existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Ago 08
publicado por alemvirtual, às 21:34link do post | comentar

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."

Florbela Espanca
Livro de Soror Saudade (1923)


imagem retirada de: farm2.static.flickr.com/1042/1343102785_e9b7f...

O sol ainda ia alto, mas obriguei-me a sair de casa. Levantar-me da cama onde tinha estado toda a tarde deitada a ler.

Uma luz imensa inundava o Parque da Paz, tornando o verde ainda mais verde e o céu ainda mais azul. Tudo intenso como intensas eram as minhas recordações. Hoje, parece uma dia igual a tantos outros, mas não. Para mim, é um dia diferente. Terrível apesar da sua beleza. E quanto mais me deslumbrava com os raios de sol e o voo de flocos brancos no horizonte. mais tormentosa se tornava esta vivência. Corri com raiva, com revolta, com uma amargura imensa. Mas corri e mantive um ritmo, aos olhos de quem via, controlado. Afinal, o turbilhão interior não importa divulgar.

E assim, fui apenas mais uma pessoa a pisar a relva verde, a subir e a descer pelos trilhos no pinhal.  

 

Entre o dia que partiste e o dia em que irei ao teu encontro, existe uma ponte que me obrigo a percorrer. Um dia estaremos na mesma margem. É essa certeza que me conforta. E nessa doce esperança, os dias escoam-se. Nuns nada faço. Noutros faço tudo quanto desejavas que fizesse "sempre com um sorriso no rosto" como me pediste. É difícil mas cá estou. Uns dias sorrindo, outros chorando. Como hoje, mas ainda assim não deixei de correr.

 

Ontem fiz 40 minutos e hoje 45 minutos. Ontem corri de manhã. Hoje, à luz da tarde. Amanhã não sei. Talvez uma corrida à beira-mar.

Vamos sentir a brisa do mar e chapinhar na água?

imagem retirada de: clientes.netvisao.pt/.../blog01_caparica_01.jpg

A praia onde costumo correr.


Olá outra vez,
Retribuo o agradecimento ao comentário no blogue.
Depois de ler este seu post confesso que me correram as lágrimas. Quero dizer-lhe que acredito naquilo que escreveu quanto ao facto de ter corrido com raiva e com revolta. Certamente já questionou muitas vezes a existência de Deus e porque lhe terá concedido este fardo. A tempestade interior é compreensível e mais cedo ou mais tarde em maior ou menor grau todos temos a nossa. Contudo, creio que o caminho passa por ultrapassar essa raiva e revolta, pois elas não ficam com mais ninguém só consigo mesmo, o que mais cedo ou mais tarde trará mais doença e mais desconforto. Estou certo que fez tudo o que pode para conseguir ajudar a sua filha, e também estou certo que ela onde quer que esteja deverá querer que a mãe siga a sua corrida com uma perspectiva mais positiva. Creio que a superação passa primeiro por aceitar, e perceber que pode existir algo de positivo no mais trágico dos acontecimentos. Dir-me-á, isso é muito fácil de falar, mas quem sente… Pois é, estou a dizer-lhe isto porque já tive um irmão que faleceu com 2 anos (eu tinha 11) e hoje consigo ver aspectos positivos, apesar da dor imensa na altura. A vida continua e devemos cuidar dos que ainda têm muitas coisas para fazer nesta corrida. Sugiro que a Paula cuide e dê muito amor à pessoa que mais ama no mundo – você mesma.
Beijos e boas corridas
Paulo
ppmiguel a 11 de Agosto de 2008 às 01:24

Obrigado pelas suas palavras. É sempre bom saber que alguém entende o que sentimos. Bem haja
JP a 14 de Agosto de 2008 às 19:08

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