existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
19
Fev 08
publicado por alemvirtual, às 21:19link do post | comentar

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Minha Casinha (versão original) - 1943

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saude e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

Autores: Silva Tavares e António Melo

 

A nossa casa é o nosso lar. Mais que quatro paredes onde encontramos refúgio contra as intempéries é o porto de abrigo onde encontramos segurança afectiva, onde readquirimos ou mantemos a estabilidade emociona e onde repousamos da vida atribulada do "fora de casa". É o nosso espaço de partilha. O nosso ponto de encontro. O tanque das nossas mágoas. A fonte que mitiga a nossa sede. A nossa casa é a nossa família. Onde quer que se esteja. Para onde quer que se vá. A nossa casa está onde estivermos unidos. Por isso lhe chamamos lar. É ao aconchego do lar que ansiamos retornar. É no bulício do lar que descansamos da labuta. É na alegria do lar que afogamos as tristezas.

O nosso lar não sãos as paredes caidas de branco ou pintadas de qualquer cor. São os alicerces do que somos.

A minha casa é o coração com que cresci.

A minha casa é a alma que passeio nas vielas mais sombrias.

A minha casa é o sorriso com que brinco no jardim do meu bairro.

A minha casa é o poço das minhas recordações.

Aqui, ao alcance da chave que não força a fechadura.

 A minha casa sou eu e o meu mundo. Sou eu e quem me espera. Sou eu e quem existe. Sou eu e quem não está lá. Sou eu e essa presença que distingue a "minha casa" de outra casa qualquer.

Eu quero voltar a casa.

 

E nem sequer tenho casa. Mas tenho outras casas. E o sonho que respira nas casas onde habito.


A minha casa é sómente a minha alma perdida a dançar tonta de alegria ou de tristeza, e o aconchego breve de um beijo doce da minha filha, que me faz ainda ficar... nesta casa.

Maria Sem Frio Nem Casa



Maria Sem Frio Nem Casa a 19 de Fevereiro de 2008 às 22:58

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