existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Jul 09
publicado por alemvirtual, às 21:46link do post | comentar

O mundo compreende-se à dimensão das fronteiras do nosso conhecimento. Da permissividade do "cepticismo" nascem crenças, mais ou menos místicas, intrincadas entre entre este e um outro mundo. Irreal? Sim, mas até onde vai a barreira do real. E, afinal, o que é existir? 

 

Por entre as serranias que a estrada atravessa, num mundo feito de azul e verde, trilhos e veredas convidavam a um treino que não fiz.

 

A luminosidade intensa obrigava-me a semicerrar os olhos.

 

Escutava a voz da minha mãe, que insiste em interpretar o presente e o futuro com a visão do passado (ou daquilo que foi o seu presente)... falava da ida do homem à Lua, da era de "conquista", ou pelo menos descoberta espacial, do acelerador de partículas e de um sem número de avanços científicos e tecnológicos. 

Incrível como se mantém actualizada, apesar da quase completa surdez e dos seus quase noventa anos. Vê, lê e interpreta à dimensão do seu mundo. Quantas vezes, antecipando factos e acontecimentos! Invejável... Mas continua a falar como presa a um passado...

 

"Quando o céu for habitado..."

 

Ainda lhe respondi, na ironia condescente de quem se julga mais sábio: "Já é. Por anjos. E eu conheço um deles". Depois, refugiei-me em corridas imaginárias nos trilhos sombrios pela folhagem. 

 

Quando o céu for habitado, talvez tenham desaparecido.

 

E ela continuava a falar num discurso oscilante entre o que é e existe e aquilo que julga (julgamos) ser e existir. No rádio do carro, num posto qualquer, eram notícia os fogos na Europa, as temperaturas tórridas a sul, as tempestades a norte, a queda de granizo e a neve nas Américas, as inundações e desabamento de terras na Ásia...

 

O carro avançava, os quilómetros sucediam-se, a velocidade muito acima de um tempo em que o tempo corria mais devagar...

 

Quando o céu for habitado, talvez se possa abrandar...

 

Até lá, o meu mundo vive um tempo sem tempo para ter tempo...

 

imagem retirada de: http://serramarao.blogs.sapo.pt 

 

(Já são trinta dias sem fumar) 


Bonita história de uma viagem que atravessou fronteiras e idéias, com sentido e sentimento,
Agradeço-lhe a mensagem que me deixou acerca da Ultra Maratona, foi muito simpática.
Um beijinho.
joaquim adelino a 28 de Julho de 2009 às 00:05

Olá Paula,

Bonito como sempre o raciocínio.
Quando o céu for habitado, deixaremos de poder sonhar...o céu deixará de ser céu...
Um beijo
Carlos Coelho
lelapin2000 a 28 de Julho de 2009 às 20:43

Olá Paula
Lindo, lindo, lindo!
OBRIGADO.
E continua com mais dias, dia-a-dia, sem fumar.
É mais uma conquista que sei desejares e que vais conseguir.
Bjs e abraços à família.
Até breve
António
António Bento a 29 de Julho de 2009 às 22:35

Oi Paula
pois é, plagiando um título de um livro "não há coincidências" ...
E sabes que mais? o meu país são as pessoas que me moldam o coração; foi bom sentir esta sintonia, afinal vocês, a vossa família, ajudam-me a construir este país, com o que me dão!
Beijo GRANDE.
António
António Bento a 29 de Julho de 2009 às 23:20

"Quando o céu for habitado..."

Há quem acredite que a solução está no céu…

Todavia, sem qualquer desprimor para com o texto, quero salientar e dar os parabéns pelos trinta dias sem fumo…

Abraço

Orlando Duarte
Orlando Duarte a 30 de Julho de 2009 às 18:10

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