existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Out 10
publicado por alemvirtual, às 01:21link do post | comentar

 

Já imaginou se, de um dia para o outro, ficasse a saber que tem uma doença terminal, e que essa mesma doença lhe iria provocar sofrimento até ao fim? Em Portugal, a eutanásia e o suicídio assistido são proibidos e, por isso, considerados um crime de homicídio.

O debate impõe-se, numa altura em que se sabe que 39% dos médicos oncologistas defendem a legalização da eutanásia. É um estudo da faculdade de medicina da Universidade do Porto, que associa o facto à ineficácia dos cuidados paliativos em Portugal.

Morrer com dignidade é ainda uma miragem. Morre-se sozinho, longe de casa, outros ficam à espera de uma vaga numa das 20 unidades de internamento de cuidados paliativos. Seriam necessárias pelo menos 100.

Para os que podem pagar, a alternativa é morrer em países como a Suíça, onde o suicídio assistido é permitido. Sabe-se que há já, pelo menos, 7 portugueses inscritos na associação «Dignitas», uma associação suíça que pratica o suicídio assistido com cidadãos estrangeiros.
São depoimentos lúcidos, corajosos de quem quer apenas morrer com dignidade.

«O Céu visto da Terra» é uma reportagem da jornalista Ana Leal, com imagem de Júlio Barulho e montagem de Pedro Cordeiro, a ver esta segunda-feira em «Repórter TVI», a seguir ao Jornal Nacional.

 

http://www.tvi24.iol.pt/eu-vi/reporter-tvi-o-ceu-visto-da-terra-ana-leal-grande-reportagem/1198027-4646.html

 

Repórter TVI, dia 11.10.2010.

 

passagem de modelos aos 17 anos

2006

 

Porque há Estrelinhas que partiram da Terra...

Porque há Caminhos que conduzem ao Céu...

Porque há tormentos que mostram o Inferno...

 

E porque há rostos belos que importa não esquecer;

E porque há mortes que ensinam a brevidade da vida;

E porque há vidas que mostram a morosidade da morte...

 

 


Olá Ana,
Que pena não poder ver o programa, estou a trabalhar. Mas vou dizer a Ruth para ver o programa.
Bjs
Vítor e meninas
Vitor a 11 de Outubro de 2010 às 10:24

Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte .Muito aprendeu quem bem conheceu o sofrimento .

Abraço.

(constancia vila poema)
manuel marques a 11 de Outubro de 2010 às 19:14

olá! A reportagem da Tvi dá muito que pensar. Há pouco vi isso, e é um tema delicado. Qq doença é delicada, existem doenças que causam muito sofrimento e outras nem tanto...o caso da alzheimer, que não traz muito sofrimento, muita dor... penso eu. nunca senti que a minha falecida avó sofresse. Ao ver um pouco do que vi na Tvi, estava a pensar " se eu estivesse assim como aqueles idosos estão, o que escolheria eu? " . Esteja onde estiver a tua estrelinha, ela tá sempre sorridente, por ver o Amor que sentes. beijos e um abraço para ti ! como te sentes? eu cá vou andando.
nuno a 11 de Outubro de 2010 às 20:43

Olá Ana Paula,

Acabei de ver a reportagem na TVI e demonstrou a sua tenancidade e coragem por uma perda sem explicação.

Como é bonita a "sua " Margareth, um beijinho para ela e que descanse em paz e para a mãe lutadora.
Fábio Dias a 11 de Outubro de 2010 às 22:08

Ana Paula,

Não vi o programa... tenho pena.
Coragem sempre!
Beijinho
Henriqueta
Henriqueta Solipa a 11 de Outubro de 2010 às 23:02

Olá Paulinha
Estou muito admirada com os comentários que aqui vi: Estiveste outra vez na TVI? Em que programa?? Não soube de nada e tenho seguido seu s blogs apesar de nunca ter entrado em conversa consigo.Achei que não deixaria de aqui divulgar mais uma acção sua penso que sobre Cuidados Paleativo,pelo menos foi o que depreendi nos comentários.Diga alguma coisa para ver se consigo aceder mesmo aqui pela NET.Já agora adorei seru video, apesar de não conhecer nenhuma acho-vos muito bonitas a sua filha então é um DOCE.
Ana
Ana a 12 de Outubro de 2010 às 14:16

Ana

Não sei quem é. Não poderia divulgar. Não se trata de me promover sobre qualquer pretexto; tratava-se de uma temática tão forte e emotiva quanto necessária de reflexão.
Foi uma reportagem fantástica, de uma jornalista que é uma referência e um orgulho no panorama das "gentes corajosas" do nosso país.

