existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Dez 08
publicado por alemvirtual, às 11:55link do post | comentar

 

Os nossos grandes problemas são irrisórios perante verdadeiras desgraças alheias. Fatalidades noutras famílias, catástrofes noutras terras, guerra e fome noutros países...causas de infortúnio, tantas vezes aqui ao lado, ou em paragens longínquas...

Os nossos problemas podem não ser grandes problemas, mas são os que vivemos e sentimos.

 

 

Às vezes, importa reflectir...

 

 

Amanheceu. Humidade no ar, chuva fraca, e um dia de trabalho para cumprir. Talvez em Lisboa. Por isso, importa sair cedo, muito cedo.

 

Moro numa rua inclinada, uma descida acentuada com uma curva a meio. Mesmo em frente à casa onde moro.

Ouço travagens, ruído de pneus a derrapar e uns barulhos roucos, abafados pelas janelas fechadas. À terceira ou quarta vez, venho à janela. Vejo alguns vizinhos na rua e carros amolgados, alguns bastante danificados. Reparo logo na paleta escorregadia de cores  a todo o comprimento da estrada:óleo. Era isso a causa das derrapagens e das batidas inevitáveis nos carros estacionados, nos passeios, nos postes de iluminação, em tudo o que estivesse à frente, até imobilizar os veículos.

Os residentes colocam-se estrategicamente no início da rua a avisar os condutores do óleo e pedindo para não passarem ou abrandarem. Telefona-se para a GNR a comunicar a situação e para os Bombeiros. O auxílio tarda. Também eu, telefono para a GNR e pergunto pela causa da demora. Volto a explicar a situação, enquanto se ouve o som de uma mota a cair e a ser arrastada na via. 

A causa da demora em virem cortar o trânsito era que "Só há um carro patrulha e estava em serviço noutro local". Ainda acrescentam: "Acidentes, hoje há em todo o lado" . Respondo que estes podiam ser evitados.

Continua-se à espera dos Bombeiros para limpeza da via. Entretanto, mais uma motorizada e um carro derrapam na via e a mota cai. A condutora apenas fica com escoriações e um "susto de morte".

Enfim, chegam os Bombeiros e espalham areia na estrada. Tinham passado mais de duas horas, talvez três. Tiveram danos avultados cerca de meia dúzia de viaturas.

Sei que a chegada dos Bombeiros foi acelerada porque houve um telefonema oficioso para uma pessoa com algum poder nesta área.

 

A situação fica controlada. Chega, por fim, um carro da GNR. Deviam ser cerca de 11 horas e devia ser o tal carro. Mais de três horas depois do primeiro telefonema.

 

Numa zona residencial, com tantos milhares de pessoas, fico a saber que o posto da GNR que serve a minha localidade apenas possui uma viatura. Se não tivesse ouvido não acreditava.Os efectivos não sei quantos são. Nem ousei perguntar!

 

Afinal, que país é este onde vivo? Quais são as verdadeiras prioridades do meu governo? A segurança, a prevenção e o auxílio em situações de urgência e emergência parecem coisas de pouca importância.

 

Fico a pensar no sistema operativo do INEM, ultimamente tão discutido. Nas regras de actuação das nossas corporações de Bombeiros (bombeiros, enquanto pessoas voluntárias merecedoras do meu maior apreço). Na capacidade de actuação das nossas forças de segurança....

 

Lamentavelmente, não vislumbro motivo algum que me faça sorrir confiante.

 

Que articulação existe ao nível das forças de intervenção e socorro? Que dinâmicas as orientam?

 

E sobretudo:

 

Que investimentos se fazem com os impostos extraordinários que pagamos? Para onde são canalizadas essas verbas?

É uma pergunta legítima à qual, legitimamente, gostaria de obter uma resposta.

 

 

Ainda outra situação ocorrida na tarde de hoje

 

Início da tarde

 

Uma colega sente-se mal. Dores de cabeça violentas e uma sensação estranha no corpo. Perde a força no lado esquerdo. Incha-lhe o braço. Turva-se-lhe a vista. Fala com muita dificuldade e perde a cor nas faces. Consegue pedir auxílio a uma funcionária.

 

De imediato alerta-se o 112. Responde-se a todas as perguntas e procede-se de acordo com as orientações transmitidas.

 

A consternação é enorme e a preocupação maior ainda. A pessoa em questão é muito querida no meio. Pensa-se em AVC.

O socorro tarda. Novo pedido de auxílio. Novas explicações. Por fim, chega uma ambulância. Tinham decorrido 48 minutos. 


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