existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Set 09
publicado por alemvirtual, às 22:31link do post | comentar

 

arvores-1.jpg
imagem de: www.adeptus.xpg.com.br/ arvores-1.jpg
 
Vencer a inércia. Vencer a falta de vontade. Vencer aquele "não sei quê" que torna o desânimo tão atractivo. Vencer os falsos pretextos para não correr.
 
É certo que, agora, o tempo disponível para um treino é mais limitado. Ainda assim, se não tenho treinado é porque não queria vencer a montanha de pseudo-justificações para não calçar umas sapatilhas. 
 
Em Agosto ainda treinei com afinco, nos primeiros dias. Sentia-me bem cansando-me pelos trilhos verdes do Bonito. Depois, deixei de correr. Já lá vão mais de quatro semanas.
 
Hoje, fiz 55 minutos. Cansei-me, claro. Mas é bom voltar a sentir o cansaço do corpo e a satisfação da alma.
 
 
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale, mas sê
 o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.                           Pablo Neruda
 
 
Posso tentar ser o melhor de mim própria. Correr ajuda-me nesse esforço. Tal como escrevi há quase quatro anos atrás:
 
 
"02.01.2007

 
 
 
No início de um novo ano, mantenho os velhos sonhos e acalento sonhos novos… 

Novo ano, nova vida ou nova oportunidade de recomeçar, de emendar o menos bem e de melhorar o quase bom, sempre numa perspectiva de mudança, numa evolução qualitativa. Estes marcos, embora simbólicos, prestam-se a estabelecer limites, rupturas com velhos comportamentos, inícios de outras formas de ser e estar, assentes nas vertentes de pensar, sentir e agir, norteados por valores mais altruístas. 
Por natureza, o ser humano deveria procurar a perfeição e a busca da felicidade. Ai daquele que não persegue esta utopia e do que perdeu a capacidade de sonhar. São os sonhos que alimentam a própria vida, lhe dão cor e adoçam o sabor, tanta vez amargo, da realidade. 
Que sonhos para este novo ano? Principalmente nunca deixar de sonhar… se um sonho se desfaz, é urgente substituí-lo por outro. Sonhar sempre…sonhos enquanto pessoa, sonhos enquanto mulher, sonhos enquanto mãe….e… sonhos no novo papel (ainda não consolidado) de “atleta”. Pois é, quando me sentirei uma atleta? Será que toca algum sinal de alarme, num dia determinado, assinalando a entrada para o mundo dos atletas? Ser uma atleta, é sentir, pensar e agir como uma atleta? Como sentem, pensam e agem os atletas? 
Que distância ainda me separa desse mundo mágico que pretendo descobrir… 
Nas provas, a emoção é intensa e imensa…tudo absorvo com os “olhos do coração”. Esse meu mundo interior é quase tão rico e vasto quanto a moldura de uma corrida: variedade de paisagens, sons, cores, sorrisos, gracejos, suor … 
Uma corrida é quase como uma peça de teatro em que os actores ensaiaram mais ou menos bem e assumem o seu papel. 
Eu não ensaio bem o meu papel. Quero-o assumir, interiorizar e interpretar, mas… Ai as tentações do quotidiano! O cigarro que teimo em acender… A voz da razão, aconselha-me: “Não fumes! Se queres correr, não fumes!” Outra voz, ainda não sei bem de onde vem, diz-me: “É só mais este. Afinal, um cigarrito a mais ou a menos, em tantos anos de vício, não faz diferença!” 
Depois vêm os treinos. A dificuldade em vencer a inércia… em deixar o aconchego do lar, o conforto de uma lareira acesa para enfrentar o vento gelado nas bochechas… 
Por fim, vêm as dores. Dói-me tudo! Os joelhos que parecem ranger e estarem a ficar rígidos… as pernas que parecem presas e a não suportarem o peso do corpo… os pés que parecem chumbo… 
Comecei há 4 meses a ser “aspirante” a atleta. Ainda não ultrapassei os 10 Km em provas, nem os 14 em treinos. Mas hei-de chegar aos 20!!! Km, claro! Quem me conhece pensa que isto é mais uma extravagância minha e estão cépticos quanto à minha persistência em aceder ao mundo da corrida. 

Neste ano de 2007, tenho um sonho diferente…Ser pertença de um “mundo” diferente: um mundo verdadeiramente incluso, o mundo da corrida. Nas poucas vezes que o vislumbrei, vi pessoas felizes. Vi que o sucesso dos outros é vivido por todos. Vi que todos podem ganhar. Vi desconhecidos a ajudarem-se mutuamente, a sorrirem, a incentivarem os mais “fracos”, a correrem lado a lado pobres e ricos, cultos e menos cultos, brancos e negros, homens e mulheres… sem barreiras, sem violência, sem preconceitos, sem diferenças de espécie nenhuma. Ali, a única diferença é marcada pelo ritmo da passada. 
É nesse mundo que eu quero viver!
 
