existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Mar 07
publicado por alemvirtual, às 21:31link do post | comentar

Dia de calor para um início de Março.

Manhã luminosa, astro-rei imperando num céu azul, aqui e ali um pequenino farrapinho branco, matiza o horizonte.

Ainda cedo, aí vamos nós, rumo à margem fértil do Tejo a que chamamos Lezíria. Terra verde, beijando as águas do rio...Povoação antiga, de história e nome para sempre associado ao "campino", ao "touro e touradas", ao "Tejo e à faina marítima" (como diziam os antigos)...

Ao contemplar este rio, brilhante sob os raios de sol, vem-me à memória outras memórias, de quando as suas águas se agitavam revoltas e traiçoeiras...de momentos trágicos em que o rio não foi "pão" mas algoz e sepultura para os que nele se aventuravam em Invernos rigorosos, enfrentando súbitas tormentas ....Ao chegar a Vila Franca vem-me à memória "Esteiros" (de Soeiro Pereira Gomes) e agradeço o seu testemunho real, de vidas amargas de crianças que não foram crianças... valorizo, ainda mais, a vida das nossas crianças de hoje.

E no Parque Urbano de Vila Franca de Xira imensas aguardavam, em ambiente festivo, que chegasse a sua vez de, livres e felizes, correrem nesta terra de passado tão marcante. Mas elas não sabem... a sua inocência desconhece...apenas o presente conta, como para todas as crianças.

Eis que chega um "touro" enorme! Boneco insuflável (creio eu) com alguém lá dentro que lhe dá vida e faz as delícias da petizada. Até eu corri para o "touro". Uma foto marcará o momento para a posteridade (um feito heróico, já que tenho pavor de touros e afins, só que este era inofensivo!)

Tiro de partida. Uma multidão colorida aventura-se nesta terra de aventura...são imensos. O rio acompanhá-los-á uma boa parte do percurso. Campinos e prados verdes farão parte dessa moldura Ribatejana. Mais uma vez a beleza da paisagem realçará a beleza da corrida.

Ficamos a olhar até que o último atleta se perde de vista...

Voltamo-nos para o rio. Entre risos e gritos de incentivo dos "papás" e "mamãs", de tios e avós, partiu agora  a pequenada. A família correu com eles, na ânsia de acompanhar os seus primeiros passos no mundo da corrida...os seus primeiros esforços...as suas primeiras vitórias...a felicidade de chegar ao fim. Máquinas em punho, tentava-se registar ao máximo cada momento.

Eis que é hora de nos posicionarmos na linha da meta. Aplaudir, incentivar os que vão chegando...Aguardar os conhecidos, os amigos, a família...

Lá vem um...depois outro e outro e outro....vamos gritando o nome de cada um até ficarmos sem voz. Parecemos possessos de um estado febril.

Chegaram todos.

Suados...olhos brilhantes... cansaço ou  emoção?  Ninguém fica indiferente à Lezíria...entra-nos pelos olhos e fica no coração.

No regresso, a partilha dos momentos únicos que cada um viveu...ávidos de tudo...perpetuando esta manhã...e a corrida parece continuar...permanece em nós.

Até para o ano. É uma promessa.

 

Campino de Guarda


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