existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Mai 11
publicado por alemvirtual, às 22:03link do post | comentar

Não corri, mas remei.

 

Esta foi a minha primeira experiência em canoagem no Tejo. Já tinha descido o Zêzere, desde a barragem do Castelo de Bode até Constância. Um rio cristalino e fresco, com margens verdes e pequenos rápidos com seixos redondos e rochas pontiagudas. O Zêzere é um rio impetuoso como um jovem. 

Mas o Tejo é o "nosso rio". Foi numa vila ribeirinha que nasci. O rio é como as raízes que nos fixam à terra; é a ligação que permanece de uma memória quase colectiva, de um passado local construído em torno do rio. Do rio e da labuta da população nas suas águas, tantas vezes traiçoeiras...mas isso é uma outra estória...

 

O dia nasceu esplêndido. Céu azul, sol intenso e uma brisa fresca agitando os salgueiros...uma cumplicidade vivida entre a água corrente e a folhagem que nela mergulha. A intimidade de uma canção em notas de suaves mumúrios... e neste quadro de azul e verde, as canoas coloridas deslizando rio abaixo.

Partida de Constância, ainda no Zêzere, para logo nos lançarmos nos braços do Tejo. Olha-se Constância, da confluência, onde um e outro rio se unem e, abraçados, partem em direcção ao oceano, bem longe, para lá da barra.

É a sedução do encontro dos dois rios.

Fica para trás a Vila Poema e rema-se alegremente em direcção a uma outra vila, igualmente florida, Tancos. Antes, uma paragem numa praia de seixos, aos pés de uma terra com o nome do "Ribatejo" - Praia do Ribatejo, outrora Paio de Pele.

A corrente é forte. Remar torna-se fácil. Avançamos depressa demais. Chegamos ao Castelo de Almourol. Surge altaneiro com aquele ar de mistério, de lendas mouras e princesas encantadas.

Com as canoas em segurança na estreita língua lodosa, subimos à pequena ilha. Abunda vegetação característica do norte de África, como há centenas de anos atrás. E mais uma vez, parece que mergulhamos, não nas águas frescas do Tejo, mas no próprio tempo.

Ergue-se entre rochas com torres adossadas, quase descendo junto à margem, e uma Torre de Menagem quadrangular, de onde se lança o olhar num deleite paisagístico, num espaço verde a perder de vista.

É o assalto moderno ao romantismo do castelo. Uma invasão pacífica e maravilhada por percorrer páginas de história feita pedra.

Voltamos ao rio e à última etapa. O sentimento de que tudo estava a acontecer depressa demais. Queria que durasse mais, que se prolongasse a união com o rio, mas eis-nos chegados aos cais do Parque Almourol, em Vila Nova da Barquinha, onde a aventura náutica terminaria.

Lá, espera-nos uma equipa que tinha confeccionado um manjar digno deste reviver o passado, quase uma refeição medieval, servida com simpatia e muito condimento. Como nos tempos em que as especiarias e as ervas aromáticas eram produtos finos que as rotas das Índias traziam para as ricas mesas medievais... Uma sopa de peixe com coentros; um porco no espeto regado com ervas do campo e fatiado pouco a pouco (como num filme gaulês). 

Depois do almoço, o convívio prolongou-se entre o descanso nas esplanadas do parque e umas brincadeiras com bola.

Um dia memorável. Um dia a repetir. Uma atracção pela água que não se pode negar.

 

A empresa organizadora do evento merece os maiores elogios. Tudo foi acautelado; cumpridas todas as regras de segurança. Antes da saída, a verificação do equipamento; as explicações técnicas; dois monitores seguiam à frente do grupo, outro fechava este "cortejo".

Tudo muito bem organizado e preparado nos mínimos pormenores para que os participantes se sentissem felizes.

Não foi uma epopeia épica, mas foi uma aventura que compensou, em abundância de emoções e descobertas, a tristeza de não ter corrido.

No sábado não corri. No sábado remei. E podem crer que adorei.

Foi magnífico. Recomenda-se.

O rio e as suas oportunidades de turismo, de lazer, de aventura e de cultura são inesgotáveis. Venham à sua descoberta. Revitalizar, promover o Tejo como elemento turístico é, e deve continuar a ser, a aposta destas comunidades.

Os tempos mudaram. A forma das populações se relacionarem o rio também. Mas continua a ser uma fonte inesgotável de oportunidades promotoras e de requalificação e melhoria nas condições de vida. Tejo é um produto turístico que importa fazer crescer...

 

 (antes da partida em Constância - Zêzere)

 

 

(com monitores AVENTUR, numa praia entre Constância e Tancos)

 

 

 

 

 (Castelo de Almourol, visto do lado esquerdo do rio)

 (vista do castelo; ao fundo, Tancos; depois da curva, será Barquinha)

 

 

 (Chegada ao Parque Almourol - Barquinha)

 

 

continua...

 

 

 

 


Um passei que vale apena e é para repetir.

Abraço.
Manuel Marques a 24 de Maio de 2011 às 19:12

Deve ter sido bem giro. Fiz uma coisa dessas há uns anos e agora quero ver se faço um dia com a Mafalda...mas o tempo passa e não há meio...

Vamos a ver... se é esta Primavera/Verão

Beijinhos
Ana

Ana Pereira a 25 de Maio de 2011 às 00:15

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