existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
29
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 19:00link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Para quê procurar palavras se as palavras já foram ditas?

Para quê escutar a voz, se a alma quer silêncio?

Para quê escrever poemas se houve um poeta antes?

Para quê compor melodias se a música nasce em mim?

Para quê inventar um sonho se o céu já foi criado?

Para quê tornar especial as banalidades da vida?

Para quê tornar banal o que nunca será vulgar?

 

Para quê dizer "não" quando dentro gritamos "sim"?

 

As marcas que ficam nunca são coisas banais...

 

http://www.youtube.com/watch?v=OzrUs08-SWs

 

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir;
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir;
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder;
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer;
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera;
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade;

 

(Mariza - fado)


25
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 09:49link do post | comentar | ver comentários (10)

Ontem, dia 24 de Abril, pelas 21h 30min, correu-se o IX Grande Prémio de Atletismo Rui Silva. O vencedor desta 9.ª edição foi Yousef el Kalai, do Futebol Clube do Porto, que bateu o record da prova, percorrendo os 10 km em 28m41s.

O 2.º classificado foi Rui Pedro Silva, do Maratona CP, com o tempo 29m28s, e o 3.º o queniano Vítor Bitok, com 29m36s.

 

Rui Silva, natural do concelho do Cartaxo, que dá o nome a esta prova, ficou em 6.º lugar, com o tempo de 30m10s.

 

No sector feminino, Clarisse Cruz, Sportinguista, foi a primeira, com o tempo 35m23s. Em 2.º ficou Mónica Silva, do FC Porto, com 26m00s, e em 3.º Ana Ferreira, do GD Estreito, com 36m53s.

 

Uma prova com excelente organização, que se percebeu desde a entrega dos dorsais, ao corte do trâsito, orientação no percurso, abastecimento de água, até à distribuição dos prémios.

Um ambiente animado, de verdadeira festa, antes, durante e depois da prova, com música e a população do Cartaxo apinhada nas ruas, aplaudindo e incentivando todos os atletas. Notou-se, especialmente, o carinho que dispensavam ao alteta homenageado Rui Silva, natural deste concelho.

O povo saiu à rua. Disparavam-se flashes, eternizando mais um momento desportivo e de alegre convívio entre as gentes ribatejanas.

Um prova com percurso circular, dando três voltas no coração do Cartaxo. Com algumas subidas e descidas, é uma prova rápida que apela à entrega total dos atletas.

 

 

A minha corrida ou a noite antes da Liberdade

 

Talvez sejam assim as noite que os poetas exaltam em versos soltos e palavras sentidas. Uma noite carregada de emoção. Uma noite antecipando uma emoção maior, como grito aprisionado na garganta e finalmente libertado. Grito que ecoa no silêncio da noite. De uma noite tecida em veludo negro e em estrelas brilhantes. Noite fria, ventosa, como o travo amargo dos corações frios e empedernidos, daqueles que desdenham dos sorrisos nos rostos das pessoas felizes. Tal como o sabor amargo se dilui na ternura de um beijo, também o vento perde a força agreste no encontro dos corpos quentes e suados de quem faz da corrida o seu grito de liberdade. Então, o vento é aliado. Desiste de lutar e, embora persistente, nada pode contra a firmeza ds promessas de quem jura fazer dessa noite uma noite sagrada.

A última noite de repressão, ou a primeira noite de liberdade. Nem ventos, nem tempestades esgrimindo as suas espadas podem nada contra a vontade de quem sonha.

São noites para saborear devagar. Suavemente. Como dedos que levemente tocam as pétalas de uma flor...como quem aspira o seu perfume...enebriando-se...embriagando-se...para, atordoado de prazer, ensaiar uns passos hesitantes na loucura de quem deixou de ser...já não é o sonho que vive nele, mas o sonho tornado vivo...o mundo toma a cor e o cheiro da for.

Olho-o. Olho este mundo. Contornos perfeitos de um mundo sonhado perfeito...

E a noite tão alta...A alvorada tão perto.

Chega a hora de viver o sonho.

 

 

Completei a prova no tempo de 57´58´´ - tempo oficial.

 

Tive o enorme prazer de encontrar o senhor Carlos Viana Rodrigues da AMMA http://www.ammamagazine.com/ em mais uma reportagem fotográfica, da qual tomo a liberdade de apresentar algumas (Fotos de C. V. Rodrigues e José Gaspar):

 

A partida

 

A chegada

Na minha primeira volta

 

A chegar à Meta

Um aceno ao Carlos Viana Rodrigues

 

 

Para o ano, lá estaremos...

