existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
02
Abr 07
publicado por alemvirtual, às 09:16link do post | comentar | ver comentários (8)

 

 

 img147/4685/corridadossinosgeralil9.jpg

img85/8127/corridadossinoseuchegadwc5.jpg

 

Sou controversa. Sou pacífica. Sou tímida. Sou atrevida. Sou convencional. Sou vanguardista. Sou fumadora. Sou corredora.

O sou poderia poderia repetir-se quase até ao infinito. Não somos nós, enquanto pessoas, tantas pessoas diferentes num único eu? E é esse eu que sendo irrepetível e inigualável nos torna diferentes. E na diversidade reside a riqueza.

 

Pois, iniciando a narrativa, começo precisamente pelo fim.

 

Cheguei! Consegui!

Ouvi o Piiiiiii............. do chip ( eu chamo-lhe chipinho) na linha da Meta.

Tinha decorrido 1h 23´ 38´´ desde o tiro da partida. Ao longo deste tempo, corri e contei um a um, os 15 Km da Corrida dos Sinos de Mafra, nesta que foi a sua vigésima quinta edição.

Integrei os 1106 atletas que concluiram a prova (resultados e fotos em http://www.sinos.aamafra.com).

 

Ao longo dos últimos quilómetros, desconhecidos acompanharam-me e incentivaram-me. Falta pouco. Força. Está quase. São só mais estes dois quilómetros. Vê o parque?

 

Eu via o parque. Via o verde de relva, ornado de  malmequeres e balões amarelos, bandeiras ondulantes ao vento e um mundo de gente que os meus olhos viam felizes...Fui trocando algumas frases com o meu companheiro daquele último esforço e desejei que o troço final não terminasse para prolongar a felicidade que sentia. (E sentia-me também quente e vermelha. Nunca transpiro ou transpiro quase nada, talvez por isso fique vermelha como um tomate e sinta as bochechas prestes a rebentar de calor! Lá se vai a fotogenia...bem, mas essa faceta também faz parte de mim....)

 

 

Alinhados na zona da partida os participantes da Corrida dos Sinos e dos Sininhos. Milhares de balões amarelos esvoaçavam. Ao longe, vislumbravam-se as torres do Convento de Mafra, imponentes, recortadas contra os castelos grossos de nuvens. Soltaram-se os balões e uma salva de palmas espontânea brindou aquele gesto colorido e o início das provas.

 

Os primeiros quilómetros fi-los com os elementos da minha equipa. Talvez até ao quilómetro 7. Depois, cada um marcou o seu próprio ritmo.

Eu gosto de correr e observar. 

Corrida com um percurso nada monótono, aplaudida pelos habitantes locais, emoldurada por imagens populares, típicas das gentes do povo e das aldeias genuínas...vendedoras de fruta e legumes...música nas ruas...um empregado de restaurante apregoando os seus petiscos...

De vez em quando o sol espreitava para logo se esconder atrás de uma nuvem mais teimosa. Algumas gotas de água desciam até aos nossos corpos como beijos suaves...Chuva que não chegou a ser chuva, sol que não aqueceu demais e vento quase brisa...

Que se podia desejar mais? Condições perfeitas para correr.

Domingo perfeito para alegrar as gentes. Muitas regressavam da Missa de Domingo de Ramos e ostentavam os ramos já bentos com que tinham  recriado a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Eu também corri com uma folha de oliveira retirada de um desses ramos e um lacinho de fita de cetim do Movimento Vencer e Viver (das mulheres mastectomizadas).

Corri sempre acompanhada. Com os que iam à frente e atrás. Com quem me acompanhou de vez em quando, lado a lado, ao meu ritmo. Com quem retardou o regresso às suas casas para gritar incentivos e aplaudir. Com quem me esperou no parque, pacientemente e, sobretudo, com quem não esteve presente. O alfinete que tinha aplicado na camisola, antes da prova, discretamente representavam as companhias que iriam correr comigo e por quem iria correr. Por isso, nunca corri sozinha.

 

Sou corredora...por prazer e por um sem número de outros motivos. Eu sei-os.

Os carrilhões emudeceram, não sei quando e permaneceram em silêncio. Mas eu tinha chegado. Conseguiste, Mãe! e Foi muito bem, Paula! soaram aos meus ouvidos como a mais bela sinfonia.

 

Que venham as outras corridas!

 

img224/8676/corridadossinoschegadanc2.jpg

 

À chegada ao parque (bem haja este desconhecido que me acompanhou)

 

img224/6180/corridadossinospraiapj9.jpg

Paisagem da Praia de S. Julião, onde passeámos após o almoço


mais sobre mim
Abril 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

17
20
21

23
24
26
27

29


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO