existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 09
publicado por alemvirtual, às 07:56link do post | comentar | ver comentários (9)

Ainda que seja uma repetição "Obrigada, muito obrigada".

 

Quando há 3 anos atrás troquei os "saltos altos" por um par de sapatilhas estava longe de imaginar o quão gratificante essa troca viria a ser.

Anteriormente, confesso que nunca tinha pensado em correr. Tudo quanto me merecia a corrida eram umas palavras ditadas da boca para fora: "São doidos. Correm para se cansar"! 

Também eu endoideci. E nesta "insanidade" percebi que correr é muito mais que colocar um pé à frente do outro. Corre-se e entra-se num mundo diferente. E é em busca deste mundo mágico, desta suave "loucura" que se vai.

Aprendi que correndo derrubo barreiras físicas e quebro as algemas da alma. Sou livre. Livre de mim, porque estou para além de mim.  E para lá das minhas fronteiras, dos meus limites, vejo o limiar de um outro eu. Atrás ficam os farrapos da dor e despojada do véu do sofrimento atenuam-se as saudades. Como se correndo para a meta, voltasse a correr para ti (Margaret). Para em cada chegada, voltar a partir, buscando-te.

Era contigo que compartilhava este mundo. Em ti encontrava alento para ir mais além, apenas para te "roubar" um sorriso. E sorrias... Que importante era um sorriso teu...com que dificuldade deverias sorrir. Nem todo o meu esforço físico, nem todos os malabarismos afectivos para mostrar uma energia que não tinha e uma esperança que fugia, eram comparáveis à luta que travavas. Tu sim foste uma heroína. Eu nunca passei da fragilidade camuflada de valentia.

 

Deixei de te ver porque uma curva da estrada te ocultou. Mas não páro. Sei que corres comigo. Um dia, correrei tão depressa que te avistarei.  Até lá vou correndo devagar, sabendo que continuamos no mesmo caminho.

 

E foi nesta estrada que te enlaça pela cintura que vi o reflexo do teu rosto e o teu nome repetido uma e outra vez nas águas do Zêzere.

Fomos muitos a correr contigo. Corremos por ti. Corremos para ti. Para veres e sentires a comunhão que existe nos corações de quem corre.

 

Hoje, deves ter sorrido muito...Suspeito até que, por detrás das nuvens, brilhava tanto como o sol uma estrelinha azul.

 

Gostava de nomear todos os que tiveram o teu nome no coração, mas não posso. Faltaria sempre alguém. O importante é que tu deves sabê-los de cor. Dos que correram e dos que não correram. Dos que caminharam e dos que ficaram em casa.

Muitos lábios disseram Margaret.

 

Fomos muitos por ti.

 

E se este ano fomos muitos para o ano seremos ainda mais.(?)

 

Aqui nesta terra de poetas e terra adoptiva do Grande Poeta (Luís de Camões) ganha outro sentido o soneto,

 

Alma minha gentil que te partiste

Tão cedo desta vida descontente

Repousa lá no Céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste

 

........

 

Grande Prémio de Constância - outra prova dentro da prova

 

 

Mais de 600 participantes pelo que ouvi dizer, havendo assim lugar a pelo menos 600 relatos diferentes da mesma prova.

 

Começou pelas 9h 30m com os escalões dos mais pequenos.  Espalha-se a alegria e a excitação nos pequenotes que correm e nos familiares que aplaudem. Começa aqui a verdadeira festa.

Seguiu-se a partida da prova principal (10 Km) pelas 11h 15 minutos e 5 minutos depois a partida da caminhada (6Km).

Não faltarão relatos e narrativas, descrições e apontamentos que transmitam fielmente a 22ª Edição do Grande Prémio de Constância.

Não se pode ser objectivo quando se fala com a voz do coração. A minha boca fala o que meu coração sente. E o meu coraçao ama Constância.

 

Dá gosto ver a pacata Constância ser invadida por quem sentiu o apelo de correr na Vila-Poema. Atracção. Sedução. Um abraço no encontro de dois rios. Será pela poesia que se respira no ar? Pela história de uma terra que atravessa a própria História? Pela paisagem deslumbrante e bucólica? Pelo acolhimento? Pelas flores que enfeitam ruas e arcadas, portas e janelas? Não sei. Sei que Constância se descobre um pouco cada vez que se visita. Descobre-se a Fonte de Neptuno, as plantas e especiarias no Jardim Horto, o desterro do poeta na Casa Memória de Camões, as estrelas próximas e as galáxias distantes no Parque de Astronomia, o chilreio dos pássaros no Parque Ambiental, as casas seiscentistas, as ruelas calcetadas, as águas do Tejo abraçando as do Zêzere....as festas e romarias.....os cheiros e os sabores...Constância vai-se descobrindo, conhecendo e amando.

 

 

A minha prova foi especial. Foi uma experiência singular de viver estes tempos ainda (e para sempre) de luto, rodeada de amigos e pessoas de bom coração. Não estou sozinha. Quase apetece dizer, nesta alvorada de Ressurreição, que encontrei em cada um, um Simão de Cirene para comigo levar a cruz. Foi assim nesta corrida e é assim em todas as corridas da vida.


 

À frente de mim, atrás de mim e comigo ao lado, os amigos com a sua presença diziam no eco dos seus passos "estamos contigo". Não são precisas mais palavras. 

 

 

Fotos de Fernando Andrade

 

Foto de António Melro - Pai da Ana Pereira

Ex-corredor, actual caminheiro e sempre companheiro

 

O relógio marcava 56 minutos após o tiro de partida. Mas este tempo irá permanecer...

 

Caminhando entre o verde

 

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)


http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?p=58442#post58442

 

 

 


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