 


23
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 09:43link do post | comentar | ver comentários (6)

Era uma manhã de sol numa Primavera do mês de Abril que floria nos canteiros e nas bermas das estradas. Uma manhã perdida no tempo, num tempo de ser criança, há trinta e cinco anos atrás.

O tempo de ser criança é também o tempo de todos os sonhos. De ver o mundo à imagem da pequena estatura da infância, horizontes longínquos e fronteiras conhecidas. Um mundo de segurança e liberdade, sustentado pelo amor da mãe e a ternura do pai.

Para lá deste mundo de criança havia o mundo dos que nunca foram crianças, o mundo dos terrores e dos medos, das correntes e da prisão, da fome e da guerra. Esse era um mundo que pai nenhum daria por herança a seus flhos. E os pais, e também aqueles que ainda eram só filhos, fizeram apelo à mãe-coragem e ousaram dizer "não". Queriam mudar o seu mundo, para que ele assumisse os contornos reais, vislumbrados pelos olhos das crianças.

 

Naquela manhã de sol, um pequeno grupo irrequieto aguardava pelo transporte militar para mais um dia de aulas  no colégio, também ele militar. Nas pastas a despreocupação natural de quem vive feliz, apenas por ser criança.

O transporte tardava. As brincadeiras tomaram o lugar do tempo de espera. Não muito. Aproximou-se um pequeno jipe com um jovem de olhar nervoso.

- Hoje não há aulas. Voltem para casa. Os pais explicam.

Voltámos. Entre o grupo não houve lugar a grandes divagações. O mundo das crianças é assim: certo, ritmado, confiante.

Em casa, a informação que entretanto já aí chegara:

- Hoje não há escola.

E antes de voltar o interesse pra as brincadeiras com a boneca, uma pergunta inocente:

- Porquê?

E a resposta, de todo incompreensível para si:

- Há uma Revolução em Lisboa.

 

 

Há dias que marcam, definitivamente, a vida de cada um. São momentos únicos na história pessoal, dias com significado, marcos recordados e assinalados com tristeza ou alegria, consoante as recordações a eles ligadas. Mas há dias que marcam a vida, a alma e a história de um povo, de um país e de uma nação.

 

Madrugada fora, muitos partiram. Não sabiam se voltavam, nem ao que iam. Apenas tinham de ir. Iam ao encontro do desconhecido e das correntes que algemavam os pulsos e as almas. As palavras contidas e o silêncio imposto. Amordaçados na voz. Trémulos? Talvez. Mas em frente. Firmes na vontade. Para trás nunca!

 

Em cada ano, recordo a manhã daquele dia e agradeço a cada rosto conhecido e desconhecido, aos nomes escritos nos livros da escola e àqueles que permanecem anónimos, a coragem e a vontade de mudança.

A palavra liberdade assume um valor imenso tal como a palavra gratidão.

Hoje, tenho a liberdade para dizer "obrigada" e isso foi o maior tesouro que os homens do meu país conquistaram. Um tesouro que aumenta à medida que se reparte. Por isso, pelo quinhão que me tocou e fez de mim a mulher que hoje sou: "Obrigada".

imagem retirada de: http://amandovoce.files.wordpress.com/2007/12/paz-playerimage.jpg


21
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 16:51link do post | comentar | ver comentários (7)

A minha relação com estes serviços nunca foi pacífica. Continuo a somar "descontentamentos" que reforçam a visão negativa que tenho da sua lógica de funcionamento.

 

Recebo uma mensagem do meu filho antes das 7 da manhã a pedir para o levar ao médico.

 

Convém voltar um pouco atrás e dizer que estou "hospedada" na casa de uma amiga perto da Charneca da Caparica (situação encontrada depois da ruptura familiar, uma vez que o meu local de trabalho aí se situa). Ele (o filho) está hospedado numa outra casa em Lisboa, a fim de dar contnuidade aos seus estudos. Ambos, temos residência oficial no Entroncamento, para onde nos deslocamos no final de cada semana.

Até final de Dezembro último éramos utentes do Centro de Saúde da Sobreda, com médico atribuído. Devido à alteração da situação pedi transferência para o Centro de Saúde do Entroncamento.

 

Ora, quando alguém adoece necessita de cuidados médicos, não é verdade? Ainda para mais, sabendo da "aversão" ao seu recurso por "dá cá aquela palha", ao receber a mensagem de que estava doente, era certo ser  mesmo verdade.

Onde vou? Foi logo o que pensei. Ora bem, vou buscá-lo a Lisboa, trago-o ao Centro de Saúde da Sobreda e depois logo se vê a gravidade da situação. Não entro em alarmes.

