existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 08
publicado por alemvirtual, às 17:37link do post | comentar

 

À vinda para casa, depois de terminado o meu horário escolar, presenciei uma situação na rua que me levou a intervir e a ficar à beira de um "ataque cardíaco". Não costumo incomodar ninguém com telefonemas do género "desabafo urgente" (até porque a pessoa em questão não é muito receptiva a desabafos), mas hoje fi-lo. Ou isso ou tomava um calmante urgentemente, pois sentia-me à beira de uma descompensação. Optei por falar, falar...o único prejuízo foi o saldo do telemóvel.

 

 

Não sei se é pela profissão, pela formação pessoal, pela experiência de vida, ou por outro motivo qualquer, mas o que sei é que sou sensível a todos aqueles que considero pertencerem a um "grupo" mais frágil. Sinto a sua defesa meu dever moral e de cidadã. Afinal, são os mais fracos que precisam de protecção, não é?

 

Considero-me pacífica e muito calma, mas há situações que me alteram para além do que gostaria.

 

Vejo uma carrinha (um mini-autocarro) de transporte escolar parar alguns metros à minha frente e apitar (uma buzinadela sempre serviu para alertar que a criança chegou); é funcional e não custa nada, ou custa....???

Neste caso, o toque da buzina custa e muito. Não para o motorista, mas para uma pessoa que a ouve (ou pelo menos ouviu nesta vez) e não gostou nada do assunto.

Não gostar é pouco! Uma expressão muito suave para a reacção violenta a que assisti. Ficou indignadíssimo este "senhor". Podia lá ser, o motorista apitar à porta dele ( a moradia onde reside o tal "miúdo" parece ficar em frente)! Que nunca mais o fizesse! Vociferava palavrões, ofensas e ameças. Incluindo ameças de morte.

"Eu mato-o! Ouviu bem? Nunca mais apite aqui. Faço-lhe a folha!" (seja lá o que a folha signifique)

E em atitude violenta e de provocação abre a porta da carrinha (lugar do condutor) e tenta puxar o motorista. Este reage. Pareceu-me pacificamente, até que também se começou a exaltar. Arranca, não arrranca...A carrinha aos solavancos ia tentando arrancar e ia travando. Porta aberta. Motorista meio fora do veículo. Gritos e mais gritos. Braços levantados. Punhos cerrados.

Não aguentei. Já tinha passado pela carrinha e afastado alguns metros quando percebi que a situação tinha tendência a agravar. Inicialmente tinha lançado apenas um olhar reprovador quando passei lado a lado. Depois, percebi que não podia ficar apenas por isso.

Elevei a voz acima dos impropérios. Toquei no ombro do "senhor" ofendido com o toque da buzina.

- Isto - apontei na direcção das janelas onde se viam rostos aterrados - é um TRANSPORTE DE CRIANÇAS!

 

Consegui que a carrinha arrancasse. O "senhor" ainda tentava impedir o seu afastamento. Ficou na estrada a vociferar palavrões contra o motorista e eu tive que os ouvir...Afastei-me enervada e, sobretudo, indignada. Revoltada. Muitas outras palavras que devem existir terminadas em "ada" ou noutra terminação qualquer que exprimam o meu estado de espírito.

 

 

O motivo que originou aquela situação foi fácil compreender. O que o "importunou" não foi o toque que dura escassos segundos ou menos. O que ele não admite é que uma carrinha de transporte de crianças e adultos de uma instituição de ensino especial toque em frente à casa dele!

"O que pensarão os outros que não conhecem?"

"Ora agora, ser conotado com aquela gente"....

"Eu cá, sou uma pessoa NORMAL!"

 

 

Deve ser mais ou menos isto que o "senhor" pensa.

 

Não sei se amanhã, o motorista terá coragem para apitar.

 

Aquelas crianças e jovens como estão a reagir à cena de violência presenciada?


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