existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
03
Jul 07
publicado por alemvirtual, às 08:50link do post | comentar

Corrida curta, mas prazer prolongado e esforço acrescido...

 

No Domingo, primeiro dia de Julho, corri na Póvoa de Santo Adrião. Prova excelente, num percurso de 4,5 Km com duas "rampas" de nos roubar o fôlego...em contrapartida brindavam-nos com músculos retesados e rígidos e salgadas gotas de suor, rolando sobre a pele escaldante. Valeu-me a temperatura amena, apesar do sol que às 10h da manhã brilhava em todo o seu esplendor.

 

Demorei 23´e 46´´ a completar o percurso. Ao fim do primeiro quilómetro considero o meu desempenho como "muito bom". O cronómetro marcava 4´30´´, após uma subida descomunal. Tenho que o avaliar em função do treino (que não tem sido regular e só em corrida lenta) e das condições físicas e psicológicas nesse momento.

Consegui um segundo lugar que, francamente, foi merecido pelo esforço dispendido. O tempo, esse terei que melhorar...

 

Como sempre encontra-se gente  solidária e afável. Na segunda "rampa" contei com o apoio de um desconhecido que sentia estar há algum tempo atrás de mim. Colocou-se a meu lado e acompanhou-me em quase toda a subida...fui ficando para trás à medida que a rampa se aproximava do fim. Chegada ao topo, a minha diferença era já de alguns metros. Recuperei em estrada quase plana e na descida acentuada que se lhe seguiu. Ultrapassei-o e mantive a distância até cerca de 150 metros da Meta. Já com o recinto festivo à vista, eis que o meu "companheiro" surge de novo a meu lado e juntos chegámos ao fim. Ele, cavalheiro, cedeu-me a passagem (a senhora sempre primeiro).

Enquanto aguardávamos a distribuição dos prémios encetámos conversa e soube da Milha Nocturna em que  iria participar, no próximo fim-de-semana. Fiquei com vontade de ir.

Despedimo-nos com um abraço.

Devolvi a um outro desconhecido os alfinetes que me tinha emprestado, com um sincero "obrigada".

Gente boa, pensei. Nas corridas só encontro gente de bom coração. E motivos para sorrir, também, se não quiser reflectir um pouco (não é preciso muito) para perceber que a cultura desportiva e a sua prática como forma e estilo de vida mais saudável, numa verdadeira promoção da saúde ainda está a anos-luz de se conseguir para uma grande camada da população portuguesa. Há uma franja social, resistente à mudança e arreigada a normativos e estereótipos adquiridos e transmitidos de geração em geração, neste nosso Portugal tão faminto de formação e iinformação: as mulheres.

Sim, as mulheres, minhas iguais que também eu sou mulher. As mulheres de 40 ou 50 anos. Este escalão etário é "terrível" guardião de preconceitos...mulher fica em casa e prepara o almoço, não corre ao Domingo e muito menos, nos outros dias da semana quando tem a roupa, o marido e os filhos para cuidar. Eu consigo cuidar disso tudo e corro. É posssível e não sou nenhuma super-mulher. Antes pelo contrário. Necessito somente de planificar e estabelecer prioridades e quando não consigo cumprir tudo, lembro-me da máxima de um meu professor de administração: "Primeiro as tarefas importantes e só depois as urgentes". Posto isto, verificamos que engomar um lençol que pode bem transitar para a próxima leva é bem menos urgente que sair meia hora para correr, enquanto há sol... que bem nos faz o sol à mente e à alma...

Pois, na Póvoa de Santo Adrião, uma senhora resmungava bem alto para ser ouvida, enquanto descia a estrada onde os atletas se concentravam:"Vão mas é trabalhar! Não têm nada para fazer??"". Ao que eu, não me contive e retorqui:"Tenho muito que fazer, mas estou aqui!" E logo ela, irada, proferiu uma série de impropérios contra mim, contra todas (as poucas mulheres) que ali estavam e contra todos aqueles que pacificamente se concentravam para uma prova desportiva.

Há um grande trabalho a fazer, sim senhora....

 

 

Parabéns à organização da prova, aos órgãos autárquicos e às entidades que a apoiaram. Esteve tudo "5 estrelas" para os miúdos e graúdes. Houve ainda o sorteio de uma bicicleta que fez as delícias do jovem a quem a sorte ditou a sua entrega.

 

Conheci mais uma localidade da cintura urbana de Lisboa e em boa hora desfiz um falso pressuposto, próprio de quem está habituado à pacata vida de província: os arredores da capital, não são locais perigosos, nem hostis. Podem e são, até, sítios agradáveis para viver com uma rede de vida social e comunitária bem estabelecida.

 

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Bom dia Eduardo

Agora, deixou de ser "desconhecido".
Agradeço, uma vez mais, a sua simpatia. Interromper o aquecimento para ir procurar alfinetes para uma pessoa que nunca viu na vida foi algo que me sensiblizou.
Vou tentar nunca mais me esquecer dessas coisinhas tão insignificantes, mas que assumem tanta importância quando se pretende colocar um dorsal e não se tem como :)
Um beijinho ao Eduardo José e até à próxima prova.
Paula

Olá Paula,
boa tarde...para ser sincero quando você me pediu se eu tinha alfinetes, disse que não porque minutos antes já tinha interrompido o meu aquecimento para ir ao carro procurar alguns para "desenrascar" um Amigo. Mas...e há sempre um mas...eh, eh , eh...continuei a fazer o meu aquecimento e ia pensando...não posso deixar uma "companheira " das corridas enrascada por causa de uns miseros alfinetes e vai daí voltei ao carro e procurei os mesmos para com muito gosto lhe entregar.
Somente não contava com o facto de você no final da prova se dirigir á minha pessoa para devolver os ditos cujos, como se de algo precioso se tratasse. eh, eh, eh. Sábado sempre vai a Odivelas? Se for lá não é preciso levar alfinetes poque eu eu vu lá estar para a Légua nocturna, ehh, ehhh, ehhh.Bjs.Edu
Anónimo a 5 de Julho de 2007 às 17:24

Olá "desconhecido"

Em princípio vou estar, mas não sei. Deixei de fazer planos. Vou vivendo conforme a vida vai permitindo.

Claro que lhe devolvia os alfinetes a não ser que não o encontrasse de novo. E são precisos sim, especialmente naquela situação. Obrigada.
Ah! E não vou levar alfinetes para Odivelas. Conto consigo.
Beijinho
Paula
alemvirtual a 5 de Julho de 2007 às 18:34

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