Se quiser rever, talvez se procurar em TVI online. Chama-se "O Céu visto da Terra", Reporter TVI, de Ana Leal.


A todos os outros que se manifestaram sobre o meu testemunho: obrigada pelas vossas palavras.
Há realidades tão duras que poucos têm coragem de as "olhar" de frente. Prova disso é...bem...é a forma como os Cuidados Paliativos se praticam (existem ?) em Portugal.
Graças a Deus há exemplos de boas prátcas....de almas que se entregam por amor, mas...precisamos bem mais que isso....
alemvirtual a 12 de Outubro de 2010 às 21:58

Depois do que vi na TVI e após a leitura do Livro "Margot" é dificil na minha mente encontrar um adjectivo adequado de admiração para tanta angústia e coragem pelo que passou, esta fase certamente tem sido difícil para si mas está a cumprir uma missão louvável e que só o coração de uma mãe que sofre é capaz de compreender o seu alto significado.
Para si amiga Ana um grande e respeitoso beijinho.
joaquim adelino a 13 de Outubro de 2010 às 02:14

Olá Ana!

Chamo-me Raquel Marques e sou do Entroncamento.
Lembro-me da Margaret desde sempre na escola, sempre foi uma figura que me marcou uma vez que tinha um estilo que me agradava imenso e uma irreverência e simpatia fora do vulgar. Não a conheci nessa altura porque era mais nova e não me dava com o grupo de amigos dela, mas tive a oportunidade de a conhecer mais tarde (através da Carla, uma amiga que temos em comum) na altura em que ela já se encontrava doente. A Carla também estava doente e sofria de uma depressão muito grande. Eu, como sempre fui muito amiga dela, acompanhei-a desde o início! Um dia ela disse-me: "Conheci uma rapariga que acho que tem uma doença parecida com a minha. É a Margaret , lembras-te dela da escola? Ela tem uma loja ali no shopping . Vamos lá ter com ela?". E assim foi...
A partir daí comecei eu própria a ir sozinha ter com ela à loja e foi a partir daí que começámos a nossa amizade. Acompanhei-a durante muito tempo nessa altura, sai com ela, fazia-lhe companhia... Depressa nos tornámos grandes amigas, tínhamos muito em comum, senta que tinha feito uma grande amiga! E com o tempo sentia revolta por ela estar assim...porquê? Jurava a mim mesma que ia estar sempre perto dela e ajudá-la a ultrapassar tudo aquilo. Queria esta com ela, com ela 100% lúcida e feliz!!!

