existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
26
Out 10
publicado por alemvirtual, às 19:28link do post | comentar

O que a seguir transcrevo é um apontamento que fiz em 2007. No ano de 2010 (como em muitas outras ocasiões) lembrei-me dele e da indignação que entrou em mim e se instalou desde então... Talvez, com a sua leitura, se entenda por que, ontem, uma notícia em horário nobre de informação me tomou de assalto, provocando a mesma repulsa, a mesma revolta, a mesma raiva surda de me sentir impotente perante esta e outras "justas" (digo eu), causas sociais. Continuo a perguntar: Onde está a nossa política social? Que país é este, onde padrões tão díspares do que é prioritário (uma vez que não se pode chegar a todo lado e ao mesmo tempo) coexistem lado a lado? Que assimetrias se instalam e, pacificamente, a elas nos habituamos como se de naturais e não aberrantes se revestissem...

 

Não que tenha algo contra ginásios e promoção da boa forma e bem-estar físico e psíquico;

Não que tenha algo contra barcos que "não se afogam";

Não que tenha algo contra ferrovias...ou pistas...ou altas cilindradas...

Não tenho nada contra; apenas cada "macaco no seu galho" e, por cá, ando farta de "macacadas"...

 

Apenas tenho algo contra a promoção de tudo isso e a interdição de produtos básicos...Exagero? Basta entrar numa farmácia e ouvir os idosos, como eu ouvi ontem...ou reparar no "saquito" de compras que sai de um supermercado para uma família de 4 ou 5 pessoa...ou reparar no rosto macilento e olhar vago de muitos alunos para quem uma perna de frango é quase tão inalcançável quanto os motivos daquela "revolta" que a professora de História fala...bem..afinal, talvez não! Revolta, começa ele (e eu) a sentir cada vez mais!...

 

(com as devidas reformulações de "números", creio que há coisas que permancem actuais)

 

 

2007

Ontem disseram-me: "escreve com ironia sobre isso. é o que resulta melhor neste país"

 

Claro que só posso começar com ironia, mas nunca falar com ironia sobre a avalanche de indignação e revolta (motivada pelo sofrimento, sobretudo) que nos invade, sempre que se anunciam medidas do género e, inevitavelmente, nos fazem reviver outras situações.

Passo a explicar-me, ou melhor, reforço o pedido de explicações, FEITO HÁ MESES ATRÁS, a quem de direito, às cabeças iluminadas e de ENORME sentido de justiça social,  defensores e praticantes convictos de autênticas políticas sociais! Apologistas da exclusão, da segregação e de umas quantas hipócritas  atitudes, camufladas sob o apanágio de estimular, incentivar e proporcionar a igualdade de oportunidades e acesso de TODOS a uma vida mais saudável. Neste caso, baixando o IVA na prática de actividades desportivas.

Pois, que se promovam e criem, respectivamente, hábitos e condições, para a adopção de estilos de vida saudável, acho MUITO BEM. Reconheço o mérito de tal (é sinceramente) e congratulo-me por ser cidadã deste grande país (ironicamente)! Mas, respondam-me agora, Senhores Ministros, membros do governo a quem EU NÃO AJUDEI a eleger (aliás, se mudassem os nomes, os rostos e a orientação política, os resultados seriam diferentes ou manter-se-iam os mesmos? Eterna questão, tal como discutir o sexo dos anjos), repito, expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra, (talvez seja e não consiga compreender a lógica que superintende a tão benevolente acção) por que razão, existem condições para reduzir o valor de IVA nesta situação e continua a persistir a situação caricata, abusiva, repugnante de se APLICAR 21% DE IVA  NA AQUISIÇÃO E ALUGUER NOS SEGUINTES ARTIGOS:

 

CADEIRA DE RODAS 

CAMA ARTICULADA

ALMOFADA

COLCHÃO ANTI-ESCARAS

ARRASTADEIRA

CHUVEIRO PARA CAMA

CREMES E AFINS DE GAMAS CONSIDERADAS "DE BELEZA" MAS UTILIZADAS PARA TRATAMENTO DE SEQUELAS DE RADIOTERAPIA E CLOIDES CIRÚRGICAS

... 

 

Pois é. Isto ainda não consegui entender. Bem, nem pensem que sou contra a medida anunciada, ontem, pelo governo. Sinto é a memória da minha filha insultada quando penso na situação que viveu, desprotegida por toda e qualquer medida governamental e de quantos necessitam de ajudas técnicas e outros produtos indispensáveis a alguma qualidade de vida, na vida que se apaga. Estabeleço comparações com aquilo que se entende por PRIORITÁRIO nas questões de saúde...

 

A Margaret teve sempre (ou pelo menos, gosto de pensar assim) tudo quanto foi possível adquirir, ou pelo menos o indispensável, para enfrentar a sua doença. Mas há quem não possa assumir essas despesas, ou será que não há? Será que 200 ou 300 € de reformas e pensões (grande parte dos nossos idosos, aufere pouco mais que isso) chegam para cobrir as despesas de uma vida diária e ainda mais as de saúde?  Muito mais que isso (não sei nem vou querer saber) pagávamos nós na farmácia e já deduzida a comparticipação do nosso sistema de saúde!

Tudo se paga! Até a MORFINA!!! (nem quero recordar o nome dos malvados comprimidos para tomar no "intervalo" dos MST....)

 

Até uma cama articulada para quem estava imobilizada totalmente (nem sequer estava em recuperação, como acontece, por vezes, o doente obrigar-se a imobilização por isto ou aquilo). As lesões na coluna com a progressão da doença, remeteram-na para a paralisia total, em questão de horas.

Agora, digam lá, é justa a minha revolta quando ouço o nosso governo, envaidecido ao máximo, anunciando estas medidas? Será legítimo aplaudir quando estou prestes a explodir de indignação?

Não consigo. Há medidas boas, sim. Esta será uma delas - vejamos os resultados. Mas, Senhores Ministros, há ainda muito por fazer.

Venham-me lá falar de PROTECÇÃO NA DOENÇA!!!!

 

 

 

Já ouviram falar da pirâmide de Maslow? Olhem com olhos de ver para o Zé Povinho e tirem as vossas conclusões.

 

Eu, sempre que puder, falarei e quando não puder falar, espero que outros o façam por mim.

 

"Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não...."


"Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não...."
Associar as suas palavras ao Adriano Correia de Oliveira e a sua "Trova do Vento que Passa" é dizer que ao longos de tantos anos as justas aspirações dos portugueses estão por cumprir, da clandestinidade até aos dias de hoje, e não sabemos até quando, tudo tem sido uma mentira e todos nós temos permitido que assim seja. Hoje as coisas estão muito difíceis mas não devemos desesperar, devemos sim é "gritar" a nossa revolta e tudo fazer para contribuir e alterar este estado de coisas, como? o seu exemplo também é uma forma de alertar algumas consciências, que aparentemente andam adormecidas, é também através das letras e da escrita que demonstramos o nosso descontentamento e se temos este meio porque não utilizá-lo?
Obrigado pelo alerta que faz e oxalá que obtenha o eco que merece.
Um beijinho



joaquim adelino a 26 de Outubro de 2010 às 22:04

olá! é revoltante isso acontecer no nosso País. relembro casos que li ou que me disseram, de um homem sem braços ou sem pernas e que a segurança social deu como apto para trabalhar, ou o caso da professora ou funcionária de uma junta de freguesia com cancro e que era obrigada a ir para o trabalho, nem que fosse estar lá esticada numa cadeira. Uma pessoa com cancros a ser obrigada a ir trabalhar? Ainda hoje disse que o Governo não defende os Portugueses. Para aquele menino de Lousada, que despareceu não houve tanta busca, fez-se pouco e para a Maddie, fez-se muito, tornou-se num caso mediático.....e os portugueses ? é a minha opinião! O dinheiro que gastou, deveria ter sido tudo comparticipado... as melhoras da Pernita, e repouso para ver se melhora rápido e se fica boa. um abraço
nuno a 26 de Outubro de 2010 às 23:01

Olá Ana Paula
terminaste com as últimas palavras da trova, numa espécie de comentário ao que disses deixo as primeiras palavras dessa mesma trova:
"Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz."

Curiosamente no mesmo dia em que escreveste o teu post usei as mesmas palavras com que terminaste o teu post em um comentário que fiz num blog de um companheiro nosso...

Recupera rápido que as corridas esperam por ti, nós também.
Grande abraço,
António Almeida
António a 27 de Outubro de 2010 às 22:12

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