existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
07
Jul 10
publicado por alemvirtual, às 11:22link do post | comentar | ver comentários (6)

Qui ti aspetterò
E rubero I baci al tempo
Tempo che non basta a cancellare
Coi ricordi il desiderio che
Resta chiuso nelle mani
Che ti porti al viso
Ripensando a me
E ti accompagnerà passando le città da me
Da me che sono ancora qui
E sogno cose che non so di te
Dove sara che strada farà il tuo ritorno
Sogno

 

(de Andrea Bocelli)

 

 

O céu prenuncia tempestade. Cinzento, carregado, quente como sopro febril. Já antes de olhar o céu havia prenúncio de tempestade por aqui. Cá dentro. Dentro do peito e da alma. As tempestades emotivas são as que mais me aterrorizam agora. Os raios e trovões ficaram guardados para momentos mais reais, não estes dos quais teimo em fugir.

 

É uma revolta muda que me invade. Uma dor surda que cresce. Cresce à medida que me interrogo qual a estrada que te trará de regresso.

Sei que não voltas. Sei que não partiste por uns dias. Sei que é inútil esperar-te. Mas continuo à espera que voltes.

 

Tinha ligado o teu leitor de cd assim que entrei no quarto. Coloquei-o no chão, perto do teu violino e do órgão que esperam o teu regresso. Tal como eu. Lá dentro permanece quase sempre o sogno. Ouço-o de vez em quando. Este e outros. Mas este (e uns outros) em especial. Tu sabes.

Abri a janela. Abri as gavetas. Abri os armários e algumas caixas. Percorro com o olhar o teu espaço. Continua tudo pronto à espera que regresses. Tens os vestidos pendurados nos cabides. Os sapatos arumados. Os fios e os brincos, as pulseiras e as flores do cabelo nas caixinhas. Os livros novos à espera que os abras. Os cadernos à espera que os escrevas. As canetas à espera que as use. Tudo te espera. E todos te esperam. Eu mais que ninguém, acho eu. Não sei. Talvez seja pretensão de mãe. Mas espero-te. Espero-te nos dias em que rio e nas mannhãs em que choro. Espero-te nas noites em que sonho e nas tardes que me atormentam. Espero-te quando corro e espero-te quando não tenho força para correr.

 

Não sei porque partiste. Nem acredito que tenhas partido. Deixei de te ver apenas. Sei que te escondes de mim. Talvez estejas aqui ao lado. Um dia, uma gargalhada tua há-de denunciar a tua presença. Sei que não irás conter o riso muito mais tempo. Eu espero...

 

Limpo o pó aos móveis. Um pó fino e escuro, aquele pó invasivo que só existe nas casas desabitadas. Estúpido pó. Não sabe que aqui mora gente. Moras tu. Moro eu que te espero. Esta é a nossa casa.



Qui ti aspetterò

E porque importa fazer tudo como se estivesses apenas ausente, tinha corrido pela manhã. Foram 43 minutos entre o verde das árvores e o azul habitual dos meus sonhos. Hoje sonhei a Maratona. Sim, sim....sei que já sorris.


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