existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Mai 10
publicado por alemvirtual, às 21:32link do post | comentar

 

São as vinhas em socalcos. As videiras em latadas, com cachos entrelaçados, subindo a encosta do Douro. São memórias aromáticas de visitas fugidias aos avós paternos...

Minha avó Beatriz era loura, alta, de olhos verdes como a minha irmã. Meu avó José era moreno, lábios carnundos e olhar profundo, como o meu pai. Dizem que me assemelho a eles.

Da avó, a minha irmã herdou a elegância, o porte altivo que nem os anos subjugaram.

Eu, acho que herdei o temperamento brejeiro e a teimosia de quem ri de si mesmo.

 

Por lá ficaram as vinhas, as cerejeiras, os castanheiros e as nascente de água fresca.

... recordo o cheiro intenso da terra abençoada; do vinho verde intenso e escuro; do arroz no forno;

... rrecordo o uivo perdido ao longe, na névoa da serra;

... recordo o tom pardo da pedra das ruas e das casas, com o branco à mistura...

... recordo a alegria de chegar...noite alta, mais altas as estrelas e a lua branca, no negrume do céu...

... recordo ainda, anos depois, menina e moça, uma serenata que alguém cantou e tocou numa viola, sentado num muro de pedra, debaixo da janela do quarto onde dormia.

... recordo o toque áspero dos lençóis de linho e um cheiro a pureza...

... talvez a pureza da infância...

 

 

Há muitos anos que não vou ao Douro. As raízes estão lá, como as memórias de cheiros, de cores e de sabores que teimam em não morrer aqui.

 

A prova? Bem, a Meia Maratona já será outra história...
(mas dúvido que haja história...)

 

http://www.meiamaratonadouro.com/


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