existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
21
Mar 09
publicado por alemvirtual, às 17:19link do post | comentar

Vi a imagem da minha face reflectida no espelho. Olhei, olhei atentamente e mergulhei no olhar que o espelho devolvia. Sou eu. Ainda eu.

Vi o que fui e o que sou. Mas esta que agora sou, como parece distante da imagem de outros tempos...

A cara de gaiata perde-se um pouco cada dia. Envelhece, ainda, com uns laivos sonhadores nos olhos distantes da juventude.

Corpo de criança franzina, como se esperasse o tempo de crescer.

Ficou esta face e olho para ela, grata por cada ruga instalada, por cada sinal dos anos que vão correndo.

Esta é uma outra face. Um rosto que muda dia-a-dia e oculta a face da alma que permanece imutável, intacta, à espera da libertação.

 

Sonha-se ainda com uma varinha de condão como se fada pudesse ser . Com sopros milagrosos, como anjo descido à terra. Com o poder mágico das feiticeiras ancestrais, ou com a transmutação alquimista. Sonha-se ser um ser que não se é. Estendendo as asas protectoras e albergando o mundo em seu regaço.

 

Acredita-se. Há momentos em que se é anjo. E fada. E feiticeira. Amiga. Mãe.

Vaclia-se. Há momentos em que se é anjo de asas caídas. E aparece a outra face. Esta face que assoma ao espelho.

 

Passou tempo, muito tempo, o meu tempo...

 

 

Ontem como hoje, o soneto predilecto que fala daquilo que esta e a outra face acreditam...

 

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
(Natália Correia)

 

 

Amanhã, milhares de pés de homens, mulheres e crianças correrão sobre o Tejo. Amanhã, a Ponte, enorme, imponente, oscilará sobre a cadência do ritmo dos corpos e do coração.

Já estive entre esses milhares...Amanhã não vou estar.

 


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