existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 09
publicado por alemvirtual, às 16:51link do post | comentar

A minha relação com estes serviços nunca foi pacífica. Continuo a somar "descontentamentos" que reforçam a visão negativa que tenho da sua lógica de funcionamento.

 

Recebo uma mensagem do meu filho antes das 7 da manhã a pedir para o levar ao médico.

 

Convém voltar um pouco atrás e dizer que estou "hospedada" na casa de uma amiga perto da Charneca da Caparica (situação encontrada depois da ruptura familiar, uma vez que o meu local de trabalho aí se situa). Ele (o filho) está hospedado numa outra casa em Lisboa, a fim de dar contnuidade aos seus estudos. Ambos, temos residência oficial no Entroncamento, para onde nos deslocamos no final de cada semana.

Até final de Dezembro último éramos utentes do Centro de Saúde da Sobreda, com médico atribuído. Devido à alteração da situação pedi transferência para o Centro de Saúde do Entroncamento.

 

Ora, quando alguém adoece necessita de cuidados médicos, não é verdade? Ainda para mais, sabendo da "aversão" ao seu recurso por "dá cá aquela palha", ao receber a mensagem de que estava doente, era certo ser  mesmo verdade.

Onde vou? Foi logo o que pensei. Ora bem, vou buscá-lo a Lisboa, trago-o ao Centro de Saúde da Sobreda e depois logo se vê a gravidade da situação. Não entro em alarmes.

Como ao dirigir-me para a minha escola a fim de avisar de que iria faltar, passo mesmo em frente ao Centro de Saúde, tenho a brilhante ideia de entrar e expor sucintamente a situação:

 - Já não somos utentes deste Centro, mas preciso de uma consulta para o meu filho. Ele está em Lisboa, vou buscá-lo e venho aqui. Pode ser atendido?

- Não- respondeu-me prontamente a funcionária. Tem que ir ao SEU Centro.

- Mas o MEU centro é a 160 Km daqui e ele está em Lisboa.

- Então tem que ir a Lisboa.

- Mas onde? Não conheço nenhum Centro em Lisboa, não me oriento na cidade e a este eu SEI vir. Além disso é o Centro ao qual estivemos vinculados durante alguns anos e até há pouco tempo atrás.

- Pois, vá ao Centro que ficar mais perto dele.

- Não sei qual é. E se tem direito a ser atendido em qualquer Centro, em situação de ausência do local de residência, para mim é mais funcional vir a este.  

- Mas tem que ir a Lisboa.

- Não entendo porquê. Está inscrito no Entroncamento, se tem que recorrer a um serviço fora e este é o que conheço, não pode vir? Já expliquei que é mais funcional e fácil para mim, ir a Lisboa e voltar aqui, do que procurar um sítio que não conheço. Se lhe perguntasse se sabe onde fica o do Entroncamento, a senhora saberia? (pensava eu que a senhora iria compreender que "quem não sabe é como quem não vê", como era o meu caso).

- UTILIZAVA UM GPS. - Foi a resposta pronta.

- Mas eu não tenho nem sou obrigada a ter um GPS. Então não pode vir aqui?

- Não.

Agradeci e saí.

 

Não sou obrigada a ter GPS. Não admito este tipo de resposta num serviço público, nem em qualquer outro serviço. Apenas teria que responder não pode ser atendido aqui e apresentar as razões, se tal estivesse dentro da sua competência. Como aparentemente não existe razão nenhuma, uma vez que qualquer outro centro serviria, ainda fiquei mais aborrecida. Mas na verdade, o que me "tirou do sério", o que me indignou foi a resposta que considero uma falta de respeito.

 

Conclusão: fui  a Lisboa buscar o miúdo e dirigi-me ao Entroncamento para recorrer ao Centro de Saúde, evitando andar às voltas numa cidade que não conheço e que seria causa de stress para mim. Fácil? Sim, sem dúvida para quem conhece e tem sentido de orientação. Ir a um grande hospital? Sim, saberia ir a um, mas não fui. Evitei entupir as urgências, pois acho que urgência é mesmo para isso e não me parecia o caso. Mas parece que os meus cuidados (que afinal não são nada mais que a obrigação de qualquer cidadão) são excessivo zelo no cumprimento dos meus deveres.

 

 

Há algum tempo atrás, recorri duas vezes ao Centro de Saúde (Sobreda). Tinha a minha filha em estado terminal e precisava de ajuda médica. Por duas vezes tive que reclamar. Invariavelmente, quando pedia a consulta ao balcão, a funcionária administrativa (a mesma) perguntava:

- "O que é que tem?"

- Minha senhora, a isso não respondo.

- Então não marco a consulta. São ordens. TENHO QUE AVALIAR a situação.

- Pois eu não tenho competência científica para fazer diagnósticos e também não lhe vou explicar mais nada. Se peço uma consulta é porque necessito, caso contrário não estaria aqui. Essas perguntas transcendem-na e a mim assiste-me o direito de não lhe responder.

- Então, fale com quem determinou estas ordens.

 E eu assim fiz. Falei. Discordei e reclamei.

Cada funcionário tem funções perfeitamente estipuladas e não podem ultrapassar as suas competências.

Tal como eu. 

 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde " Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença."

 

Quando solicitei atestado médico em virtude do estado terminal da minha filha, dizendo que não me sentia em condições para continuar ao serviço, indignei-me porque foi-me respondido pelo médico que "A Ana Paula não está doente. Se tivesse uma perna partida, não poderia ir trabalhar, mas assim, não".

Neste caso, eu respondi-lhe com uma pergunta:

- O senhor Doutor tem filhos? Não, bem me parecia. Se tvesse uma filha a morrer com cancro e tivesse que trabalhar, sendo o seu trabalho intelectual e afectivo (sabe que apoio crianças com NEE e duas delas também tiveram cancro), saberia que não reúno as mínimas condições para realizar o apoio que elas merecem e que eu sou obrigada a dar. Mais facilmente iria trabalhar de canadianas do que com as duas pernas sãs e a cabeça e o coração desfeitos.

 

Parece que o conceito de saúde ainda não é bem entendido por todos os profissionais da área...

 

 

Ainda com o mesmo médico. Meses antes da Margaret falecer tinha marcado duas consutas. Uma para mim e outra para ela. A minha seria rotina (nunca faço exames e pensei nas coisas normais na minha idade) e sugeri também um RX aos pulmões, pois fumava (e fumo) bastante. A consulta da Margot seria mais burocrática pois tinha a ver com registos do IPO que transitavam para o seu proceso clínico. Entrámos as duas ao mesmo tempo para o consultório. Eu, sendo a primeira a ser consultada, expliquei que gostava de saber como andava o meu "corpito": análises, mamografia, rx, por causa do tabaco. 

Resposta pronta do médico que fez a Margaret rir  bandeiras despregadas e eu também, quando saímosdo consultório (sei que foi riso nervoso):

- Acho bem que faça análises e tudo o mais,  mas o RX, olhe Ana Paula, só se tiver cancro é que se vê. E se tiver já é tarde, não há nada a fazer.

E voltando-se para a minha filha:

-  E a menina, o que é que tem?

- Tenho cancro - respondeu a minha filha.

 

Pobre senhor. Sei que se tivesse um buraco ter-se-ia enfiado nele, mas já era tarde para apagar as palavras que tinha dito...

 

 

A quem teve "pachorra" de ler o desabafo, as minhas desculpas. Fez-me bem "destilar" a impotência que sinto quando esbarro com este tipo de situações.


Olá! Infelizmente, este País está de pernas para o Ar. Em algumas situações, como essa, tudo poderia ser mais prático se assim o quizessem. Bem que as funcionárias poderiam fechar os olhos a certas ordens e podiam fazer com que fosse atendida. Aqui em Valongo, existe há muitos anos um médico idoso. Há mais de 15 anos que dá consultas em casa, no seu consultório. Eu chamo-lhe o médico dos pobres, porque atende todas as pessoas, independentemente do seu estrato social. E é uma mais valia para esta cidade. Já deve ter 80 Anos. Leva 20 euros por consulta, evita-se ir ao médico particular em casa ( que normalmente leva 50 euros ou mais ), evita-se o Hospital e os centros de saúde. É certo que ás vezes demora-se a ser atendido, porque está sempre muita gente á espera de ser atendido. Já que vai optar por viver aí ( penso eu ) poderia tentar saber se existem médicos que dão consultas em casa e para a próxima sabe onde ir e evita os centros de saúde. Muita gente se queixa dos centros de saúde. beijos para si e as melhoras para o seu filho.
nuno a 21 de Abril de 2009 às 18:42