Como ao dirigir-me para a minha escola a fim de avisar de que iria faltar, passo mesmo em frente ao Centro de Saúde, tenho a brilhante ideia de entrar e expor sucintamente a situação:

 - Já não somos utentes deste Centro, mas preciso de uma consulta para o meu filho. Ele está em Lisboa, vou buscá-lo e venho aqui. Pode ser atendido?

- Não- respondeu-me prontamente a funcionária. Tem que ir ao SEU Centro.

- Mas o MEU centro é a 160 Km daqui e ele está em Lisboa.

- Então tem que ir a Lisboa.

- Mas onde? Não conheço nenhum Centro em Lisboa, não me oriento na cidade e a este eu SEI vir. Além disso é o Centro ao qual estivemos vinculados durante alguns anos e até há pouco tempo atrás.

- Pois, vá ao Centro que ficar mais perto dele.

- Não sei qual é. E se tem direito a ser atendido em qualquer Centro, em situação de ausência do local de residência, para mim é mais funcional vir a este.  

- Mas tem que ir a Lisboa.

- Não entendo porquê. Está inscrito no Entroncamento, se tem que recorrer a um serviço fora e este é o que conheço, não pode vir? Já expliquei que é mais funcional e fácil para mim, ir a Lisboa e voltar aqui, do que procurar um sítio que não conheço. Se lhe perguntasse se sabe onde fica o do Entroncamento, a senhora saberia? (pensava eu que a senhora iria compreender que "quem não sabe é como quem não vê", como era o meu caso).

- UTILIZAVA UM GPS. - Foi a resposta pronta.

- Mas eu não tenho nem sou obrigada a ter um GPS. Então não pode vir aqui?

- Não.

Agradeci e saí.

 

Não sou obrigada a ter GPS. Não admito este tipo de resposta num serviço público, nem em qualquer outro serviço. Apenas teria que responder não pode ser atendido aqui e apresentar as razões, se tal estivesse dentro da sua competência. Como aparentemente não existe razão nenhuma, uma vez que qualquer outro centro serviria, ainda fiquei mais aborrecida. Mas na verdade, o que me "tirou do sério", o que me indignou foi a resposta que considero uma falta de respeito.

 

Conclusão: fui  a Lisboa buscar o miúdo e dirigi-me ao Entroncamento para recorrer ao Centro de Saúde, evitando andar às voltas numa cidade que não conheço e que seria causa de stress para mim. Fácil? Sim, sem dúvida para quem conhece e tem sentido de orientação. Ir a um grande hospital? Sim, saberia ir a um, mas não fui. Evitei entupir as urgências, pois acho que urgência é mesmo para isso e não me parecia o caso. Mas parece que os meus cuidados (que afinal não são nada mais que a obrigação de qualquer cidadão) são excessivo zelo no cumprimento dos meus deveres.

 

 

Há algum tempo atrás, recorri duas vezes ao Centro de Saúde (Sobreda). Tinha a minha filha em estado terminal e precisava de ajuda médica. Por duas vezes tive que reclamar. Invariavelmente, quando pedia a consulta ao balcão, a funcionária administrativa (a mesma) perguntava:

- "O que é que tem?"

- Minha senhora, a isso não respondo.

- Então não marco a consulta. São ordens. TENHO QUE AVALIAR a situação.

- Pois eu não tenho competência científica para fazer diagnósticos e também não lhe vou explicar mais nada. Se peço uma consulta é porque necessito, caso contrário não estaria aqui. Essas perguntas transcendem-na e a mim assiste-me o direito de não lhe responder.

- Então, fale com quem determinou estas ordens.

 E eu assim fiz. Falei. Discordei e reclamei.

Cada funcionário tem funções perfeitamente estipuladas e não podem ultrapassar as suas competências.

Tal como eu. 

 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde " Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença."

 

Quando solicitei atestado médico em virtude do estado terminal da minha filha, dizendo que não me sentia em condições para continuar ao serviço, indignei-me porque foi-me respondido pelo médico que "A Ana Paula não está doente. Se tivesse uma perna partida, não poderia ir trabalhar, mas assim, não".

Neste caso, eu respondi-lhe com uma pergunta:

- O senhor Doutor tem filhos? Não, bem me parecia. Se tvesse uma filha a morrer com cancro e tivesse que trabalhar, sendo o seu trabalho intelectual e afectivo (sabe que apoio crianças com NEE e duas delas também tiveram cancro), saberia que não reúno as mínimas condições para realizar o apoio que elas merecem e que eu sou obrigada a dar. Mais facilmente iria trabalhar de canadianas do que com as duas pernas sãs e a cabeça e o coração desfeitos.

 

Parece que o conceito de saúde ainda não é bem entendido por todos os profissionais da área...

 

 

Ainda com o mesmo médico. Meses antes da Margaret falecer tinha marcado duas consutas. Uma para mim e outra para ela. A minha seria rotina (nunca faço exames e pensei nas coisas normais na minha idade) e sugeri também um RX aos pulmões, pois fumava (e fumo) bastante. A consulta da Margot seria mais burocrática pois tinha a ver com registos do IPO que transitavam para o seu proceso clínico. Entrámos as duas ao mesmo tempo para o consultório. Eu, sendo a primeira a ser consultada, expliquei que gostava de saber como andava o meu "corpito": análises, mamografia, rx, por causa do tabaco. 

Resposta pronta do médico que fez a Margaret rir  bandeiras despregadas e eu também, quando saímosdo consultório (sei que foi riso nervoso):

- Acho bem que faça análises e tudo o mais,  mas o RX, olhe Ana Paula, só se tiver cancro é que se vê. E se tiver já é tarde, não há nada a fazer.

E voltando-se para a minha filha:

-  E a menina, o que é que tem?

- Tenho cancro - respondeu a minha filha.

 

Pobre senhor. Sei que se tivesse um buraco ter-se-ia enfiado nele, mas já era tarde para apagar as palavras que tinha dito...

 

 

A quem teve "pachorra" de ler o desabafo, as minhas desculpas. Fez-me bem "destilar" a impotência que sinto quando esbarro com este tipo de situações.


20
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 09:15link do post | comentar | ver comentários (4)

 MOINHO DE MARÉ

"No Concelho do Seixal existem 10 moinhos de maré que documentam a intensa actividade moageira desenvolvida na região desde o início do século XV até quase aos nossos dias. Foram os esteiros do rio e a proximidade a Lisboa, grande centro consumidor de farinha, que permitiram a construção do elevado número de moinhos deste tipo (60 no século XVI) em toda a zona.

O moinho de maré de Corroios, propriedade municipal, é o único a funcionar, integrado no Ecomuseu, como Núcleo do Património Industrial.

 

   Noutras épocas em que as fontes de energia escasseavam e eram limitadas apenas à força muscular, ao vento e correntes, os moinhos de maré tinham uma grande vantagem sobre as outras formas energéticas - a sua constância e previsibilidade. Existem duas marés diárias o que garantia cerca de 4 horas de moagem. Eram construídos nos estuários dos rios em terrenos baixos, e em zonas abrigadas que permitissem represar as águas.
Era uma vida dura a dos moleiros, já que as horas das marés obrigavam a que se moesse a qualquer hora do dia ou da noite, pois os moinhos só trabalhavam durante a vazante. As outras horas eram aproveitadas para limpeza e manutenção do moinho e caldeira.                            

                                        Princípios de funcionamento

 

 Imagem em corte do funcionamento do moinho de maré.

 

  1. Quando a maré sobe, a água entra pela comporta, porta de madeira móvel sobre um eixo, colocada no acesso á caldeira.
  2. A água da maré fica represada na caldeira, enquanto no exterior o nível da maré desce, deixando a descoberto os rodízios.
  3. No interior do moinho, o moleiro abre os pejadouros, provocando dentro dos canais ou setias a queda de água sobre os rodízios, o que os coloca em movimento.
  4. O movimento dos rodízios é transmitido às mós, através de um sistema de engrenagens, e aquelas começam a moer o cereal, transformando-o em farinha."

 

 

  A PROVA

 

Domingo de sol, um braço de rio, um moinho de maré e a "sede" de correr.

 

Diz o povo e tem razão "não vás com demasiada sede ao pote". Não devia ter ido. Comecei a prova num ritmo demasiado rápido. Não o aguentei e cheguei ao fim com 35´02´´. Fui 5ª no meu escalão. Não sei quantas éramos nem sei ao certo quantos quilómetros foram.

Sei que foi uma manhã de boa disposição.

 

Uma prova circular, com duas voltas a um perímetro urbano, a proporcionar a visão do leito do rio e do Moinho de Maré. Com subidas acentuadas e descidas para recuperar, foi sem dúvida uma corrida dinâmica.

Ainda houve tempo para brincar e incentivar quem, em sentido contrário num claro avanço na corrida, passava por nós.  

 

As fotos são de Adelaide Rodrigues e retirei-as do site da AMMA

           http://www.ammamagazine.com/Fotos

Chegada às imediações do Clube Recreativo de Miratejo
No ligeiro aquecimento
 Chegada à Meta, com o  António que me acompanhou sempre
O meu Óscar (fica louco da vida quando vê a "mãe" passar por ele e não o levar)
Durante....ai, ai, que vais depressa demais para ti, ó pequenota!
Foto de David de  O Praticante: http://www.opraticante.net/
A meio da prova com a Ana e o António
A alegria contagiante do Alexandre (ao ultrapassar-nos no último troço da segunda volta diz-nos, super-feliz: "Oi gente! A gente se vê no Natal")
 
O Henrique
A Magnífica (nossa melhor corredora)
O "Chefe" - Fernando Oliveira
 
A Ana lutando "ferozmente" por nos alcançar. Conseguiu e ultrapassou-me, manifestando uma forma invejável (Anocas, com que então não treina?)

 

Este foi um pequeníssino post bem humorado, tal como a prova e o convívio que se lhe seguiu


17
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 19:43link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

foto retirada de:http://farm1.static.flickr.com/73/184151235_26a262245e.jpg?v=0

                                                                                                                                                                                       

Não precisamos de muito tempo para mergulhar nas recordações de infância. Deixar o aqui e agora de um tempo diferente, ancorado à beira-rio e embarcar num frágil varino rumo a um tempo sem tempo. Do tempo de ser criança, das histórias e afagos. Do tempo da crença ingénua, dos sorrisos largos, de pentear as bonecas. Das apostas com amigos, em que trepar ao ramo mais baixo de uma árvore a troco de coisa nenhuma, tinha gosto mais doce que o doce a escorrer do pão.  

                                                                      

- Ó mãe, conta-me aquela da princesa do castelo... 

E ela contava. Antes de adormecer uma e outra vez...

                                                                                                              

- Contava a minha mãe que a bisavó da minha avó dizia que há uma princesa moura encantada no castelo. Ainda lá anda, porque quem lhe havia de quebrar o encanto, teve medo e fugiu.           

 

Houve um pescador que alta noite se sentou num rochedo do castelo a pescar. Era noite de lua cheia e via-se o rio como se fosse de dia. Estava tudo muito calmo e sereno. De repente ouviu como se fosse um restolhar lá em cima. O barulho de alguma coisa a afastar os arbustos vinha do castelo e descia, descia...os cabelos da cabeça puseram-se em pé e ele ficou paralisado de medo.      

                                                                                                                                  

Ouviu uma voz muito suave como se fosse um canto de pássaro, mas não via nada. A voz disse-lhe:

- Sou uma princesa moura encantada. Estou feita em serpente. O meu encanto só se quebra se encontrar alguém que me deixe enrolar-me a si, sem medo. Tem que ser à meia-noite. Amanhã, volta aqui e quando me ouvires vir, não olhes, mas deixa-me enrolar-me em ti. Não tenhas medo Se tiveres medo, o meu encanto não se quebra. Se deixar este corpo de serpente que obriga a esconder-me nas rochas do castelo, dou-te um grande tesouro que aqui está enterrado. Vens amanhã? Promete que sim.

O pescador, coitado, era muito pobre e ficou a matutar naquilo. Chegou a casa transido de medo e o resto da noite não conseguiu dormir. Levou o dia a pensar naquele pedido e, como era muito pobre, pensou que iria ficar rico e dar uma vida boa aos filhos. Quando a noite chegou, partiu em direcção ao castelo e sentou-se na mesma pedra, à espera da meia-noite. Levantou-se a lua no céu  iluminando as sombras das rochas e as ameias do castelo. Esperou. Esperou. Quando pensava que nada iria acontecer, começou a ouvir o mesmo barulho. Aproximava-se. Ouvia cada vez com mais força o rastejar de alguma coisa enorme. Como um silvo que se aproxima, resvalando pedras sobre pedras. Urgia o tempo e a pressa de quebrar o encanto. Ele sem ver, imaginava o mostro réptil que lhe iria aparecer. Abriu os olhos apesar da recomendação e olhou na direcção do baruho. Eis que vê uns olhos brilhantes numa cabeça enorme de cobra a saírem de uma moita.

O coração quase pára para depois começar a saltar descontroladamente. Num ápice entra no rio e foge. Foge em direcção a casa, sem olhar para trás. Ouvia o corpo rastejante rochas acima. Teve medo, por isso a princesa moura ainda lá está feita em serpente, à espera que lhe quebrem o encanto. 

 

Nunca encontrei esta  lenda nos compêndios das lendas do castelo, mas é a minha preferida.

 

 Enquanto corri 1h 19 minutos, pela estrada sinuosa de Tancos, imaginei a princesa...linda e loira como sol. Brilhante como estes escassos raios de sol que se escapam por entre as nuvens. Também eles prisioneiros. Como a bela moura. Que pena estar transformada em serpente. Por muito que goste dela,  jamais terei coragem de a ajudar a quebrar o encanto.

 

 

E seguindo a linha do Tejo, no Domingo estarei em "Moinhos de Maré".

 

 

  

Erguido num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere, à época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, actual Região de Turismo dos Templários. Constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo. Com a extinção da Ordem do Templo o castelo de Almourol passa a integrar o património da Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários).

 

O Castelo de Almourol, no Ribatejo, localiza-se na Freguesia de Praia do Ribatejo, Concelho de Vila Nova da Barquinha, Distrito de Santarém, em Portugal.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Almourol   

                                                                                       

 


15
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 14:27link do post | comentar | ver comentários (5)

imagem copiada de http://i.olhares.com/data/big/242/2428214.jpg

 

Foi uma hora a subir e a descer, encontrando 9 Km para vencer.

 

Raios de sol espreitavam por entre nuvens pesadas, escuras, volumosas. Lentamente, construíam-se estes castelos, com sopros de tempestade vindos do mar, como asas de gaivota despidas de penas.

O vento trazia ecos próximos de paz. Uma paz feita de terra e trinados. Uma paz de laços verdes e mãos floridas.

Aninhei-me nos braços do Cristo-Rei e abandonei-me à quietude do momento. Também a paz nascia em mim.

 

Caíram bátegas frias. Sopraram rajadas de vento. Uivaram os motores do trânsito para lá deste pequeno mundo. Mas dentro do Parque da Paz apenas se corria. Em paz...

 

Ter paz é ter  vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.

 

E o pouco que tenho é apenas o pouco que sou. E o que sou dividi-o com um amigo que correu a meu lado.

 


12
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 07:56link do post | comentar | ver comentários (9)

Ainda que seja uma repetição "Obrigada, muito obrigada".

 

Quando há 3 anos atrás troquei os "saltos altos" por um par de sapatilhas estava longe de imaginar o quão gratificante essa troca viria a ser.

Anteriormente, confesso que nunca tinha pensado em correr. Tudo quanto me merecia a corrida eram umas palavras ditadas da boca para fora: "São doidos. Correm para se cansar"! 

Também eu endoideci. E nesta "insanidade" percebi que correr é muito mais que colocar um pé à frente do outro. Corre-se e entra-se num mundo diferente. E é em busca deste mundo mágico, desta suave "loucura" que se vai.

Aprendi que correndo derrubo barreiras físicas e quebro as algemas da alma. Sou livre. Livre de mim, porque estou para além de mim.  E para lá das minhas fronteiras, dos meus limites, vejo o limiar de um outro eu. Atrás ficam os farrapos da dor e despojada do véu do sofrimento atenuam-se as saudades. Como se correndo para a meta, voltasse a correr para ti (Margaret). Para em cada chegada, voltar a partir, buscando-te.

Era contigo que compartilhava este mundo. Em ti encontrava alento para ir mais além, apenas para te "roubar" um sorriso. E sorrias... Que importante era um sorriso teu...com que dificuldade deverias sorrir. Nem todo o meu esforço físico, nem todos os malabarismos afectivos para mostrar uma energia que não tinha e uma esperança que fugia, eram comparáveis à luta que travavas. Tu sim foste uma heroína. Eu nunca passei da fragilidade camuflada de valentia.

 

Deixei de te ver porque uma curva da estrada te ocultou. Mas não páro. Sei que corres comigo. Um dia, correrei tão depressa que te avistarei.  Até lá vou correndo devagar, sabendo que continuamos no mesmo caminho.

 

E foi nesta estrada que te enlaça pela cintura que vi o reflexo do teu rosto e o teu nome repetido uma e outra vez nas águas do Zêzere.

Fomos muitos a correr contigo. Corremos por ti. Corremos para ti. Para veres e sentires a comunhão que existe nos corações de quem corre.

 

Hoje, deves ter sorrido muito...Suspeito até que, por detrás das nuvens, brilhava tanto como o sol uma estrelinha azul.

 

Gostava de nomear todos os que tiveram o teu nome no coração, mas não posso. Faltaria sempre alguém. O importante é que tu deves sabê-los de cor. Dos que correram e dos que não correram. Dos que caminharam e dos que ficaram em casa.

Muitos lábios disseram Margaret.

 

Fomos muitos por ti.

 

E se este ano fomos muitos para o ano seremos ainda mais.(?)

 

Aqui nesta terra de poetas e terra adoptiva do Grande Poeta (Luís de Camões) ganha outro sentido o soneto,

 

Alma minha gentil que te partiste

Tão cedo desta vida descontente

Repousa lá no Céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste

 

........

 

Grande Prémio de Constância - outra prova dentro da prova

 

 

Mais de 600 participantes pelo que ouvi dizer, havendo assim lugar a pelo menos 600 relatos diferentes da mesma prova.

 

Começou pelas 9h 30m com os escalões dos mais pequenos.  Espalha-se a alegria e a excitação nos pequenotes que correm e nos familiares que aplaudem. Começa aqui a verdadeira festa.

Seguiu-se a partida da prova principal (10 Km) pelas 11h 15 minutos e 5 minutos depois a partida da caminhada (6Km).

Não faltarão relatos e narrativas, descrições e apontamentos que transmitam fielmente a 22ª Edição do Grande Prémio de Constância.

Não se pode ser objectivo quando se fala com a voz do coração. A minha boca fala o que meu coração sente. E o meu coraçao ama Constância.

 

Dá gosto ver a pacata Constância ser invadida por quem sentiu o apelo de correr na Vila-Poema. Atracção. Sedução. Um abraço no encontro de dois rios. Será pela poesia que se respira no ar? Pela história de uma terra que atravessa a própria História? Pela paisagem deslumbrante e bucólica? Pelo acolhimento? Pelas flores que enfeitam ruas e arcadas, portas e janelas? Não sei. Sei que Constância se descobre um pouco cada vez que se visita. Descobre-se a Fonte de Neptuno, as plantas e especiarias no Jardim Horto, o desterro do poeta na Casa Memória de Camões, as estrelas próximas e as galáxias distantes no Parque de Astronomia, o chilreio dos pássaros no Parque Ambiental, as casas seiscentistas, as ruelas calcetadas, as águas do Tejo abraçando as do Zêzere....as festas e romarias.....os cheiros e os sabores...Constância vai-se descobrindo, conhecendo e amando.

 

 

A minha prova foi especial. Foi uma experiência singular de viver estes tempos ainda (e para sempre) de luto, rodeada de amigos e pessoas de bom coração. Não estou sozinha. Quase apetece dizer, nesta alvorada de Ressurreição, que encontrei em cada um, um Simão de Cirene para comigo levar a cruz. Foi assim nesta corrida e é assim em todas as corridas da vida.


 

À frente de mim, atrás de mim e comigo ao lado, os amigos com a sua presença diziam no eco dos seus passos "estamos contigo". Não são precisas mais palavras. 

 

 

Fotos de Fernando Andrade

 

Foto de António Melro - Pai da Ana Pereira

Ex-corredor, actual caminheiro e sempre companheiro

 

O relógio marcava 56 minutos após o tiro de partida. Mas este tempo irá permanecer...

 

Caminhando entre o verde

 

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)


http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?p=58442#post58442

 

 

 


07
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 11:50link do post | comentar | ver comentários (8)

 

 

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No dia 24 de Maio de 2007 escrevi o post que transcrevo abaixo. Recolocá-lo é a minha forma de dar a conhecer (um pouco) a corrida pela vida que a minha filha travou e por quem muitos irão correr, agora que a prova dela terminou.

 

A todos os que correrão em Constância com o nome dela no pensamento, quero dizer "obrigada". Talvez, nesse dia, não possa agradecer a todos, por isso aqui ficam os agradecimentos antecipados.

 

O tempo - dizem - é o melhor remédio para quando se perde alguém. O tempo - diz a mãe - é o pior adversário. Logo após a partida fica um adormecimento em nós, um vazio apático, quase um alívio por ver aquela luta terminada. Depois, pouco a pouco volta-se à realidade e à vida. A uma vida que se tem que reaprender a viver, a equacionar de novo, a apreender o significado das palavras "nunca mais". E a ausência traz saudade. E as saudades trazem memórias e recordações que, apesar de doces têm sempre o travo amargo do não retorno. Todos os minutos são vividos com ela no pensamento. Partiu, mas está presente. Uma presença feita de amor, invisivel, mas constante. Em vida semeou amor e recebeu muito amor. Teve um pai maravilhoso, um irmão que a idolatrava e um marido apaixonado.

 

Continuo a vida tal como ela quereria que a vivesse. Cabeça erguida e um sorriso nos lábios.