A Margaret desaparecia...mudava de número de telefone sem dizer nada...depois sem querer voltávamos a encontrar-nos e a passar mais tempo juntas. Tinha quase sempre uma operação para contar...
As últimas vezes que estive com ela foi aqui em Lisboa onde estou a viver novamente. Encontrámo-nos por acaso na faculdade, eu tinha acabado de entrar e ela ia concorrer também no presente ano lectivo. Ainda nos encontrámos algumas vezes, ela falava em casar...parecia-me bem. Lembro-me como se fosse hoje a última vez que nos vimos. Combinámos café na Almirante Reis. Mal a vi subir as escadas do metro disse: "Fogo Maggy , tás mesmo gira!!!" Tinha um vestido verde e umas sabrinas (não me lembro a cor). Fomos ao café, eu bebi um café e ela comeu uma mousse de chocolate. A colher dela pendia sempre para fora da taça, eu ia lá com a mão e ajudava-a .via-se que estava medicada, que não estava muito bem. Mas porquê? Porque é que ela nunca mais fica boa?!?!? Pensava eu...
Não acabou a mousse , dizia que estava enjoada. Fumámos uns slims de mentol, ela tinha sempre e eu comecei a gostar também...ainda hoje não consigo largar os slims de mentol!
Desde esse café, nunca mais a vi. Passou algum tempo...tentei ligar mas o tlm estava desligado. Continuou sempre desligado...
A Carla já tinha ido para a Bélgica , não sabia nada dela. Passei em casa dela no Entroncamento e não estava ninguém...não havia sinais da Margaret .
No final do ano de 2007, estava no trabalho e tinha o msn ligado...a Carla estava a falar comigo e disse-me: "Linda...tu já sabes, não sabes?"...eu respondi que não, não sabia o que ela estava a falar. "A Margaret ...ela morreu linda!"..........
Não queria acreditar... Não podia ser...
Quando? Como? Como obtenho informações? O que aconteceu? É mesmo verdade?.....
Fiquei em pânico, tive que sair do trabalho...apanhei o comboio e vim para casa...
Durante dias procurei respostas, corri o cemitério do Entroncamento, campa a campa, procurei o coveiro que nada me sabia dizer, e só dias depois e através da internet também consegui saber quando ela tinha falecido e onde estava sepultada.
Fui lá... levei umas flores em meu nome e nome da Carla...Chorei...durante minutos que não acabavam....
Hoje vi a reportagem...voltei a chorar...
Ana, o mais certo é que não me conheça, talvez de vista apenas. Mas desde já agradeço só por este bocadinho...à tanto tempo que precisava de escrever estas palavras....
Morro de saudades da minha Maggy ...adorava-a e continuo a adorar com um carinho muito, muito especial.
Força Ana...ela merece cada minuto que passamos a pensar nela.

Um beijinho,
Raquel Marques
Raquel Marques a 14 de Outubro de 2010 às 14:56

Raquel

Lembro-me do teu nome, lembro-me da Carla.
Obrigada por teres partilhado. Foi dos testemunhos que mais me emocionaram nos últimos tempos. Essa foi, de facto, a Margaret (Margot, Magguie, como lhe queiram chamar)
Sim. Vi-a tal como a descreves. Incapaz de mexer uma chávena de café, mas com uma coragem inabalável e aquele sorriso doce nos seus olhos enormes...Vi coisas que mãe nenhuma deveria ter visto. Outras não vi, porque ela me poupou. Poupou todos...
Por isso, "desaparecia"....foram internamentos, tratamentos, cirurgias, quimio e radio...
Lembro-me da prmeira vez que levou uma injecção de morfina, depois da consulta de dor (a primeira), logo no dia em que soube que o cancro também já estava nos ossos...pediram-lhe para assinalar, numa escala de 1 a 10 o nível de dor. Ela disse: "9! Para não dizer 10".
E isto foi apenas o início....Com um sorriso, disse: "Isto, afinal, de "mandar pra veia" é bom"!
Fazíamos humor "negro" até das situações mais dramáticas. Ela foi a pessoa mais extraordinária que conheci na vida.
Ou de outra vez quando levou uns líquidos radiocativos que vinham expressamente de Espanha em carros blindados e com tripulação como se fosse para uma missão espacial...ela disse após: "Se fosse de noite, poupavas luz, porque devo estar florescente".

Esta era a minha menina. A vossa amiga. A pessoa que nunca desistiu, mas que colocava sempre o bem-estar dos outros antes do dela.
Ainda antes de falecer ela pensava numa velhinha que não conhecia, mas que costumava ir levar um pão todos os dias (vivia sozinha e era pobre). Dizia-me "quem levará agora o pão àquela velhinha?"

Ficam muitas recordações. Tu ajudaste-me a recordar e a conhecer episódios que desconhecia. Tudo tem um valor incalculável para mim.

