existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
05
Abr 07
publicado por alemvirtual, às 11:25link do post | comentar

 

Hoje, veio-me à memória um pouco da minha infância, melhor, de como eu era em criança e de como ainda sou. E isto a propósito do meu plano de treinos.

Um dia, pedi à minha mãe para aprender música. As aulas de Educação Musical no colégio eram insuficientes. Adorava violino e ainda adoro.

Naquele tempo, há trinta e tal anos atrás, na província era um desejo difícil de concretizar (mais tarde pude realizar esse sonho através da minha filha). Como qualquer mãe, ela moveu céus e terra, mas só conseguiu proporcionar-me aulas de piano com a Menina Sofia (chamávamos-lhe assim, mas era uma respeitável senhora de cabelo cinzento e fios brancos, apanhados num rolo). A Menina Sofia dizia:” D. celeste, a Paulinha tem um jeito especial para a música, não o deixe perder.”
Nunca soube se aqueles comentários eram fruto do carinho que nutria por mim ou se tinha, de facto, algum talento.
O que eu sei é que, no início, ia eu toda entusiasmada, já me via a tocar divinamente piano…mas havia a parte teórica. Tinha que estudar e solfejar (coisa que eu detestava). Havia previamente um imenso trabalho a fazer, indispensável para executar até as peças mais simples…Não gostava dessa parte. Difícil esperar…A música perdeu-se nas dificuldades da vida.

Hoje…
Quero correr e correr o melhor que for capaz. Provas grandes e difíceis. Tenho especial predilecção por subidas em terreno acidentado, logo, desejo entrar em circuitos de montanha. Há que treinar e treinar muito. Compensar o tempo perdido e preparar-me, combatendo com afinco para minimizar as incapacidades causadas pela idade e anos a fio, ausentes de qualquer preparação.
O treino é a parte teórica da música. É aquela que ninguém vê. A participação na corrida é a execução musical. Os tempos alcançados são a mestria e a sensibilidade com que se põe um violino a gemer ou uma guitarra a trinar.
Tal como quando era criança, tenho pressa…
Mas tenho que respeitar o compasso da partitura. Seguir a orientação do maestro…
E o “maestro” hoje, diz que o treino é composto por séries na pista e musculação para as pernas. Não gosto, mas vou. É um trabalho solitário e invisível.
Não quero entrar fora de tempo quando integrar a orquestra da Corrida dos Castelos. Quero ser um instrumento que tocou afinado aquela magistral sinfonia, nas serranias alentejanas.
Vamos ao treino porque eu quero ouvir as palmas.


04
Abr 07
publicado por alemvirtual, às 15:29link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

Dia 15 de Abril vou fazer a minha estreia na Corrida dos Castelos- Alandroal/Juromenha.

 

Serão 18 Km pelo belo interior alentejano, ligando estes dois castelos.

Correr em contacto com a Natureza e as gente puras de coração aberto e sorriso rasgado, placidamente sentadas à soleira das portas, recebendo o sol matinal...queria arrancar as folhas do calendário para apressar essa aventura...hummmm....

 

Não será fácil desafiar aqueles trilhos nas encostas dos montes, mas deleitar-me com a paisagem magnífica perdendo-me na vastidão do horizonte e o aroma quente dos campos serão recompensas mais que suficientes.

 

E para terminar, porque não aquele "Cozido Alentejano" simplesmente divinal que se come até não poder mais, na "Tasca da Ti Maria" no Alandroal?!  Vai ser um dia em cheio....

(Ainda não descobri o que me dá mais prazer, se comer ou correr...Também não vou perder o sono a reflectir sobre esta dúvida existencial)

 

Bem e agora, vamos ao treino porque as pernitas e a massa esponjosa que tenho acima do diaframa bem precisam de se exercitar...

 

 

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02
Abr 07
publicado por alemvirtual, às 09:16link do post | comentar | ver comentários (8)

 

 

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Sou controversa. Sou pacífica. Sou tímida. Sou atrevida. Sou convencional. Sou vanguardista. Sou fumadora. Sou corredora.

O sou poderia poderia repetir-se quase até ao infinito. Não somos nós, enquanto pessoas, tantas pessoas diferentes num único eu? E é esse eu que sendo irrepetível e inigualável nos torna diferentes. E na diversidade reside a riqueza.

 

Pois, iniciando a narrativa, começo precisamente pelo fim.

 

Cheguei! Consegui!

Ouvi o Piiiiiii............. do chip ( eu chamo-lhe chipinho) na linha da Meta.

Tinha decorrido 1h 23´ 38´´ desde o tiro da partida. Ao longo deste tempo, corri e contei um a um, os 15 Km da Corrida dos Sinos de Mafra, nesta que foi a sua vigésima quinta edição.

Integrei os 1106 atletas que concluiram a prova (resultados e fotos em http://www.sinos.aamafra.com).

 

Ao longo dos últimos quilómetros, desconhecidos acompanharam-me e incentivaram-me. Falta pouco. Força. Está quase. São só mais estes dois quilómetros. Vê o parque?

 

Eu via o parque. Via o verde de relva, ornado de  malmequeres e balões amarelos, bandeiras ondulantes ao vento e um mundo de gente que os meus olhos viam felizes...Fui trocando algumas frases com o meu companheiro daquele último esforço e desejei que o troço final não terminasse para prolongar a felicidade que sentia. (E sentia-me também quente e vermelha. Nunca transpiro ou transpiro quase nada, talvez por isso fique vermelha como um tomate e sinta as bochechas prestes a rebentar de calor! Lá se vai a fotogenia...bem, mas essa faceta também faz parte de mim....)

 

 

Alinhados na zona da partida os participantes da Corrida dos Sinos e dos Sininhos. Milhares de balões amarelos esvoaçavam. Ao longe, vislumbravam-se as torres do Convento de Mafra, imponentes, recortadas contra os castelos grossos de nuvens. Soltaram-se os balões e uma salva de palmas espontânea brindou aquele gesto colorido e o início das provas.

 

Os primeiros quilómetros fi-los com os elementos da minha equipa. Talvez até ao quilómetro 7. Depois, cada um marcou o seu próprio ritmo.

Eu gosto de correr e observar. 

Corrida com um percurso nada monótono, aplaudida pelos habitantes locais, emoldurada por imagens populares, típicas das gentes do povo e das aldeias genuínas...vendedoras de fruta e legumes...música nas ruas...um empregado de restaurante apregoando os seus petiscos...

De vez em quando o sol espreitava para logo se esconder atrás de uma nuvem mais teimosa. Algumas gotas de água desciam até aos nossos corpos como beijos suaves...Chuva que não chegou a ser chuva, sol que não aqueceu demais e vento quase brisa...

Que se podia desejar mais? Condições perfeitas para correr.

Domingo perfeito para alegrar as gentes. Muitas regressavam da Missa de Domingo de Ramos e ostentavam os ramos já bentos com que tinham  recriado a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Eu também corri com uma folha de oliveira retirada de um desses ramos e um lacinho de fita de cetim do Movimento Vencer e Viver (das mulheres mastectomizadas).

Corri sempre acompanhada. Com os que iam à frente e atrás. Com quem me acompanhou de vez em quando, lado a lado, ao meu ritmo. Com quem retardou o regresso às suas casas para gritar incentivos e aplaudir. Com quem me esperou no parque, pacientemente e, sobretudo, com quem não esteve presente. O alfinete que tinha aplicado na camisola, antes da prova, discretamente representavam as companhias que iriam correr comigo e por quem iria correr. Por isso, nunca corri sozinha.

 

Sou corredora...por prazer e por um sem número de outros motivos. Eu sei-os.

Os carrilhões emudeceram, não sei quando e permaneceram em silêncio. Mas eu tinha chegado. Conseguiste, Mãe! e Foi muito bem, Paula! soaram aos meus ouvidos como a mais bela sinfonia.

 

Que venham as outras corridas!

 

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À chegada ao parque (bem haja este desconhecido que me acompanhou)

 

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Paisagem da Praia de S. Julião, onde passeámos após o almoço


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