existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
27
Jan 08
publicado por alemvirtual, às 19:25link do post | comentar

img123/664/dscn0014lp0.jpg

O "romance" na chegada a Sintra...pontes entre lados...ou passagens aéreas entre sonhos

img123/6086/dscn0027es1.jpg

Os cerca de 1500 participantes (no total de inscrirtos) à partida

img231/1336/dscn0031nq2.jpg

O Daniel, o António, eu e a Ana (da esquerda para a direita ainda em Sintra

img123/6788/fimdaeuropadm3.jpg

(foto de WWW.AMMAMAGAZINE.COM)  (quase à chegada à meta)

img254/8836/dscn0053et9.jpg

No regresso...o oceano...refulgente

 

E pronto. Já está. Não se “acabou a luz” e eu “acabei a empresa”.

A despeito da má (péssima) preparação física (na realidade mais a falta dela), da negativa condição emocional e psicológica, malgrado o tabaco e as poucas horas de sono (induzido), consegui. “Venci” a serra, que é como quem diz, “conclui os 17 Km (quase) do Grande Prémio “Fim da Europa”. E, ontem à noite, imaginava já estas palavras. Poderiam ser escritas?

 

Não sei se foi, simplesmente, o fim de uma corrida ou o fim das corridas. Hesitei até antes do início. Valeria a pena? Indecisa um dia antes, ora decidindo não ir, ora querendo muito ir. Continuo a não saber se quero, mas gosto e, sobretudo, ela gostava…

E quem me viu ali, correndo, gracejando e sorrindo, imaginou, por breve instante, o tormento interior? E os dilemas? Bem, mas isso é outra conversa, faz parte de outra reflexão… Cada um, correu com o seu mundo “às costas” e eu corri com o meu. Vamos à prova.

 

Subidas íngremes e descidas abruptas. É assim esta prova. Uma prova que é um hino ao esforço e à resistência...à capacidade de recuperar para voltar a subir...Um assalto ao oceano verde...

 

O património construído é soberbo, mas o paisagístico é indescritível…Quem conhece Sintra, a serra e a magia que encerra as encostas escarpadas, mergulhando em direcção ao azul do mar, sabe do que falo. E quem não conhece, sonhe e, quando percorrer aquelas paragens, verá a realidade suplantar o próprio sonho. Paisagem bucólica, perdida no tempo, que desejo eterna como um tesouro, impossível de ser corroído.

 

A Fonte Mourisca de onde partimos era já prenúncio de um percurso destinado a ficar gravado na memória, como as histórias das “Mil e uma noites” se gravaram na infância e me fizeram sonhar, ao longo dos anos. Ainda, hoje, simbolizam o universo mágico e fantástico das histórias contadas ao serão, ou lidas no aconchego da cama quentinha, nas manhãs de Inverno. A minha mãe era uma excelente contadora de histórias. Sobretudo das que nasciam, assim de repente, da imaginação, mas também das dos livros e dos artigos de jornal. Histórias mirabolantes, esotéricas, fantasiosas…de fadas e duendes…de “almas penadas” e de príncipes encantados…de fábulas, de…tantas, tantas…todas, ou quase com uma moralidade facilmente entendível.

 

 O Oriente fascina-me. Mas também o Ocidente e esta ponta mais ocidental onde corri. Recortes extremos do meu país, tão extremos que sentimos delinear-lhe a silhueta como mãos apaixonadas percorrendo o corpo amado.

 

As altas chaminés do Palácio ficaram para trás. Rapidamente avançámos para a serra. E mergulhámos num mundo verde. Era como se a Mãe Terra chamasse por mim. Respondi, intimamente ao seu apelo e misturei-me com a macieza da terra castanha e elevei-me até à copa das árvores. Percorri com a seiva os troncos altaneiros e desci com heras enlaçadas.

 

Chamavam-me a atenção para a estrada que serpenteava e regressei à corrida. Ladeada pela Ana e o António subia cada vez mais alto. À frente, nas curvas caprichosas da encosta surgiam manchas coloridas como pinceladas num fundo verde. Eram os que nos precediam.

 

Parecia que o sol se tinha eclipsado. A sua luz filtrada pelo arvoredo quase não chegava a ser suficiente para fazer do dia, dia. Era lindo…Aqui uma frescura feita quase obscuridade, ali uma clareira de um brilho ofuscante…

 

Lembrei-me de que, algures naquela serra, há muito se confundiu com a própria natureza, as cinzas, lançadas ao vento, da mãe de um amigo. Intimamente, rezei uma Ave-Maria, por ela e pela minha estrelinha que deve brilhar acima das copas frondosas, no firmamento nocturno.

 

Passaram 8 Km. Uma subida surgiu. Seria a última.

- “Depois a descer”… O António ia antecipando os acidentes do relevo…preparando-me. A Ana começou a ficar para trás. Perdi-a de vista, o ziguezague ocultava-a. Avançámos com passo lento.

- Ela apanha-nos na descida. – dizia o António.

Assim foi.

 

O oceano surgiu repentinamente, lá ao fundo. Via a brancura da espuma e o azul metalizado da água.

E começámos a descer. Sem a resistência das subidas, podíamos agora abrandar o esforço e “deixarmo-nos ir” – como dizia o meu parceiro desta luta.

A descida pareceu-me quase gigantesca. Custa-me descer. Mais difícil que subir. Não sinto o esforço da subida, nem a acidez nos músculos retesados, nem a pressão de uma respiração pesada, mas não gosto de descer.

Chega a Ana. Voltamos a estar os três, como em quase todo o percurso. Ela gosta das descidas. Distanciou-se uns metros que eu já não consegui anular.

Ainda tive fôlego para agradecer as palmas e incentivos que ouvia.

-Força, menina! E eu sorria...

 

Eis o Luís, de máquina em punho, captando o sorriso à chegada. Um aceno…

A Meta e um piiiiiiiiiiiiii ao pisar o tapete. 1 h 38m e 28 s. Desliguei o cronómetro.

 

Uma tenda e as mesas onde deveria ter sido servido quase um banquete. Apenas queria água e saí com dois bolinhos no guardanapo. Iria oferecê-los ao Luís. Mas não consegui dar-lhe esse “miminho”. Comecei a caminhar em sentido inverso. Perdi-o de vista e perdi o grupo. Eles, inteligentemente, esperaram perto da tenda. Andei quase 2 Km. Quando me convenci de que não deveriam estar tão longe, voltei para trás. De novo até à Meta… Encontros e desencontros…da vida e da corrida…

Rostos que começam a ficar amigos…

 

Prova que faz jus ao fantasma da dureza…mas que vale cada instante de esforço…

 

 

Se houver outras, talvez um espírito diferente…o espírito de quem resiste…a coragem de ser diferente…e o sonho da liberdade…reviver Zeca Afonso…em Grândola.


Oi Ana Paula,

Que grande façanha, hein? Fazer essa prova dura e conseguir em determinada altura ultrapassar a Ana Pereira. Muito bem! Eu ainda não consegui atingir esse patamar.

Espero vê-la nos 20 de Cascais. Penso lá ir!

E força Ana Paula, olhe que a estrelinha lá esta em cima a olhar por si. E a torcer por vocês!
Beijo,
Lénia
Lénia a 29 de Janeiro de 2008 às 13:01

Olá Lénia

Obrigada pelas palavras.
Espero não ter explicado mal. Eu só consegui estar um pouco mais à frente numa subida. De restó, íamos sedmpre os três: eu, a Ana e o António. Eles são os experientes. E terminei atrás, claro! O que queria dizer é que descer não é o meu forte. Nem subir, mas, ainda assim, gosto mais de subir :)

Beijinhos

(gostaria de ir a Cascais; deve ser uma prova linda e eu adoro ver o mar, mas não vou. Nem sequer me inscrevi. Mas que gostava de ir, ai isso gostava)

Boa prova

Esqueci-me de escrever (talvez pela pressa), mas não de dizer e por isso voltei atrás: os meus amigos e companheiros é que me estimularam e motivaram. Antes e durante a prova.
Eles sabem (acho eu) como les agradeço "puxarem-me" para cima

:))
alemvirtual a 29 de Janeiro de 2008 às 14:02

Ainda bem que foi e muitos parabéns pela prova.
Lindas palavras as do relato da prova como sempre.
O homem que corre.
afgalmeida@clix.pt a 29 de Janeiro de 2008 às 13:14

Olá Paula! E desculpa lá ter "arrancado" para a frente. Ia lançada e coisa e tal, e devo ter-te ganho uns 20 segundos! eheheheh, ora isso em 1hora e 30 e muito, estás a ver a importância não estás??

Mas sabes, quem me conhece já sabe: não gosto de perder nem a feijões, e só não passo quem não puder. Só é pena neste actual fase, serem tão poucos/as as que consigo passar... humm, enfim...

Bom, fora de brincadeiras, adorei a prova, também e principalmente por tu lá teres estado! Por ter estado contigo, embora, como tu dizes e muito bem: cada qual com o seu mundo às costas... mas parece que juntos, o mundos (de cada qual) ficam um nadinha mais leves, nem que sejam por breves instantes.

Paula, quero ver-te em Cascais!

Até já
Ana Pereira a 29 de Janeiro de 2008 às 18:08

Ah! falta dizer que só "arranquei" para a frente depois da Paula e do António me terem dado um valente avanço numa das (MUITAS) subidas, em que até tive de caminhar! É o que acontece aos gordos mal preparados (Ana Pereira)

Depois, (acho que tomei uma pastilha azul que um gnomo verde da floresta me ofereceu) e lá recuperei força para recomeçar a correr, primeiro devagarinho, depois quando apanhei a descida, comecei a alargar o passo, e quando os vi lá à frente então, até serviu de estímulo. Esforcei-me para os apanhar e depois... olha, mantive o esforço, pois quem me conhece também sabe que gosto de fazer o meu melhor (ou o meu MENOS MAU)

O que importa aqui salientar é que foi uma prova muito gira, principalmente pela companhia: Paula, António e António Pinho que também deixei para trás na mesma altura.

Mas que me deu muito gozo dizer-lhe ao aproximar-me deles por trás:

- Mas vocês pensavem mesmo que eu ia ficar para trás?

Ai isso deu!

Ana
Ana Pereira a 29 de Janeiro de 2008 às 18:22

parabéns Paula.
Excelente. Parece que a prova é dura e lá deste conta dela.
Vá lá, aparece em Cascais.
Eu tb vou tentar inscrever-me para fazer em ritmo de treino.
Bj grande e frça nas corriditas.
Bj
AB
antonio bento a 29 de Janeiro de 2008 às 23:10

mais sobre mim
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
16
18
19

20
21
22
24
25
26

28
29


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO