existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
20
Jun 10
publicado por alemvirtual, às 21:23link do post | comentar | ver comentários (9)

Pois é. Ou pois foi.

E como os dias são aquilo que fazemos deles e aquilo que a vida nos permite que façamos (lei-se pensar, sentir e agir), hoje fiz deste dia mais um dia memorável. Evidentemente que o dia 20 de Junho de 2010 será memorável por muitos outros motivos. São marcos com que assinalamos algumas datas. Mais ou menos partilhados, mais ou menos sentidos em uníssono, mais ou menos entendíveis. Outros são tão insignificantes que passam despercebidos. Apenas diferentes na alma de quem os sente e os torna especiais.

Correr e correr entre amigos (faltou alguém que, por outro motivo especial, não correu entre nós. Também há tristes motivos especiais. O luto é o mais incontornável de todos) é um dos filtros para tornar os meus dias especiais. Um crivo por onde passam alguns. E ficam. Hoje foi e é um deles.

 

"A corrida é a coisa mais importante das minhas coisas secundárias", uma frase que vou recordar, Francisco. E sim, o privilégio foi meu ao correr a seu lado.

 

Não se pode dizer que o Grande Prémio do Museu Nacional Ferroviário seja uma prova difícil. Talvez a maior dificuldade seja suportar o calor quando, por altura de S. João, o Entroncamento parece a fornalha de uma velha locomotiva. Prova de estrada numa extensão de 10 Km, sendo os últimos dois ou três a nota diferente deste percurso urbano. O Bonito é uma zona verde, calma, com um açude, patos e outras aves que aqui nidificam. Sente-se um cheiro intenso a mato, a eucalipto e a caruma seca de pinheiro. O calor intensifica o aroma da terra. A ramagem apazigua o braseiro. Por isso, o Bonito é a nota diferente na pequena cidade (se fosse um deserto seria inóspito e o Bonito um oásis) que muitos conhecem como a Terra dos Fenómenos. Quebra a rotina do traçado perpendicular das ruas, da implantação desmedida de prédios que roubaram irremediavelmente o palmo de chão onde cesciam oliveiras. Aqui tudo são janelas em vez de canteiros. Alcatrão em vez de hortas e jardins. Árvores há poucas. Espaços verdes quase nenhuns. O Entroncamento é uma manta de retalhos do cruzamento de vias e de vidas.

 foto nº 31 de Fábio http://amantesdacorrida.blogspot.com/

 

Seja como for é a terra onde moro. Correr na nossa terra é sempre uma corrida especial.

 

 Foto retirada de http://amantesdacorrida.blogspot.com/. Obrigada Fábio.

A partida lembra o apito que antigamente se ouvia quando, nas estações, se dava a partida aos comboios. Gostava desse som. Lentamente os comboios punham-se em marcha.  Puxados por uma locomotiva e com algum esforço iam ganhando velocidade. E o compasso do "pouca-terra, pouca-terra" acelerava o ritmo à medida que aumentava a rapidez dos braços de ferros para a frente e para trás. Com destino a um destino qualquer, estações e apeadeiros eram palco de chegadas e partidas de viagens prolongadas.

Talvez a prova se possa comparar mais a um comboio Alfa Pendular que a um lento Regional. Praticamente sem subidas, o percurso plano convida a ritmos rápidos. Não que tenha sido o meu caso. Tirei "bilhete" em composição de "velocidade limitada". Limitada aos treinos que ficam por fazer e às provas que servem como treinos (sim, sim, eu sei; nada de mais errado...). Resultado? 59 minutos e 29 segundos no meu cronómetro. Mais 30 segundos no cronómetro oficial da Xistarca. Se o tempo significa muito? Alguma coisa, mas não o mais importante. Corro por prazer. Nunca poderei correr para competir. A competição é apenas comigo mesma e com a vida.

 

Laranjas no final refrescam e saciam; água em abundância, um saco de pano cru, uma t-shirt, uma medalha e uma garrafinha de Magos (produzido no Entroncamento). Sentimo-nos gente feliz. Além das taças e troféus alcançados pelos atletas melhor posicionados, regista-se todos os anos um sorteio, através dos números dos dorsais, de prémios diversificados. Desde varinhas mágicas a bicicletas, a sorte pode ditar o que se leva para casa.

 

Pela primeira vez, a prova integrou uma caminhada. Fazer algo por uma vida mais saudável, por mais qualidade de vida custa pouco, muito pouco...andar, andar, andar.  É bom, é barato e recomenda-se!

 

Depois de um banho refrescante há a possibilidade de conviver no Parque do Bonito em torno de um piquenique. Foi o que o Clube do Sargento da Armada fez. E que piquenique! Como poderemos nós correr muito se comemos ainda mais? (esta parte é a brincar; exagero para enaltecer este momento; creio que todos nós praticamos uma alimentação equilibrada, mas como portugueses antigos que somos não resistimos a um bom copo de tinto, em dias de festa com amigos. Amizades velhas e vinhos novos...)

 

Entroncamento, 20 de Junho de 2010

 

Grande Prémio do Museu Nacional Ferroviário, 19ª Edição

 

 


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