existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 08
publicado por alemvirtual, às 18:05link do post | comentar

 

Sou (bem não sou, porque o ser não se resume à soma de uns quantos “sou”) aquilo que se pode chamar uma devoradora de livros. Não, não. Não os como, apenas os leio…

Tenho algumas “excentricidades” ou “manias”, como se queira chama. Leio em paralelo 3 ou 4 livros. Pelo menos mais que 1 tem que ser. Assim, esta semana, li “Ensaios de Amor” de Alain de Botton, “Profecia Celestina” de James Redfield, “A última Paragem” de Jay Parini (este é aquele que faço “render”…já é companhia de outros há, pelo menos um mês! Record de permanência.) e ainda vários pequeninos livros, do Correio da Manhã: “os Santos da nossa vida”. Ontem, à tarde, apenas com “A última paragem” por terminar, deitei mão de um livro, esquecido numa prateleira: “O homem da ultra-maratona”, de Dean Karnazes. Não tinha grandes expectativas. Era apenas uma leitura para ocupar o vazio deixado pelas obras terminadas. Isto de ter o vício de ler é coisa de ricos e eu não sou rica! Tenho, no entanto um sistema que funciona com sucesso. O que eu compro, leio e empresto. O mesmo sucede com a minha irmã e com as minhas amigas e colegas de trabalho, mais chegadas. Damos bastante “uso” às Bibliotecas Municipais ou Escolares e, juntando tudo isto, àqueles que me oferecem (aqui sou mesmo uma mulher de sorte; há quem me ofereça bastantes livros) nunca me faltam livros para ler (ou quase nunca).

Ora bem, agarrei no tal livrito e sentei-me para o ler. Convencida que o tédio chegaria no final da primeira ou segunda página, comecei sem grande entusiasmo a abri-lo. Foi o género de maratonas que pratico: ler quase ininterruptamente, até terminar. Apenas com duas pequenas pausas, a leitura durou até cerca das 23 horas. Nos primeiros parágrafos, já estava presa às folhas amareladas. Foi um prazer que gostaria de prolongar, mas num “ápice” o livro chegou ao fim.

Nunca esperei ver-me “retratada” (passem as diferenças abismais em termos de distâncias percorridas, de preparação e resistência) nas palavras e sentimentos de um corredor americano. Mas lá estava eu. O sentido de humor, os sentimentos, as emoções, os motivos…

A mim, não me falta a Pary, mas a Margaret.

As nossas vidas nunca voltarão a ser iguais ao que eram, antes das suas partidas…

Mas corremos e sentimo-las sorrirem orgulhosas…Independentemente da distância percorrida.

 

 

Não sou tão afortunada nos apoios e incentivos familiares como Dean. Na realidade até sou, mas esta tendência para valorizar o negativo parece querer sobrepor-se… Muitas vezes, quando queremos destacar algo, generaliza-se a toda o contexto de vida afectiva o que uma única pessoa faz ou diz, porque nos magoa demasiado. Acho que se passa isto com muita gente, mas se não passa, não importa. Passa-se comigo.

Assim, depois de uma noite e uma manhã indecisa, equipei-me e fui participar na Corrida dos Cariocas – Cruz de Pau – Seixal.

Tive o apoio inestimável do meu Clube, como sempre. Mais uma vez, tive amigos que correram comigo, lado a lado. Não lhes importa o meu ritmo “acaracolado”. Só a ler sou a versão feminina do Speedy Gonzalez. Na corrida sou mais o género “tartaruga”. São maratonistas a “sério”. Até ultra-maratonistas, mas, aos Domingos, nas provas em que participo, são apenas dois bons amigos. Aos olhos de quem vê, devem ser dois homens com o ritmo de uma velha senhora. Não os incomoda. Também por isso os admiro e gosto deles.

Gastei 34 ´ a completar 6,3 Km.

Recebi duas t-shirts (uma da edição de há 3 anos, tamanho XL e outra tamanho 12-14) e um boné. Não são os prémios materiais que contam. Mas achei engraçado, este ano darem-me uma t-shirt que me serve!!! A de tamanho grande vai ser para o meu filho.

Uma torneira com um copo ao lado matou a minha sede. É irrelevante não haver água engarrafada ou outros “pequenos luxos”. Sinto-me bem na simplicidade.

 

No próximo fim-de-semana, esperam-me no Corre Praia. Vamos ver se consigo ter força de vontade para ir e se consigo correr 14 Km.

Sei de uma estrelinha azul que, no bico de uma gaivota, me acompanhará pelo areal.

É com ela e por ela que eu corro.

 

Talvez seja na corrida que queira encontrar um sentido para a vida, apesar de fumar! Sim, de fumar. Sem orgulho, antes pelo contrário. Ainda assim, vou continuar a correr. Sozinha…

Prefiro até ser solitária….

 

“Felizmente, foi um dos teus filhos, não foi nenhum dos meus”. (referindo-se à morte da Margaret)

 

É uma frase que não se apagará jamais dos meus ouvidos nem do meu coração. Ficou sem resposta. Que se poderia responder?

 

Como dizia a Margaret “mãe, tu és muito à frente”. E estes 7 meses mostram, o quão atrás, algumas pessoas vivem….


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