Ela inverteu os papeis. A primeira partida deveria ter sido a minha. Um pequeno engano do destino, ou uma razão transcendente que, um dia, haveremos de entender. De novo poderemos dar as mãos e sorrir uma para a outra.

 

E é de mãos dadas e de corações unidos que estarei com amigos, com rostos conhecidos e outros desconhecidos, em Constância. É um gesto simples, mas de grande significado, porque de coisas simples se faz a vida. E é de coisas simples que o coração se reconforta.

 
A corrida pela Vida

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Há muito tempo que não corro. Há muito tempo que não escrevo.

Parece que passou uma eternidade, mas passaram apenas duas semanas. Como dizia Natália Correia num seu belíssimo soneto "tudo é eterno num segundo" .

Há apenas uns dias atrás, buscava alento e conforto na corrida e em algumas palavras que tentavam exorcizar fantasmas. Não sei se conseguia, mas tentava. Tinha coragem e força para isso. Participava nas corridas e era feliz nesses momentos. Agora, creio que corria, mas era numa fugida louca da realidade. Numa corrida sem tréguas, contra o desânimo, que eu impunha a mim mesma.

 

Hoje, não posso escrever. A realidade é sofrida em demasia para caber em palavras. O presente tão presente e o futuro tão incerto que não permite ser expresso numas quantas frases soltas.

 

Não sei quando voltarei a correr. Não sei se voltarei a calçar umas sapatilhas e a sair por aí, contra o vento e os pensamentos negros que teimava em deixar atrás da porta fechada.

 

Comecei uma outra corrida e, agora, quero ver portas abertas e barreiras caídas. Porém só vislumbro portas fechadas e barreiras erguidas. Nesta corrida não preciso de sapatilhas e o treino faz-se à medida que os minutos se escoam e as horas dão lugar a outras horas...

 

Perto de mim, há uma pessoa que não desiste, que teima em vencer e em viver: é a minha filha. Faz uma corrida solitária contra um invasor mortífero. Luta desigual, mas luta heróica da sua parte. Gostaria que todos a conhecessem e que o seu exemplo de vida, de coragem, de abnegação, pensando nos outros mesmo quando o seu sofrimento é atroz, fosse lição de vida para muitos. Quantos desperdiçam a própria vida...quantos desejariam poder viver...

Talvez um dia, quando o tempo permitir algum distanciamento tente pôr em palavras a sua história de vida. Ficará sempre aquém do seu testemunho maravilhoso de fé e coragem. Será um pálido reflexo do ser angelical que Deus quis me dar por filha, mas dá-la a conhecer será o mínimo a fazer, tentando infundir coragem a quem se sentir desalentado.

 

Aguardo um milagre e não quero perder o fôlego na sua súplica. Como quando comecei a correr..."se correrres e não conseguires falar é porque estás a ir depressa demais". Mas eu quero uma estrada para o céu para nela correr e ainda que chegue ofegante, bastar-me-á que num derradeiro sopro de vida, consiga alcançar a minha prece.

 

Aqui, neste mundo virtual, a quem existir com fé, peço que se juntem a mim em oração nesta luta pela vida.

 

Por ironia, a última prova em que participei foi precisamente numa corrida contra o cancro...

 

Bem hajam.

 

Ana Paula Pinto

 


05
Abr 09
publicado por alemvirtual, às 19:33link do post | comentar | ver comentários (2)

Afinal ouvi os sinos.

Aqui bem perto...tão perto que podiam ser sininhos dentro de mim...Eram sinos das igrejas próximas. Estamos em Domingo de Ramos e o repicar alegre convida os fiéis a participar na celebração do início da Semana Santa.

Enquanto os meus companheiros do Clube do Sargento da Armada participavam na Corrida dos Sinos e outro na Maratona de Paris, eu corri sozinha, distante, mas próxima.

No ano de 2007 tinha realizado a minha primeira prova de 15 Km, precisamente a Corrida dos Sinos. Nesse dia, completei a prova com um tempo de 1h 17 minutos.  Levava um pequeno ramo de oliveira preso ao peito com um laço simbólico da luta contra o cancro.

Na impossibilidade de voltar a Mafra, optei por correr esse tempo no Parque do Bonito e nos pinhais envolventes.

O prazer da corrida esteve presente. O convívio com quem se entrega à corrida, esse esteve ausente. A intenção de contnuar a correr, essa permanece.

 

A correr posso ser feliz...

 

Não Digas Nada!

 

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Igreja Matriz de Constância ( Igreja de Nª Srª dos Mártires)

 

http://www.youtube.com/watch?v=2uYrmYXsujI&feature=related

 


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