa" Vanessa

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O meu aquecimento (não, não estava a chorar; era alergia)

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A partida

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À chegada.

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Santo Amaro de Oeiras

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Lisboa (zona de Santa Apolónia e Terreiro do Paço), fotografada no dia anterior à corrida, quando fui levantar o chip

 


19
Out 07
publicado por alemvirtual, às 13:21link do post | comentar | ver comentários (4)

Há um ano atrás, a Corrida do Tejo foi a minha estreia em provas desportivas. Nunca até aí tinha corrido.

 

Desde então, a vida alterou-se muito, mas uma vez mais, a Corrida do Tejo será a minha "primeira" corrida.

Vou usar os sapatinhos de corrida que coloquei em baixo. Foram estes que tinha estreado, um dia em que a minha filhota me pediu para ir treinar e lhe levar as sapatilhas para as ver. Fotografei-as após o treino, mas não lhe cheguei a mostrar a foto.

É essa aí...

 

 

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Vou correr ao longo do rio que nos é muito querido. Claro que é um Tejo "citadino", alargado, já vislumbrando o mar. Não é o "nosso" Tejo menino-vilão,  Tejo traiçoeiro, porém encantador, abraçando o Zêzere, mas não deixa de ser o "nosso" Tejo. É o Tejo da minha e da tua infância que nos traz um sabor a nostalgia, ao passado.

Vou correr sentindo o seu enrolar na areia da praia e vou desenrolar o novelo de infinitas recordações.

 


12
Out 07
publicado por alemvirtual, às 09:17link do post | comentar | ver comentários (2)

Garota solitária

(Cantam: Tetê Espíndola e Alzira Espíndola

 

Esta noite eu chorei tanto
Sozinha, sem um bem
Por amor todo mundo chora
Um amor todo mundo tem
Eu, porém, vivo sozinha
Muito triste sem ninguém

Será que eu sou feia?
- Não é, não senhor
Então eu sou linda?
- Ah! Você é um amor

Respondam então porque razão
Eu vivo só sem ter um bem?

- Você tem o destino da lua
Que a todos encanta e não é de ninguém!
Ah! Eu tenho o destino da lua
A todos encanto e não sou de ninguém!

 

 

A propósito do poema que a Ana enviou e que fala da Lua, lembrei-me desta canção muito velhinha que a minha mãe, há muitos anos atrás, costumava cantar para mim. Também, poderia ser a canção da minha menina. Podia e foi. Mas não foi para sempre. Ela conheceu e viveu a mais bela história de amor. No seu destino ainda estava escrito uma página breve, mas intensa, de amor, muito e sincero amor.

 



11
Out 07
publicado por alemvirtual, às 08:19link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Todos os dias, a tia canta para ti, junto da tua sepultura - embalando o vazio em carícias tantas vezes tocadas-  um fado em jeito de canção de embalar.

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Conta  a lenda de uma alga pequenina que, deixada na areia da praia, se transforma numa menina. Tu és a nossa menina, a nossa alga pequenina que ganhou vida, a nossa estrelinha caída na Terra...

Tu és, agora, um brilho acrescido no céu, a  pequena alga que o mar reclamou...

Mas nem o céu, nem a terra, nem as profundezas do mar roubam de nós a recordação do teu rosto de boneca.

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Há vários dias que não consigo treinar. Nem um só metro a correr. Mas tenho um plano de corridas a cumprir e gostaria muito de o concretizar...sem treinar? Falta-me a tua força. O mar era um plácido  lago, perante a intensidade e a tua força de viver.

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08
Out 07
publicado por alemvirtual, às 17:45link do post | comentar | ver comentários (3)

Esta semana, treinei 3 dias.
Tenho saudades...


04
Out 07
publicado por alemvirtual, às 11:55link do post | comentar | ver comentários (1)

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Fotos de Portalegre, tiradas no dia 5 de Maio (quando fui conhecer a cidade e a casa da minha filhota). Nada têm a ver com o post seguinte, mas...)

 

Esta manhã, fiz um treino de 10 Km. Tudo contabilizado, foi um total de 10KM e 27m, para 58 minutos, a um ritmo de 5´47´´. Estes dados não correspondem inteiramente à realidade, pois tive uma interrupção. Durante 3/4 de pista tive que andar, acompanhando uma senhora que queria falar comigo. Parei de correr para ouvi-la e fiz esse percurso a andar. Ela apenas queria fazer publicidade a um produto utilizado, especialmente, para o emagrecimento. Logo a mim! Eu que peso 42Kg!! Lamentavelmente, a sua publicidade aqui não encontrou eco. Preciso de engordar, não de emagrecer! De qualquer modo, ouvi-a e lá se foram uns minutos, pois não parei o cronómetro.

 Foi um treino melhor do que eu imaginava poder fazer.

 

 


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