existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Jan 11
publicado por alemvirtual, às 18:37link do post | comentar

Nem sempre é fácil falar aos jovens. Menos fácil ainda é, por vezes, que os jovens nos escutem.

Hoje, durante a manhã, falei com jovens e falei aos jovens. Sobre uma outra jovem, a minha filha.

Algumas escolas secundárias, têm-me endereçado convites para apresentar a minha "Estrelinha Azul". Hoje, estive na Escola Secundária Jácome Ratton, em Tomar.

Encontrei uns jovens maravilhosos. Numa atitude interessada, respeitosa quiseram saber mais sobre a vida da Margaret, sobre a sua luta contra o cancro e sobre a sua forma positiva de estar na vida.

Alguns choraram. Em todos vi olhares de ternura. Senti-me bem. Senti que a mensagem de amor e coragem da Estrelinha Azul contagia corações adultos e corações mais jovens.

Enquanto existirem pontes de afecto, os afectos não se desmoronam. E a linguagem dos afectos, é tão fácil...

 

 

Lembrei-me de umas palavras de 23 de março de 2010...

 

A Educação e a Força dos Afectos*


Falar de educação é falar de envolvimento, de afecto, de amor. Como é sabido, e o povo na sua imensa sabedoria confirma “amar nunca é demais”. Também se sabe que o amor não se compra e assim sendo, quantas vezes, é nas casas mais pobres que encontra as suas mais ricas expressões de afecto...

Porém, educar com afecto não é sinonimo de permissão absoluta, de omissão, de ausência ou regras ambíguas. Há limites e há fronteiras. Há definição de papéis. Há exigências. Há esforço.

Não é intenção, nesta “meia dúzia de linhas” abordar teorias, fazer apologias ou análises pedagógicas, psicológicas ou sociológicas sobre educação. É simplesmente uma partilha sobre algo tão complexo e delicado quanto é o acto educativo.

Educação pelos afectos pressupõe, obviamente, pensar-se na relação pais-filhos centrando a aprendizagem nos filhos e o ensinamento nos pais. Como é natural...

Por vezes, precisamos de situações extremas para que se reflicta em realidades que quase passam despercebidas; não fossem as tais situações extremas que chocam e fazem pensar...

Hoje, e porque importa (quantas vezes) chocar para reflectir, vamos inverter este paradigma. Falemos da educação dos pais, através dos filhos.

 

Tive uma filha. Muitas vezes, me interrogo se a terei ajudado a viver. Não sei. Mas sei que recebi dela os melhores ensinamentos que compêndio algum pode suplantar. Ensinou-me, na primeira pessoa, a importância de coisas tão simples como...

o Tempo – a brevidade e a relatividade do tempo...Que qualidade de tempo? Que quantidade de tempo? Que valorização do tempo para nós e para os outros?

a Palavra – o poder da palavra... Da palavra que magoa ou acalenta, da palavra que apoia ou critica; Da palavra que educa e corrige; Da palavra que acalma e compreende; Da verdadeira palavra que comunica e da palavra que ama;

a Escuta – ouvir o Outro... “Estou aqui para te ouvir...o que dizes, interessa-me; fala comigo” – é a linguagem silenciosa da atitude na escuta activa.

a Presença – Estou aqui...agora que tu sofres; agora que tu ris; agora que estás confuso; agora que estás com medo; E vou estar sempre aqui...nos teus sucessos e nos teus fracassos. Conta comigo.

A Confiança – confio em ti; nas tuas escolhas, nas tuas acções; se tu errares, sou eu que erro contigo;

Com ela aprendi muitas outras coisas, como a Coragem nas horas difíceis; a Alegria dos pequenos nadas; a Esperança quando nada resta.

Aprendi que os pais também recebem lições de vida. E na humildade de quem ama, se dá testemunho da mensagem recebida. Para outros pais. Para outros filhos.

Fernando Pessoa disse que “a morte é a curva na estrada; morrer é só não ser visto”.

A minha filha apenas se afastou para lá da curva da estrada. Foi um orgulho ter caminhado a seu lado.

 

Posso não ser o filho que desejaste, mas sou o filho que tens. Estou aqui.

* “A Força dos Afectos” é um livro da autoria de Torey Hayden. Recomenda-se. ...”com a dose certa de amor e compreensão não existem causas perdidas”

Ana Paula Pinto

in JORNAL SEGUNDO TOQUE - Agrupamento de Escolas de Sardoal


Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida ...

Abraço e bom fim de semana.
manuel marques a 28 de Janeiro de 2011 às 21:49

Olá Amiguinha!

De facto as pontes de afecto não desmoronam-se e a linguagem dos afectos também é fácil, o difícil é construirem-se as "ditas" pontes e demonstrar os afectos o que que vai sendo raro nos dias de hoje, felizmente ainda há pessoas que o conseguem fazer e a Ana é uma delas, sempre com carácter altruista, apesar da luta(dor) interior de uma Mãe.

Um grande Beijinho cheio de saudades para a minha amiga benfiquista e Mãe da Margareth e do Miguel!
Fábio Dias a 29 de Janeiro de 2011 às 20:42

Oi Aninha.. seu livro chegou hoje.. lerei com muitooo carinho!!!
Fiz um post especial sobre isso..

bjs
FIque com Deus
Jacke
Jacke Gense a 1 de Fevereiro de 2011 às 17:36

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