Passaram muitos meses. Os sonhos, esses perderam-se de vez. Não se podem substituir, mas podem-se recordar.
O cigarro, deixei-o. Há quase três meses que não fumo.
Os 20 Km? Afinal, não foi difícil de os vencer. Faltam os 40!
E continuo a querer viver no mundo simples da corrida.
 

 


Força Paula!

O Porto espera por nós!

Vamos lá a treinar! (falo para ti e para mim)

Um beijinho e até breve espero

Ana Pereira
anamariasemfrionemcasa@gmail.com a 17 de Setembro de 2009 às 00:05

Olá Ana Paula

...e nós queremos ter a Paula no mundo simples da corrida, queremos ter as palavras nos excelentes relatos que vai fazendo, imagine que me recordo de em tempos ler estas mesmas palavras que hoje voltou a trazer aqui...

Paula no passado sábado corri nas Lampas onde estive pela 1ª vez em 2007, em cada regresso volta comigo muito desse ano de 2007...

Paula por vezes os sonhos é mesmo o que nos resta, correr por vezes também...

Beijinhos e os 40 também não serão tão difíceis de vencer como possa parecer.

Belas palavras as do Neruda.

O homem que corre (...e somha).
António a 17 de Setembro de 2009 às 00:06

Olá Paula

Então, ainda não foi desta!? Fiquei contente quando a vi inscrita na Meia Maratona de S.J.Lampas,mas fiquei triste quando vi que o seu dorsal sobrou.
Claro que a Paula terá tido as suas razões e não tenho que ficar chateado, mas que gostava de a ter cá, gostava! e muito.
Aproveitando a deixa do belo poema do Neruda que invocou :

"Se não puderes correr a Meia
Corre a Mini, mas goza o prazer da Corrida. Livre!"


Beijinho Paula, mas olhe que na 34ª não "escapa"!
Fernando Andrade a 17 de Setembro de 2009 às 10:09

Olá Fernando

Respondo aqui, neste cantinhoporque tenho até vergonha de falar mais nas "Lampas"... há, três anos que ando para lá ir. Não me esqueci nem da prova, nem do convite do Fernando, quando ainda só quem acreditava no feito de fazer uma Meia era a minha filha. Ela não chegou a assistir à chegada dessa prova, onde, seugunda ela, estaria com uam enorme faixa a dizer "Mãe, és a maior!". Seria as Lampas e os 30 Km de Portalegre. À Lampas, não consegui ainda ir, pelos motivos mais tristes que se podem imaginar. A Portalegre, acho que nunca mais se fez. Quando em 2007 deveria acontecer essa prova, a mesma foi anulada. Anulou-se a prova e a vida da minha estrelinha. Sabe, Fernando, - e sabe melhor do que eu - sair para correr (ainda que o objectivo seja só e apenas participar e chegar à Meta), implica o mínimo de força anímica e capacidade para esse esforço. Muitas vezes, não as tenho. Continuo a marcar na minha agenda provas, muitas provas...mas estar lá...bem, isso ultimamente tem sido mais difícil. Mas vou. Para o ano irei. Tenho um carinho especial por esses 21 Km.

E Ana,

para o Porto também estou inscrita, mas não sei como vai ser. Só acredito quando vir o Douro à minha esquerda. Ou será direita? Nunca lá corri. não faço ideia nenhuma do percurso.

António,

Se eu agisse de acordo com a força que os "cidadãos de corrida", os "corredores com palavras", as "amantes da corrida", com "casa ou sem ela e todos os outros, deste ou de outros espaços virtuais ou não, se eu agisse em conformidade, pode crer que não passaria um dia sequer que não saísse para correr.

Só tenho a agradecer o vosso carinho e a retribuir (na medida do possível...correndo).

Beijinhos ao António (e família), ao Fernando e à Ana.
alemvirtual a 17 de Setembro de 2009 às 21:32

olá Ana Paula
para já deixo um beijinho.
é claro que vais continuar e chegar aos 42,195m, com calma, sem stresses, tudo tem o seu tempo.
e como tão bem descreves, quando se termina a corrida, já tudo é diferente, para melhor.
o poema de Neruda é ... belo como os Poemas de Neruda. OBRIGADO pela pérola. Em cada leitura a nossa vida adquire mais significado.
Como em cada passagem pelas tuas palavras, e em cada passo para seguir o teu bonito exemplo.
Outro beijo, para ti e família.

António ou também AB - Tartaruga, que isto começa a ser indissociável :)
António Bento a 19 de Setembro de 2009 às 20:08

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