existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
01
Fev 07
publicado por alemvirtual, às 18:24link do post | comentar

 

No início de um novo ano, mantenho os velhos sonhos e acalento sonhos novos…

Novo ano, nova vida ou nova oportunidade de recomeçar, de emendar o menos bem e de melhorar o quase bom, sempre numa perspectiva de mudança, numa evolução qualitativa. Estes marcos, embora simbólicos, prestam-se a estabelecer limites, rupturas com velhos comportamentos, inícios de outras formas de ser e estar, assentes nas vertentes de pensar, sentir e agir, norteados por valores mais altruístas.
Por natureza, o ser humano deveria procurar a perfeição e a busca da felicidade. Ai daquele que não persegue esta utopia e do que perdeu a capacidade de sonhar. São os sonhos que alimentam a própria vida, lhe dão cor e adoçam o sabor, tanta vez amargo, da realidade.
Que sonhos para este novo ano? Principalmente nunca deixar de sonhar… se um sonho se desfaz, é urgente substituí-lo por outro. Sonhar sempre…sonhos enquanto pessoa, sonhos enquanto mulher, sonhos enquanto mãe….e… sonhos no novo papel (ainda não consolidado) de “atleta”. Pois é, quando me sentirei uma atleta? Será que toca algum sinal de alarme, num dia determinado, assinalando a entrada para o mundo dos atletas? Ser uma atleta, é sentir, pensar e agir como uma atleta? Como sentem, pensam e agem os atletas?
Que distância ainda me separa desse mundo mágico que pretendo descobrir…
Nas provas, a emoção é intensa e imensa…tudo absorvo com os “olhos do coração”. Esse meu mundo interior é quase tão rico e vasto quanto a moldura de uma corrida: variedade de paisagens, sons, cores, sorrisos, gracejos, suor …
Uma corrida é quase como uma peça de teatro em que os actores ensaiaram mais ou menos bem e assumem o seu papel.
Eu não ensaio bem o meu papel. Quero-o assumir, interiorizar e interpretar, mas… Ai as tentações do quotidiano! O cigarro que teimo em acender… A voz da razão, aconselha-me: “Não fumes! Se queres correr, não fumes!” Outra voz, ainda não sei bem de onde vem, diz-me: “É só mais este. Afinal, um cigarrito a mais ou a menos, em tantos anos de vício, não faz diferença!”
Depois vêm os treinos. A dificuldade em vencer a inércia… em deixar o aconchego do lar, o conforto de uma lareira acesa para enfrentar o vento gelado nas bochechas…
Por fim, vêm as dores. Dói-me tudo! Os joelhos que parecem ranger e estarem a ficar rígidos… as pernas que parecem presas e a não suportarem o peso do corpo… os pés que parecem chumbo…
Comecei há 4 meses a ser “aspirante” a atleta. Ainda não ultrapassei os 10 Km em provas, nem os 14 em treinos. Mas hei-de chegar aos 20!!! Km, claro! Quem me conhece pensa que isto é mais uma extravagância minha e estão cépticos quanto à minha persistência em aceder ao mundo da corrida.

Neste ano de 2007, tenho um sonho diferente…Ser pertença de um “mundo” diferente: um mundo verdadeiramente incluso, o mundo da corrida. Nas poucas vezes que o vislumbrei, vi pessoas felizes. Vi que o sucesso dos outros é vivido por todos. Vi que todos podem ganhar. Vi desconhecidos a ajudarem-se mutuamente, a sorrirem, a incentivarem os mais “fracos”, a correrem lado a lado pobres e ricos, cultos e menos cultos, brancos e negros, homens e mulheres… sem barreiras, sem violência, sem preconceitos, sem diferenças de espécie nenhuma. Ali, a única diferença é marcada pelo ritmo da passada.
É nesse mundo que eu quero viver!


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