existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
05
Abr 07
publicado por alemvirtual, às 16:56link do post | comentar | ver comentários (9)

 

 

(foto retirada de anoukmeimporta.blogia.com/upload/lagrimas.jpg)

 

 

Não passei do primeiro andamento. Não consegui mais que um fraco arranhar nas cordas do violino. Acordes arrancados ao acaso em desafinação constante que me expulsaram da orquestra. Pousei o violino e desisti.

Era clara a decepção nos olhos do maestro…batuta esquecida na mão, olhava-me incrédulo, num misto de mágoa e incompreensão. Sim, eu já conhecia aquela peça. Já a tinha interpretado, com sentimento…afinada…agora?

Bem, fui o instrumento dissonante, o que quebrou a harmonia gritando notas soltas, fora do compasso.

Frustrada, triste, curvada sob o peso do desânimo abandonei o palco.

 

O que deveria ter sido um treino de séries não passou de intenção.

Ainda lhe gritei que os objectivos deveriam ser exequíveis, para não rebentar de desgosto. Atirar as culpas para factores externos é uma vã tentativa de justificar o fracasso.

A realidade é que eu não consegui. Já obtive bons tempos nas séries de 400m, desta vez, arrastava-me a passo de caracol. À terceira volta, desisti. Logo eu que desfraldo sempre a bandeira da não desistência! Custou-me. Reconhecer e assumir a incapacidade foi pior que a dor instalada na coxa, logo ao início da primeira volta.

Disse ter vontade de arrumar as sapatilhas. Gritei com azedume de mim mesma que ando a viver uma ilusão. Senti-me amarga, derrotada.

Não existem causas externas para o meu fracasso. Os objectivos não eram exagerados, as expectativas é que eram elevadas, talvez demais e eu não estive à altura…

 

O distanciamento e o desabafo ajudam a ultrapassar desaires…afinal, não vou desistir. Foram palavras amargas, vazias de vontade…a motivação não sofreu nenhuma beliscadura, apenas o ego se feriu neste confronto.

Afinal, sou um sistema vivo. À luz da Teoria Sistémica qualquer variável, por mínima que seja, introduz alterações significativas ao sistema...e ao produto final… Analisei. Reformulei objectivos. E neste movimento de retroacção vou delinear as próximas etapas do projecto, do meu projecto…talvez mais modesto…mas muito pessoal. E assim, de sonhos e projectos vou construindo a minha vida… Se um de desvanece, urge colocar outro em seu lugar para não haver vazio de sonhos. Talvez eu mesma, seja o arquétipo do sonho. Gosto de pensar assim. Se deixar de sonhar, deixarei de viver. Em mim, vive um sonho chamado corrida.

 

Sábado correrei em Constância. Mas, já acrescentei uns minutinhos ao tempo que pretendia fazer. 

 

 

(Foto retirada de: www.teatromicaelense.pt/images/agenda/ag_conc...)

 

 


publicado por alemvirtual, às 11:25link do post | comentar

 

Hoje, veio-me à memória um pouco da minha infância, melhor, de como eu era em criança e de como ainda sou. E isto a propósito do meu plano de treinos.

Um dia, pedi à minha mãe para aprender música. As aulas de Educação Musical no colégio eram insuficientes. Adorava violino e ainda adoro.

Naquele tempo, há trinta e tal anos atrás, na província era um desejo difícil de concretizar (mais tarde pude realizar esse sonho através da minha filha). Como qualquer mãe, ela moveu céus e terra, mas só conseguiu proporcionar-me aulas de piano com a Menina Sofia (chamávamos-lhe assim, mas era uma respeitável senhora de cabelo cinzento e fios brancos, apanhados num rolo). A Menina Sofia dizia:” D. celeste, a Paulinha tem um jeito especial para a música, não o deixe perder.”
Nunca soube se aqueles comentários eram fruto do carinho que nutria por mim ou se tinha, de facto, algum talento.
O que eu sei é que, no início, ia eu toda entusiasmada, já me via a tocar divinamente piano…mas havia a parte teórica. Tinha que estudar e solfejar (coisa que eu detestava). Havia previamente um imenso trabalho a fazer, indispensável para executar até as peças mais simples…Não gostava dessa parte. Difícil esperar…A música perdeu-se nas dificuldades da vida.

Hoje…
Quero correr e correr o melhor que for capaz. Provas grandes e difíceis. Tenho especial predilecção por subidas em terreno acidentado, logo, desejo entrar em circuitos de montanha. Há que treinar e treinar muito. Compensar o tempo perdido e preparar-me, combatendo com afinco para minimizar as incapacidades causadas pela idade e anos a fio, ausentes de qualquer preparação.
O treino é a parte teórica da música. É aquela que ninguém vê. A participação na corrida é a execução musical. Os tempos alcançados são a mestria e a sensibilidade com que se põe um violino a gemer ou uma guitarra a trinar.
Tal como quando era criança, tenho pressa…
Mas tenho que respeitar o compasso da partitura. Seguir a orientação do maestro…
E o “maestro” hoje, diz que o treino é composto por séries na pista e musculação para as pernas. Não gosto, mas vou. É um trabalho solitário e invisível.
Não quero entrar fora de tempo quando integrar a orquestra da Corrida dos Castelos. Quero ser um instrumento que tocou afinado aquela magistral sinfonia, nas serranias alentejanas.
Vamos ao treino porque eu quero ouvir as palmas.


mais sobre mim
Abril 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

17
20
21

23
24
26
27

29


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO