existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
25
Mai 08
publicado por alemvirtual, às 21:51link do post | comentar

Brasão

 

Hoje, pela manhã, deste dia 25 de Maio, organizada pela Sociedade Recreativa e Cultural do Povo do Bairro Alentejano, realizou-se a XI Grande Estafeta de Palmela e VII Mini Estafeta. Segundo se diz, é uma das mais emblemáticas provas do calendário nacional de atletismo de estrada. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Palmela, Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, INATEL, Comércio e Indústria Local, para além de um sem número de voluntários, simpatizantes e amigos da SRCP Bairro Alentejano. Uma imensa massa humana de colaboração e boa-vontade para com a SRCP e as suas iniciativas, destacando-se, em particular, a de hoje.

Sorrisos, afectividade, excelente organização e uma comida, digna de se referir como manjar dos deuses, foi o que encontrei neste local, que não conhecia, de sugestivo nome divinizado "Quinta do Anjo" e inscrito numa das boas regiões demarcadas do nosso vinho: Palmela. Néctar de deuses, mas que nós, humanos (eu em especial) muito apreciamos e que aqui, jorrou em abundância, regando o almoço, concorrendo com a água enviada do céu. Uma chuva copiosa e súbita que desceu impiedosa de grossas nuvens, ensopando os corpos e as fatias de pão, ainda mais que o delicioso molho que acompanhava os bifinhos. 

 

Tinha uma ideia do que era uma estafeta: prova corrida em equipas, segmentada em percursos, onde cada elemento, após a recepção do "testemunho" tenta dar o seu melhor, correndo em velocidade o bocado que lhe coube. Bem, isto era o que eu pensava e, de facto, corresponde à realidade, mas como em tantas outras coisas da vida, vivenciar é bem diferente de conhecer. 

 

Depois de colocados os dorsais e decidido quem realizava que percurso, um autocarro transporta os atletas a fim de ocuparem as diferentes posições.

Os que ficam no Bairro Alentejano são os que irão iniciar a prova, com o 1º percurso.

 

Fui com outros elementos para a AutoEuropa, onde se iniciaria o 4º e último "lance" da prova.

Agitação, euforia, expectativa e alguma ansiedade eram os sentimentos que se viviam aqui. Espreitávamos, alongávamos a vista para identificar a quem pertencia a silhueta que surgia...elementos da organização iam avisando os atletas: "Preparam-se dorsais 4, 19. 7 ..."

Em cima da linha da "transmissão" esperava-se, saltitando, incutindo ao corpo e ao espírito um ritmo que se desejava manter ou superar nos quilómetros seguintes.

Um, a um todos iam partindo...enquanto outros chegavam. Chamas reanimadas no fogo que se extinguia, era mais ou menos isso que sentia. Só esperava que a minha chama ardesse na proporção do fogo interior. Mas que durasse todo o caminho e não se  consumisse em breves instantes, como estrela cadente rasgando o céu.

Sentia-me responsável pelo resultado da equipa. Tinham-me dito "vão em 3º; basta manter". Estas palavras ecoavam na minha mente e corri o mais que pude. De quando em quando olhava para trás, a fim de verificar a distância em relação ao 4º elemento feminino, ou seja, à pessoa que representava a equipa que ia em 4º lugar. Como fazer isto com poucos treinos, sem grande aptidão física e, sem experiência? Não conhecia o percurso. Não havia marcas de quilómetros, não tinha nada que registasse o caminho. Só o meu cronómetro assinalava o tempo passado.

Acho que corri com fúria, com convicção, ou talvez tenha sido só o receio da equipa perder o 3º lugar que as minhas colegas tinham "preparado". Corri e deixei de olhar para trás. A distância ia aumentando. A segurança começou a instalar-se. A respiração começou a ser dolorosa e o corpo a não corresponder ao desejo de voar.

Quando me convenci que o 3º lugar para a minha equipa estava garantido, permiti-me abrandar um pouco. Graças a Deus a linha de chegada aproximava-se cada vez mais...

Quando, por fim, entreguei o testemunho, até tive pena de abrir mão dele.

Esqueci-me de parar o cronómetro. Aceitei a garrafa de água que me ofereciam e comecei a tirar o dorsal que era preciso entregar. Tinha seis alfinetes e necessitei da ajuda do meu amigo e "chefe" do Clube para me ver livre de tudo aquilo.

Fiz as contas e acho que a minha média andou pelos 4' 44''. Muito bom. Tão bom que até me custa a crer. No entanto, é real. Até devo ter descido um pouco, mas tomei como tempo gasto 28´.

 

Neste Bairro Alentejano, clube do povo, o povo fez uma festa linda. Como são as festividades, romarias e tradições que só o povo consegue. Encontros de almas simples e corações bondosos, onde sobressai o brio com que se cuida das coisas da terra.

 

Parabéns à SRCP Bairro Alentejano.

 

 

 

http://www.jf-quintadoanjo.pt/Home/Informação/Fotos/Fotos/tabid/674/Default.aspx

 


Olá Ana Paula

muito bem, continuação de boas corridas.
Com admiração,
O homem que corre
António Almeida a 26 de Maio de 2008 às 17:49

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