Quando faleceu vestia novamente o tamanho S (32/34). Estava magra de novo (excepção feita a alterações que a deegradaram muito). Estava (era) linda. Pele de porcelana, cabelos brilhantes e um cuidado extremo com a aparência. Todos diziam "mas tem tão bom aspecto"... como se dissessem "é mentira! não está doente!"
Entre ela e os outros, os que se lamentam e passam a vida a lastimar-se, a depreciar-se e a menosprezar a sua imagem vai um abismo de distância. Por isso, ela era especial.
Viveu e morreu com duas palavras nos lábios" obrigada e desculpe"

Como sabes, está sepultada em Constância. Uma campa simples, branca, com estrelas à volta e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima a quem confiei a minha filha.
Muitos passam lá e deixam flores, velas e terços. Alguns não os conheço, mas agradeço, do fundo do coração.

Um dia, gostaria que a vida da Margareth fosse contada "passo a passo" até ao momento em que até sem passos ficou....Roubaram-lhe tudo, menos a esperança e a certeza de que o Sol, cá fora, estaria à sua espera para lhe sorrir; a faculdade pronta a recebê-la e uma festa para celebrar o aniversário, o casamento e a alta hospitalar. Por mim, tê-la_ia vestido de noiva, mas foi elegantemente vestida, de forma exótica, marcas caras, sapatos finíssimos, malinha rocobarocco e os seus peluches por companhia. Foi assim que partiu a tua amiga.Levou uma flor azul esvoaçante no cabelo e eu tirei do seu pescoço uma estrela de cristal azul...

Beijos, Raquel. Bem hajas.

PS . Deixou de fumar no dia 23 de Janeiro, à porta do IPO. Mandou o cigarro para o chão, depois de ter feito mais um exame e disse"Não fumo mais".
Assim foi. Nunca mais fumou. Pediu-me para o deixar de fazer. Nunca o consegui. Porém, há um ano e uns meses tb deixei:-))

Olá Ana!

Li a sua resposta no próprio dia mas as palavras faltaram-me. Como disse, tudo aquilo que escrevi foi algo que estava "preso" dentro de mim à muito tempo. Não sabia a quem dizer, como dizer...durante muito tempo sentia-me péssima e culpada por não ter estado mais presente, por não ter ajudado mais e principalmente por não ter sabido imediatamente do falecimento e não poder estar presente no velório..era algo que já não podia remediar e isso estava a dar cabo de mim.
Mas que podia eu ter feito? Fiz de tudo para tentar o contacto, mas nunca consegui saber de nada, não tinha como.

Foi muito bom para mim poder desabafar um pouco e contar a minha história a alguém que sabia exactamente do que eu estava a falar.
Apesar de uma curta, a amizade que tive com a Margaret foi muito intensa. Parecia que nos conhecia-mos à anos, e tínhamos uma cumplicidade que não tenho com amigas de infância. Foi uma pessoa muito importante para mim e que ficará para sempre no meu coração. No que depender de mim, a Margaret será sempre elogiada e terei sempre algumas palavras carinhosas para proferir a seu respeito.

Ajudou-me muito ficar com uma imagem de com estava vestida a minha querida amiga no dia em que se despediu de todos os que a amavam ...consigo tão bem imaginá-la assim...sempre linda, sempre elegante.

Muito obrigada Ana.
Que a vida lhe sorria sempre e com um sorriso tão ou mais bonito como o da "minha Maggy", a sua filha!

Bem haja,
Raquel Marques
Raquel Marques a 16 de Outubro de 2010 às 09:54

Viva Ana
estou de novo a falar para dizer que já vi o seu cuidado em dar i link para aceder à reportagem.
Só acho um pouco estranho vê-la sempre sozinha, fala muito dos amigos da corrida, mas nunca da sua família ou marido; não tenho nada a ver com a sua vida ,não a conheço, mas fiquei com pena de nunca a ver apoiada por alguém mais próximo sem ser das corridas.Tinha visto entrevista na TVI e agora vi a reportagem pela NET e voltei a constatar esse facto o que me deixa a pensar que sózinha sem ninguém ainda será mais cruel o seu viver. Não espero qualquer explicação como é óbvio, é só para lhe fazer chegar o meu apoio no silêncio dado que nem sequer aconheço.
bjnh
lutandoconsegui a 15 de Outubro de 2010 às 15:53

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