existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Abr 09
publicado por alemvirtual, às 19:43link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

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Não precisamos de muito tempo para mergulhar nas recordações de infância. Deixar o aqui e agora de um tempo diferente, ancorado à beira-rio e embarcar num frágil varino rumo a um tempo sem tempo. Do tempo de ser criança, das histórias e afagos. Do tempo da crença ingénua, dos sorrisos largos, de pentear as bonecas. Das apostas com amigos, em que trepar ao ramo mais baixo de uma árvore a troco de coisa nenhuma, tinha gosto mais doce que o doce a escorrer do pão.  

                                                                      

- Ó mãe, conta-me aquela da princesa do castelo... 

E ela contava. Antes de adormecer uma e outra vez...

                                                                                                              

- Contava a minha mãe que a bisavó da minha avó dizia que há uma princesa moura encantada no castelo. Ainda lá anda, porque quem lhe havia de quebrar o encanto, teve medo e fugiu.           

 

Houve um pescador que alta noite se sentou num rochedo do castelo a pescar. Era noite de lua cheia e via-se o rio como se fosse de dia. Estava tudo muito calmo e sereno. De repente ouviu como se fosse um restolhar lá em cima. O barulho de alguma coisa a afastar os arbustos vinha do castelo e descia, descia...os cabelos da cabeça puseram-se em pé e ele ficou paralisado de medo.      

                                                                                                                                  

Ouviu uma voz muito suave como se fosse um canto de pássaro, mas não via nada. A voz disse-lhe:

- Sou uma princesa moura encantada. Estou feita em serpente. O meu encanto só se quebra se encontrar alguém que me deixe enrolar-me a si, sem medo. Tem que ser à meia-noite. Amanhã, volta aqui e quando me ouvires vir, não olhes, mas deixa-me enrolar-me em ti. Não tenhas medo Se tiveres medo, o meu encanto não se quebra. Se deixar este corpo de serpente que obriga a esconder-me nas rochas do castelo, dou-te um grande tesouro que aqui está enterrado. Vens amanhã? Promete que sim.

O pescador, coitado, era muito pobre e ficou a matutar naquilo. Chegou a casa transido de medo e o resto da noite não conseguiu dormir. Levou o dia a pensar naquele pedido e, como era muito pobre, pensou que iria ficar rico e dar uma vida boa aos filhos. Quando a noite chegou, partiu em direcção ao castelo e sentou-se na mesma pedra, à espera da meia-noite. Levantou-se a lua no céu  iluminando as sombras das rochas e as ameias do castelo. Esperou. Esperou. Quando pensava que nada iria acontecer, começou a ouvir o mesmo barulho. Aproximava-se. Ouvia cada vez com mais força o rastejar de alguma coisa enorme. Como um silvo que se aproxima, resvalando pedras sobre pedras. Urgia o tempo e a pressa de quebrar o encanto. Ele sem ver, imaginava o mostro réptil que lhe iria aparecer. Abriu os olhos apesar da recomendação e olhou na direcção do baruho. Eis que vê uns olhos brilhantes numa cabeça enorme de cobra a saírem de uma moita.

O coração quase pára para depois começar a saltar descontroladamente. Num ápice entra no rio e foge. Foge em direcção a casa, sem olhar para trás. Ouvia o corpo rastejante rochas acima. Teve medo, por isso a princesa moura ainda lá está feita em serpente, à espera que lhe quebrem o encanto. 

 

Nunca encontrei esta  lenda nos compêndios das lendas do castelo, mas é a minha preferida.

 

 Enquanto corri 1h 19 minutos, pela estrada sinuosa de Tancos, imaginei a princesa...linda e loira como sol. Brilhante como estes escassos raios de sol que se escapam por entre as nuvens. Também eles prisioneiros. Como a bela moura. Que pena estar transformada em serpente. Por muito que goste dela,  jamais terei coragem de a ajudar a quebrar o encanto.

 

 

E seguindo a linha do Tejo, no Domingo estarei em "Moinhos de Maré".

 

 

  

Erguido num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere, à época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, actual Região de Turismo dos Templários. Constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo. Com a extinção da Ordem do Templo o castelo de Almourol passa a integrar o património da Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários).

 

O Castelo de Almourol, no Ribatejo, localiza-se na Freguesia de Praia do Ribatejo, Concelho de Vila Nova da Barquinha, Distrito de Santarém, em Portugal.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Almourol   

                                                                                       

 


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