existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
25
Mar 07
publicado por alemvirtual, às 18:52link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarto dia da estação da Primavera, do ano da graça de 2007. Dia 25 de Março, Domingo, VII Prova Prof. António Lopes, Salvaterra de Magos.
 
Numa das rotundas principais da vila, um artista perpetuou em bronze a dialéctica homem-touro, eternizando o movimento selvagem do “rei” das lezírias perante a supremacia corajosa do campino, num confronto de titãs.
 
A povoação, ainda dormia placidamente quando começou a ser invadida pela multidão colorida dos participantes da corrida. As ruas, antes vazias e silenciosas, encheram-se, ganharam vida e alegria. Música e vozes disputavam um lugar no entendimento de cada um…
Nos altifalantes espalhados pela vila, uma gravação incansável, anunciava continuamente a Corrida do Tomate, seus cavaleiros, grupos forcados e os mártires que mais tarde, fariam o deleite dos aficionados.
Não gosto de touradas. Respeito quem gosta. Reconheço o valor cultural e o peso da tradição nas populações, neste caso na portuguesa, mas prefiro espectáculos menos sangrentos. Bem sei que o toureio e a tourada fazem parte desta identidade colectiva que me “corre nas veias”, mas ainda assim…
Ainda assim, todo o vermelho que desejo ver salpicando o chão é o da papoilas que desafiam o império verde dos campos, elevando-se graciosas ao olhar de quem passa.
Eu passei e corri e vi muitas papoilas na estrada de campo por onde decorreu a prova dos 12 Km.
Comigo, antes e depois de mim, homens e mulheres corriam também. Enchemos a estreita estrada, éramos centenas…E uma paleta colorida alongou-se campo fora… Percurso regular, elevado sobre os campos arados e o verde dos salgueiros, concorrendo com o Tejo serpenteando ao nosso lado, tornando-se visível aqui e ali, num capricho dos verdes braços estendidos…
Tejo azul, céu azul e umas quantas casas de madeira azul, na margem do rio…Garças brancas, cegonhas de peito branco e farrapos de nuvens brancas…
 
O sol brilhava, aquecendo o dia e o corpo dos atletas…Peitos suados, esgares de esforço, determinação no olhar, passadas rápidas, ganhando tempo e quilómetros… assim eram os se cruzavam comigo…eles na vinda, eu na ida.
 
Não importa. Tinha estipulado que o meu objectivo era terminar a prova sem agravar a lesão que teimou em não me deixar durante uma eternidade. Domingo que vem quero participar na Corrida dos Sinos. Não posso estragar tudo: “devagar se vai ao longe”.
 
Quilómetro a quilómetro, uma placa assinalava os já corridos. À frente, na inversão do percurso um abastecimento de água refrescava gargantas sedentas e corpos escaldantes…
 
 Nos últimos quilómetros um desconhecido fez-me companhia. Acertámos o passo um pelo outro…No final, despedimo-nos como dois velhos amigos. Ele agradeceu-me a ajuda que lhe tinha dado. Eu retribuí o agradecimento, pois não sei quem ajudou mais quem…
Gastámos 1h e 8m. Terminei feliz…
Pena nunca conseguir uma camisola que me sirva…Guardo-as religiosamente. São testemunhos das minhas pequenas vitórias. Só tenho L e XL, para quem um S é demais, imaginem… Para que quero eu tanto pano?!!!!
 
img102/4808/corridadesalvaterrademasa2.jpg

mais sobre mim
Março 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17

18
19
21
22
23
24

26
27
28
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO