existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Jun 07
publicado por alemvirtual, às 08:45link do post | comentar | ver comentários (8)

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É bom, é salutar estabelecermos objectivos e tentar cumpri-los, claro! A vida tem que ter objectivos. A vida deve ser preenchida, em todos os campos com objectivos. Estes, desde que sejam exequíveis fazem-nos "mover" e, quando alcançados, dão-nos aquela sensação de prazer, de conquista de mais uma etapa. Se, por acaso, não os conseguirmos concretizar, não podemos esmorecer. Estabelecem-se novos objectivos, reformulam-se os iniciais e ...caminhamos em frente...

Caminhamos ou corremos...

Eu quero ir correr...nas Fogueiras.

Noite de Santo António...Aconteceu há pouco tempo no calendário, mas há uma infinidade na minha vida.

Era criança.

Nas ruas da vila, em cada canto, acendia-se uma fogueira, após a passagem da procissão.  As colchas ainda à janela, as velas e lamparinas nos umbrais e parapeitos, as bandeirinhas coloridas, emprestavam um ar exótico e surreal ao meu olhar de menina.

O cheiro intenso a alecrim e rosmaninho, que se libertava em serpentinas ondulantes das fogueiras crepitantes, sobrepunha-se ao acre do fumo que inundava o ar. Lacrimejava, mas queria ver e sentir bem perto aquele fogo efémero, na noite mágica de Santo António, nosso Padroeiro.

As jovens, queimavam alcachofras ao Santo e depositavam-nas nos altares improvisados, com uma prece nos lábios. Eram as moças casadoiras.

A tradição mandava saltar a fogueira. Era preciso coragem. Rapazes e raparigas numa alegria contagiante, saltavam sobre as labaredas...pareciam alucinados, possuídos de um qualquer frenesim místico...desafiavam medos e as chamas. Saltavam e voltavam a saltar... a fogueira continuamente alimentada por mais ramos perfumados.

A pequena fogueira parecia um fogo imenso. Agora, olho para trás e penso que nada do que surgia a meus olhos era real. Na minha pequenez e nos meus verdes anos, tudo parecia enorme e misterioso.

Eu também queria saltar a fogueira. Rondeia-a pacientemente. Aguardei que a alegria efusiva daqueles momentos acalmasse no sangue pulsante da juventude.

Estava moribunda...as línguas de fogo tinham-se extinguido...uma ténue cor alaranjada permanecia naqueles raminhos cada vez mais escuros e calcinados...o aroma, esse inundava ainda o ar...permaneceria ao longo da noite...noite cerrada, em céu de veludo...

Fechei os olhos...uma lágrima ardente ainda rolou...não respirei. Sustive o ar para não deixar fugir a coragem.

Saltei.

Muitos anos após, quero correr  ao lado das fogueiras. Já não me assustam.

Continuam a fascinar-me pela cor que emprestam à noite e pelo perfume que, em nuvens, deixam no ar... 

Levarei comigo recordações, memórias felizes dos tempos de infância.

Perder-me-ei na noite. Guiar-me-ei pelas chamas. Correrei no presente uma noite guardada nas folhas amarelecidas do tempo passado...

Desafio à Sandra, minha amiguinha recente:

Queres vir comigo à Corrida das Fogueiras?


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