existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Fev 07
publicado por alemvirtual, às 15:46link do post | comentar

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No dia 7 de Outubro de 2004, numa tarde quente, tocaram a minha campainha. Uma “grande” comitiva subiu as escadas, transportando uma cesta ao colo. À frente, a Leonor (7anos), a Beatriz (5anos), o João Augusto (4 anos), depois a Paulinha (12 anos), seguidos da minha irmã Leninha (mãe adoptiva da Paulinha) e da minha amiga Anabela (mãe da restante “creche”)…Todos com um sorriso, enorme, contrastando com o ar ainda pesaroso das duas adultas…

(Importa dizer que, dois dias antes, o Spot – o cão dos meus filhos, um alegre Fox Terrier, - tinha morrido de forma trágica e por minha culpa, ainda que provocada involuntariamente. Todos nós gostávamos do Spot e o desgosto causado pela sua morte foi enorme, mas essa história fica para outro dia)

Vinham oferecer algo para “compensar” a perda. Abriram a cesta…e uma bolinha minúscula de pêlo branco chegou a minha casa. Parecia um peluche de dimensões reduzidas. Tão reduzidas que, qualquer pequeno espaço ou buraco se tornavam abrigos secretos para ele. Durante muito tempo não conseguiu subir ou descer um passeio, um degrau, descer de um sofá (punha-o aí se por acaso queria limpar o chão e evitar que ele o pisasse…fosse qual fosse o tempo necessário ele lá ficava) ou sequer andar na rua com uma trela (peso enorme para ele). Estes passeios na rua eram um verdadeiro delírio para quem o via, pois o pobre animal, fincava as patinhas no chão e não andava…deslizava como se estivesse em cima de um skate, quando lhe puxávamos a trela. Era frequente ouvir: “Deixem passar a formiga” – se, por acaso queria atravessar a rua ou: “Tens uma amostra de cão” ou ainda: “Deram corda ao peluche”…

Mas voltando ao dia em que ele entrou nas nossas vidas…

Ao princípio tínhamos alguma dificuldade em olhar para ele e aceitá-lo. Era como se fosse uma traição ao Spot. Referíamo-nos a ele dizendo “ele” ou “o cão”… nem nome tinha sequer…Um dia, enchi-me de coragem, chamei os meus filhos e disse-lhes:

- Convoquei esta reunião familiar para escolhermos um nome. Deve ser um nome com bastante sonoridade, fácil e engraçado.

Muitas sugestões… Finalmente…”ÓSCAR”. E ficou Óscar.

 

O Óscar foi comprado com sarna ou uma doença parecida, mas que se desconhecia ser portador. Dormiu as primeiras noites com o meu filho e, passados dois dias, ele não aguentava a comichão e as manchas vermelhas (sintomas psicossomáticos pela morte do Spot ou qualquer reacção alérgica, pensei). O Óscar veio dormir comigo. Passou-se exactamente o mesmo. Durante mais de um mês, quem quer que se aproximasse do Óscar ficava irremediavelmente cheio de manchas e comichão… coitado do Óscar. Muitos foram aqueles que tiveram de recorrer ao hospital, incluindo nós, lá de casa, claro! Medicamentos, análises, banhos….enfim…nada se comprovou, mas pouco a pouco tudo passou.

 

E passou também o tempo e, com ele, muitas peripécias e histórias engraçadas…outras nem tanto.

Lembro-me daquela vez em que, num dia de jogo do Europeu de Futebol, bem perto da final, em que Portugal jogava com uma equipa de que não me recordo o nome, o Óscar tinha resolvido banquetear-se até mais não poder no prato do seu “irmão emprestado” sem que eu soubesse…deitou-se no chão da sala, perto de mim, todo esticado, imóvel, sem reacção nenhuma. Eu, aflita, dizia :”Osquinho, Osquinho” – tentando perceber o que se passava com ele. Entrei em histeria. O Óscar não se mexia, não reagia. Prostrado. Quase inanimado. Corro para um Hospital Veterinário. Fica o jogo. Os preparativos para o jantar, ao qual deveriam comparecer alguns amigos…tudo é deixado para trás. Eu, só imaginava o meu Osquinho morto. Estava desvairada. No hospital, radiografia para cá, análises para lá, apalpa aqui, mexe ali…diagnóstico: excesso de comida. O trânsito intestinal estava parado. Clister e mais clister…”Não há motivo para alarme – disse o veterinário. É o que acontece a quem tem mais olhos que barriga!”

 

Há mil histórias do Óscar para contar.

 

Todos gostam dele. Companhia fiel em todos os momentos. O Óscar enche a casa com as suas brincadeiras e as nossas vidas com a sua alegria.

Tal como o slogan da Pedigree “Somos pelos cães”, eu digo “Somos pelo Óscar!” Grande amigo de 4 pequenas patas!

 

 

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