existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 09
publicado por alemvirtual, às 19:43link do post | comentar

 

 

foto retirada de:http://farm1.static.flickr.com/73/184151235_26a262245e.jpg?v=0

                                                                                                                                                                                       

Não precisamos de muito tempo para mergulhar nas recordações de infância. Deixar o aqui e agora de um tempo diferente, ancorado à beira-rio e embarcar num frágil varino rumo a um tempo sem tempo. Do tempo de ser criança, das histórias e afagos. Do tempo da crença ingénua, dos sorrisos largos, de pentear as bonecas. Das apostas com amigos, em que trepar ao ramo mais baixo de uma árvore a troco de coisa nenhuma, tinha gosto mais doce que o doce a escorrer do pão.  

                                                                      

- Ó mãe, conta-me aquela da princesa do castelo... 

E ela contava. Antes de adormecer uma e outra vez...

                                                                                                              

- Contava a minha mãe que a bisavó da minha avó dizia que há uma princesa moura encantada no castelo. Ainda lá anda, porque quem lhe havia de quebrar o encanto, teve medo e fugiu.           

 

Houve um pescador que alta noite se sentou num rochedo do castelo a pescar. Era noite de lua cheia e via-se o rio como se fosse de dia. Estava tudo muito calmo e sereno. De repente ouviu como se fosse um restolhar lá em cima. O barulho de alguma coisa a afastar os arbustos vinha do castelo e descia, descia...os cabelos da cabeça puseram-se em pé e ele ficou paralisado de medo.      

                                                                                                                                  

Ouviu uma voz muito suave como se fosse um canto de pássaro, mas não via nada. A voz disse-lhe:

- Sou uma princesa moura encantada. Estou feita em serpente. O meu encanto só se quebra se encontrar alguém que me deixe enrolar-me a si, sem medo. Tem que ser à meia-noite. Amanhã, volta aqui e quando me ouvires vir, não olhes, mas deixa-me enrolar-me em ti. Não tenhas medo Se tiveres medo, o meu encanto não se quebra. Se deixar este corpo de serpente que obriga a esconder-me nas rochas do castelo, dou-te um grande tesouro que aqui está enterrado. Vens amanhã? Promete que sim.

O pescador, coitado, era muito pobre e ficou a matutar naquilo. Chegou a casa transido de medo e o resto da noite não conseguiu dormir. Levou o dia a pensar naquele pedido e, como era muito pobre, pensou que iria ficar rico e dar uma vida boa aos filhos. Quando a noite chegou, partiu em direcção ao castelo e sentou-se na mesma pedra, à espera da meia-noite. Levantou-se a lua no céu  iluminando as sombras das rochas e as ameias do castelo. Esperou. Esperou. Quando pensava que nada iria acontecer, começou a ouvir o mesmo barulho. Aproximava-se. Ouvia cada vez com mais força o rastejar de alguma coisa enorme. Como um silvo que se aproxima, resvalando pedras sobre pedras. Urgia o tempo e a pressa de quebrar o encanto. Ele sem ver, imaginava o mostro réptil que lhe iria aparecer. Abriu os olhos apesar da recomendação e olhou na direcção do baruho. Eis que vê uns olhos brilhantes numa cabeça enorme de cobra a saírem de uma moita.

O coração quase pára para depois começar a saltar descontroladamente. Num ápice entra no rio e foge. Foge em direcção a casa, sem olhar para trás. Ouvia o corpo rastejante rochas acima. Teve medo, por isso a princesa moura ainda lá está feita em serpente, à espera que lhe quebrem o encanto. 

 

Nunca encontrei esta  lenda nos compêndios das lendas do castelo, mas é a minha preferida.

 

 Enquanto corri 1h 19 minutos, pela estrada sinuosa de Tancos, imaginei a princesa...linda e loira como sol. Brilhante como estes escassos raios de sol que se escapam por entre as nuvens. Também eles prisioneiros. Como a bela moura. Que pena estar transformada em serpente. Por muito que goste dela,  jamais terei coragem de a ajudar a quebrar o encanto.