Nuno,

A questão é que os funcionários públicos só podem apresentar justificativos de incapacidade por doença (segundo a nova legislação) emitidos por centros, ou instituições com acordo com ADSE. Isso obriga-nos a utilizar estes serviços.
Por outro lado, os Centros de Saúde, têm bons profissionais (creio eu) e devem ser efectivamente os primeiros na prestação de cuidados de saúde de primeira linha.
Acontece é que muitas vezes desistimos de recorrer a eles por situações incompreensíveis que se geram na sua própria organização e resultam em "entraves" para os utentes.

Lá por eu ter má impressão do seu funcionamento não quer dizer que seja regra.

Veja, por exemplo: já comuniquei ao Centro de Saúde de Sobreda e Entroncamento (quando reactivei a minha inscrição) o óbito da minha filha, tal como me tinha sido pedido. Ainda hoje, no Entroncamento ( e cada vez que uso os serviços) ao perguntarem-me pela composição do meu agregado familiar e ao lerem o registo que aparece na base de dados, me disseram que a Margaret figura como TRANSFERIDA. O meu filho como se nunca se tivesse pedido transferência e eu, como reingresso, mas sem médico atribuído.
Não sei mais quanto tempo me continuarão a dizer o mesmo. Qualquer dia ainda a chama para alguma consulta de rotina, ou a lembrar uma vacina....
Aí é que me vai "saltar a tampa"

Obrigada pelos votos de melhoras.
alemvirtual a 21 de Abril de 2009 às 19:59

olá! Ao ler a sua resposta, fiquei mais esclarecido. Eu não vou muito ao centro de saúde. Quando vou, é só para levar a vacina da Gripe. o meu espaço é http://amordonuno.blogspot.com . beijos e uma boa noite!
nuno a 21 de Abril de 2009 às 20:36

Paula

Li e não precisei de recorrer à pachorra.

Infelizmente o que dizes e muito bem não ser regra, de facto sucede muitas mais vezes que a própria regra.

E há situações revoltantes, gritantes, que as conhecerás melhor que eu... e essa senhora e esse médico que referes esquecem-se só que é por tu existires, e que é devido a ti que eles têm emprego, aquele emprego, bom ou não, e não seria mais que sua obrigação cumprir, servir, prestar os serviços para os quais são contratados, e parece-se que quer a do GPS quer a piadinha do cancro... não fazem parte dessas funções.... aspirantes a cómicos com certeza.... ou talvez apenas palhaços...

Olha, no meio disto tudo, sabes o que te quero dizer: que o filhote não tenha nada de grave e que já esteja medicado e bem tratado.

As melhoras e um beijinho para ele

e outro para ti

Ana Pereira
Ana Pereira a 21 de Abril de 2009 às 21:59

Ana Paula

É mesmo muito desagradável passar por situações como as que relatou. E o que é mais triste é que, certos funcionários a quem falta a capacidade de discernimento, mostram as suas competências com o excesso de zelo. É óbvio que só a má vontade, impediu que os eu filho pudesse ser atendido. O serem “ordens que tinham de ser cumpridas” são balelas. Nunca tal funcionária poderia ser prejudicada por ser eficiente, pois tanto mais melhor será o centro de saúde quanto mais útil for aos utentes. E esse caso, que já fora justificado e mesmo assim não atendido, justificaria uma boa queixa. Pode a “sujeita” saber usar o GPS mas não sabe, com toda a certeza, fazer atendimento ao público. E aqueles que com estas atitudes dão má fama à generalidade dos funcionários e tornam ineficazes os serviços públicos, deveriam ser retirados dessas funções.
Por outro lado, o conformismo de quem é vitima destas "aventesmas ” não ajuda a que se “limpe” o funcionalismo de pessoas ou atitudes inconvenientes.
Fez bem em reclamar, Ana Paula e digo mais : deveria fazer chegar o mais alto possível que GPS e atendimento público não combinam. É mais coisa de RUA!!!
Grande beijinho, Paula
Fernando Andrade a 21 de Abril de 2009 às 22:23

Olá amiga Paula.
Eu li tudo o que escreveu e a tristeza acompanhou-me durante toda a leitura, excepto o episódio do médico que fez rir a sua menina, é lamentável. Qualquer Centro de Saúde deverá ter um responsável máximo que possa ser responsabilizado pelos actos altruístas e irresponsáveis de funcionários mal educados e sem pinga de sangue e de amor para com os outros.
Paula, eu entendo que nestas situações temos de reagir e não aceitar que um qualquer Centro ou uma qualquer funcionária brinque com os nossos sentimentos num total desrespeito pelo sofrimento daqueles que procuram ajuda num local vocacionado só para esse efeito. Para isso nem que tenhamos de ir falar com o "Papa" lá do sítio para tentar perceber que tipo de Serviço Nacional de Saúde é este que recusa prestar um serviço, numa situação muito especíca, como é o seu caso.
Em casos extremos de saúde compreendo que se tenha de procurar ajuda e tratamento junto da medicina privada, (eu próprio tive de o fazer quando me foi detectado uma doença muito grave), mas para doenças menos graves ou sazonais os Centros de Saúde, qualquer que ele seja, tem de dar resposta. Quando vamos para outro País da Europa ou do resto do Mundo se adoecermos é logo ali onde estamos que somos socorridos, não nos mandam para o nosso País para sermos atendidos por um médico, e tanto quanto eu sei nós aqui em relação aos estrangeiros fazemos a mesma coisa. Então porquê tanta hipocrisia? Não podemos nem devemos aceitar e temos de reagir.
Parabéns por ter tido tanta serenidade, eu provavelmente não a teria.
Um beijinho e desculpe o desabafo.
Joaquim Adelino a 21 de Abril de 2009 às 22:44

Ana Paula,

Essas experiências que relata são bem exemplificativas do que é o mau atendimento. Infelizmente não se tratam de situações isoladas e acabam por suceder muitas vezes, pelo que a sua denúncia se justifica.

Apesar de ser conhecida a sobrecarga de procura que recai sobre muitos Centros de Saúde do SNS, que tem muitos utentes inscritos para além da sua capacidade, não há justificações para a desumanidade com que as pessoas são tratadas em situações de debilidade como é a que nos encontramos quando estamos ou temos alguém querido doente.

Nos casos em que tenha necessidade de recorrer a serviços fora da área geográfica em que está inscrita, um conselho que deixo, nos casos não emergentes (nesses o melhor é sempre recorrer à urgência hospitalar mais próxima) é telefonar para a linha Saúde 24 (808242400). Para além do aconselhamento sobre o seu caso, receberá informação sobre qual o serviço público a que deve recorrer, informação essa que é transmitida a esse serviço, pelo que, quando lá chegar, já sabem da sua situação.
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Ana Paula, <BR><BR>Essas experiências que relata são bem exemplificativas do que é o mau atendimento. Infelizmente não se tratam de situações isoladas e acabam por suceder muitas vezes, pelo que a sua denúncia se justifica. <BR><BR>Apesar de ser conhecida a sobrecarga de procura que recai sobre muitos Centros de Saúde do SNS, que tem muitos utentes inscritos para além da sua capacidade, não há justificações para a desumanidade com que as pessoas são tratadas em situações de debilidade como é a que nos encontramos quando estamos ou temos alguém querido doente. <BR><BR>Nos casos em que tenha necessidade de recorrer a serviços fora da área geográfica em que está inscrita, um conselho que deixo, nos casos não emergentes (nesses o melhor é sempre recorrer à urgência hospitalar mais próxima) é telefonar para a linha Saúde 24 (808242400). Para além do aconselhamento sobre o seu caso, receberá informação sobre qual o serviço público a que deve recorrer, informação essa que é transmitida a esse serviço, pelo que, quando lá chegar, já sabem da sua situação. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>bjs</A> <BR class=incorrect name="incorrect" <a>MPaiva</A>
Miguel Paiva a 22 de Abril de 2009 às 11:46

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