existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Out 08
publicado por alemvirtual, às 16:38link do post | comentar

A meio da manhã, chegámos à Praia da Mata (Costa de Caparica). Pensávamos que a maré estava vazia, favorável a uma corridinha na areia. Engano, mas nem por isso deixei de correr...

 

O pardacento do céu confundia-se com a quase ausência de cor do mar revolto; aqui e ali, manchas escuras reflectindo enormes castelos de nuvens cinzentas; as vagas quebravam-se numa rebentação violenta muito antes de alcançarem a areia. Um verdadeiro paraíso para os amantes do surf. Mais numerosos que as fugidias gaivotas ao pressentirem tempestade no mar,  corpos negros e esguios desafiavam a crista das ondas em poses de equilíbrio gracioso, antes de serem vencidos e desaparecerem engolidos em espuma branca.

 

O areal é macio e virgem de pegadas. Continuamente lavada em golpes de água salgada, esta areia estende-se a perder de vista num horizonte difuso, talvez bem perto da Fonte da Telha.

Toda a praia, a vastidão desta praia é um apelo imperioso aos sentidos...irresistível...sensual.

 Dunas sinuosas, como se mãos habilidosas as tivessem recortado, enfrentam a fúria da água, nas tempestades de Inverno. Mas no princípio do Outono permanecem a salvo das investidas do mar. Uma luta repetida cada ano: o poder do mar e a resistência das dunas. No meio, a esperança de que a areia sustenha o avanço do reino de Neptuno.

 

Avançando, também fui eu dando graças a Deus pela beleza que nos circunda.

Ao longo da linha de água, corri como as crianças fugindo das ondas. Em ziguezague, subia e descia ao ritmo do seu vaivém. Pouco corri em areia molhada e mesmo essa estava tão empapada que os pés se afundavam uns bons centímetros. Concentrei-me no som engraçado que a água fazia ao se infiltrar em bruraquinhos na areia. Semelhante ao engolir de uma garganta sedenta. De vez em quando, esmagava uma concha vazia.

A sensação da mais pura liberdade invadiu-me. E invadiu-me uma torrente de recordações. De quando a minha Margaret podia ver e sentir esta praia...

 

Fiz o retorno naquele que eu chamo o "último café da praia". Para além dele, é o isolamento completo. Mar e céu.

Quando pensava inverter o sentido da corrida, o ribombar de um trovão fez estremecer a areia. É um medo antigo e sempre novo. Tenho pavor de trovoadas. Embora tenha demorado menos tempo no regresso, a extensão corrida pareceu-me infindável. Por fim, lá avistei o Luís.

O desejo de voar da praia para longe era imenso, mas ainda tive coragem (como resitir?) a uma entrada no mar. Há que exorcizar os nossos medos e os fantasmas de infância. Depois, coberta de areia, voltei costas ao mar. Haverá outros dias e outras manhãs de Outono...o apelo do mar não se pode ignorar.

 

A imagem não é da Costa de Caparica, mas acho-a linda.

Tirei-a de: www.pescadesportiva-pt.net/.../mar%20mar.jpg

 

 

 

 

 


olá! Lindo texto. já o li ontem mas vim agora comentar! No texto falou na sua filha.... ela acompanha-a sempre para onde quer que vá e está contente por os ver bem! Eu também acredito que os meus avós, sorriem para mim e preciso de pensar isso, de vez em quase. Eu adorava-os! beijos e muita força! uma boa semana para si!
nuno a 14 de Outubro de 2008 às 22:09

Que bom ler os seus textos, Ana Paula !
Já o disse antes, mas repito cada vez com mais ênfase, que são mágicas as suas palavras com que tão bem descreve o que a envolve e o que sente.
Abençoados momentos de leitura.
Beijinho.
Fenando Andrade
Fernando Andrade a 15 de Outubro de 2008 às 14:05

boa noite gostaria de ter um blog no sapo
rosita a 27 de Outubro de 2008 às 19:53

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