 

 

E seguindo a linha do Tejo, no Domingo estarei em "Moinhos de Maré".

 

 

  

Erguido num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere, à época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, actual Região de Turismo dos Templários. Constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo. Com a extinção da Ordem do Templo o castelo de Almourol passa a integrar o património da Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários).

 

O Castelo de Almourol, no Ribatejo, localiza-se na Freguesia de Praia do Ribatejo, Concelho de Vila Nova da Barquinha, Distrito de Santarém, em Portugal.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Almourol   

                                                                                       

 


Tancos tráz-me boas recordações, foi naqueles terrenos cobertos de matagal e no céu bem azulado logo ali por cima do Tejo que me tornei Paraquedista. Foi a partir dali que vesitei o Castelo de Almourol várias vezes, quer em lazer (tomar banho era proibibo para a tropa devido ás correntes muito perigosas) quer em instrução, no rapel e em descida de cordas.
A Praia era a Aldeia mais acessível para se ir a pé tornando-se visita habitual no fim de semana para quem tinha dificuldades financeiras para se deslocar a casa dos familiares.
Amiga Paula é natural o fascínio que aqueles locais nos provocam, eu que não sou de lá fiquei marcado pela beleza e encanto por tudo o que engloba aquela região.
Permita que lhe conte aqui só um episódio e tem a ver com a corrida: O último dia de instrução contemplava uma Marcha de 40 kms, ia fardado, botas calçadas, arma, carregadores, mantimentos, cantil e mochila. O percurso era pela margem esquerda do Zêzere, passando por aldeias que não recordo o nome até chegarmos a Vila Nova da Barquinha. Aí foi-nos autorizado que podíamos começar a correr (estávamos perto da hora do almoço) até chegarmos de novo ao Quartel dos Paraquedistas, nesta altura já estávamos com mais de 30kms de prova. Eu era dos que estava mais bem preparado fisicamente mas fui o único que lá fiquei, pois ao iniciar a corrida os músculos da perna esquerda agarraram de tal maneira que fiquei sem me poder mexer com dores. Sozinho, sem comida e sem qualquer apoio fui me arrastando os últimos kms até chegar ao quartel.
Quando lá cheguei já todos os meus companheiros tinham ido de fim de Semana para as suas casas. Não chumbei porque concluí aquela dura prova e valorizaram muito o meu empenho em terminar, mas marcou-me drasticamente durante muitos anos, de tal maneira que nunca mais quis praticar a corrida, até que aos 40 anos recomecei tendo enfrentado o fantasma daquele dia longínquo. Em boa hora o fiz e mais 20 anos se passaram.
Desculpe a "seca" mas aquela zona tornou-se para mim um talismã, no passado e no presente.
Obrigado pelas mensagens que tem deixado no meu blogue.
Um beijinho.

Joaquim Adelino a 18 de Abril de 2009 às 03:22

Amigo Joaquim

Eu é que agradeço a partilha dessa experiência. Dífícil, sofrida, mas de grande crescimento interior, pois são estas as que mais nos transformam.

Eu estudei na EPE (Escola Prática de Engenharia de Tancos). Havia lá um colégio "Santa Bárbara". Será que se lembra? Ninguém que tenha vivido ou permanecido algum tempo em Tancos, pode ser indiferente nem ao Castelo, nem às recordações que a vida militar nos deixou. Foi, sem dúvida, uma vivência privilegiada, numa hierarquia rígida, convencional, mas de valores elevados; que ainda hoje nos marcam.
Eu recordo Tancos e Santa Margarida com muita saudade e com vontade de voltar áqueles tempos..

Aproxima-se uma data que me faz recordar um professor de Matemática que tive. Claro que era miliar. Capitão naquela altura. Um homem muito novo, cujo nome não vou revelar, mas que adotava reencontrar. Recordo-me que no dia 24 de Abril de 1974 deu uma aula muito emocionada e com umas palavras estranhas como se fosse uma despedida. Tinha 10 anos. Não entendi nada, mas nunca esqueci. Agora, em adulta, compreendo...
alemvirtual a 18 de Abril de 2009 às 10:01

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