existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
17
Fev 08
publicado por alemvirtual, às 22:05link do post | comentar

O ano passado não tinha corrido na Costa de Caparica. Tinha lá estado. Sem sair das imediações do Núcleo Sportinguista, frente ao local assinalado com Partida e Chegada, eu estive lá. Tinha visto os atletas partirem e chegarem (http://alemvirtual.blogs.sapo.pt/2007/02/)

Este ano, ou seja, Domingo, dia 17 de Fevereiro, a minha perspectiva mudou.

 

Quando chegámos, o vento forte e o ar quase gélido, convidavam mais a permanecer dentro do carro do que a enfrentar os elementos e a preparar a corrida. Dia muito cinzento com uma faixa ainda mais cinzenta, carregada, sobre o oceano. Prenúncio de chuva que, afinal, só chegou no final da corrida.

 

Ou porque se gosta mesmo de correr ou por qualquer outro motivo quem se inscreve nas corridas e se aventura até ao local de realização, não desiste. Que move esta gente? Seremos, assim, tão determinados nas situações mais adversas da vida? Fica a interrogação.

Certo, certo é que nunca vi um atleta deixar de participar nesta ou naquela prova pelas condições atmosféricas (bem, a não ser em casos extremos, mas não falamos desses). E no dia-a-dia, quantas vezes nos lamentamos ..."ai tanto frio...detesto a chuva....que vento horrível....tanto calor....minha rica casinha...".

Nos momentos que antecedem uma corrida, essas palavras nunca as ouvi.

 

Éramos muitos. Não sei ao certo, mas uma multidão enchia as ruas e artérias.

 

Pouco tempo de aquecimento que o tempo já se tinha gasto no cafezinho e nos cumprimentos aos colegas do clube. Mais um dedo de conversa. Chip colocado (só para confirmar a chegada, pois não me apercebi de qualquer outra utilidade), dorsal afixado e pronto. Nos últimos lugares, mesmo na cauda do pelotão, eu e os meus amigos aguardávamos.

 

Grande Prémio do Atlântico, pela primeira vez para mim. Efectivamente, pela primeira vez.

Costumo "fazer flores" - como diz a minha amiga Maria. Até às coisas mais insípidas costumo tecer elogios prévios. Nem sempre a experimentação confirma o irreal que se sonhou. Às vezes até reforça. Outras, é uma decepção. O véu tecido do mais puro tule revela-se uma estopa grosseira. E os sonhos caem por terra, como as arribas frágeis e as dunas arenosas.

O nome é sugestivo. Muito, muito apelativo. Sou apaixonada pelo mar, pela imensidão, pela variação colorida das águas, pelos reflexos do sol e pelo negrume das nuvens. Há mundos por descobrir no mar. E há um mundo de sonhos em torno do mar.

 

Imaginei-me a correr lado a lado com o Atlântico. Ouvia o seu bramido. Aqui tão perto. Aqui tão longe. Casas e mais casas ocultavam-no dos meus olhos. Ofereceram-me ruas com casas, a maior parte delas descaracterizadas. Podiam ser da Costa ou de outra pequena cidade qualquer. Apenas o vento húmido, soprando do mar, me fazia sentir perto da costa. E afinal eu corria na Costa...

Com uma riqueza paisagística desta dimensão, não sei porque é que o traçado do percurso é este. Correr entre casas. As casas em ruas mais ou menos iguais. Umas empedradas, outras alcatroadas e uma pequena parte arenosa, devido à zona de obras que atravessámos.

Lá se foi o meu sonho romântico do Grande Prémio do Atlântico.

 

Valeu-me a presença e o estímulo dos meus amigos. O António sempre um sargento (que não é) e cavalheiro.

Prepara-se para a Maratona de Paris. Assim, encarou esta prova como mais uma oportunidade de treino, tendo corrido comigo. Tinha feito uma hora de corrida antes e fez quase uma hora depois. Eu, ofegante, entre o 4º e o 8º Km, ainda lhe dizia: "Corre António. Deixa-me". Mas ele, como sempre, nunca nos deixa.

 Como "bilhete postal" guardo a lembrança de uma avenida (deve ser a principal), comprida, larga, bem cuidada, onde nos cruzávamos uns com os outros. Quem subia, aplaudia quem já descia. A Meta aguardava por nós 2 Km à frente.

 

Gastei 54 minutos na prova. Fui a Feminina número 60. Acho engraçado tantos números! É uma faceta da minha vida (ou da minha maneira de viver) que me faz ser mais um número que um nome. Tinha o dorsal nº 154. Sou do escalão qualquer coisa até 44. E muitos mais números, depende do que queira dizer.  

 

Como não fotografei nada (o que é pena), aqui ficam algumas fotos que pesquisei e que ilustram a beleza destas paragens...

 

foto de http://www.lifecooler.com/lifecooler/imagens/bd/97495.jpg

foto dehttp://www.ideotario.com/blog2007_medos02.jpg

foto de http://www.ideotario.com/blog500_acacias01.jpg


Ola

Vejo que a prova correr bem, ainda bem! Nunca fiz essa prova, talvez pró ano.. Beijos
Carlos lopes a 17 de Fevereiro de 2008 às 22:37

Boa Paula! Foi uma boa marca, apesar disso ter o significado insignificante que tem...

Pena a prova ser assim, como descreves... Onde está o mar?

Escrevi-te hoje, por mail, ainda não sabia que tinhas ido a esta prova. Mais força (razão) me dás!

Gostava muito que fosses...

Um Beijinho
Ana

Maria Sem Frio Nem Casa a 18 de Fevereiro de 2008 às 00:09

mais sobre mim
Fevereiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
13
14
15
16

18
20
22
23

24
26
27
28
29


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO