existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Jul 10
publicado por alemvirtual, às 17:47link do post | comentar | ver comentários (6)

 

Os três AP chegaram à meta decorrida 1h 05min sobre a partida. O Clube do Sargento da Armada "correu" com 8 elementos no dia 10 de Julho de 2010, muitos amigos e família, pois quem não corre também importa.

 


(Pre)texto de corrida

A Corrida da Lagoa de Santo André sempre foi pretexto para encontro de amigos num outro encontro perpétuo da planície com o mar, num abraço de azul bravio com a calmaria verde da lagoa.
E a pretexto da corrida se toma o rumo do sul. Nesta costa alentejana muito serão os pretextos para ficar, depois de ir.
Refresca-se a manhã na água tépida da lagoa. Passeia-se o olhar na sua margem. Alonga-se o passo até ao recorte agreste do mar. Retorna-se à protecção da pequena baía e nada-se lado a lado com inúmeros cardumes de minúsculos peixinhos.
Sob os pés cascas soltas de amêijoa e berbigão tentam o espírito infantil. Agarro numa e noutra e em outra ainda para mais à frente soltar um gritinho excitado por uma outra mais bonita e brilhante, encontrada meia enterrada na areia como tesouro perdido há muito...
Uma descoberta. Um achado. Uma insignificância. Mas de conchas insignificantes se constroem momentos de evasão.
Lembro-me de outro ano na lagoa. Não Há muitos. Um passado recente em que me extasiava com a beleza que via enquanto me recriminava de a ver, por que alguém a estava a perder de vista...
Por isso importam as conchinhas. As pedrinhas. As algas que roçam as pernas. O sol que doura o corpo. A areia que acolhe o cansaço. E importa o verde dos pinheiros e a manta que se estende.
Cheira a seiva e a caruma seca. Ouve-se ao longe a canção do mar. Mar em fúria que se enrola na areia num ímpeto sem tréguas, como a fúria e a revolta se enrolam e se desafazem porque nada mais posso fazer. Estas são as almas de quem quer ver além do mar e da terra.  Almas insignificantes em busca de significado para a vida.
Mas encontra-se. Encontra-se no pretexto de uma corrida e num punhado de conchas vazias. Conchas que se guardam como se com elas guardasse momentos que preciso e que respiro.

Conheço cada metro do percurso. As pessoas que aplaudem têm rostos familiares. Habituei-me às fatias de melancia e aos gracejos de quem por aqui mora.

Esta corrida foi a minha corrida de excessos.
Corri com uma dor muscular que me obrigava a coxear. Desistir? Só no limite....
Corri com vinho verde, azeitonas e pimentos que acompanharam um sargo grelhado e umas horas em agradável encontro de amigos.
Corri com alegria para espantar amargura.
Ele e eu. Eu e ela. Ele ao lado e eu com ela dentro do peito. Sim, ele, o amigo que é o eco dos meus passos e ela a estrelinha azul que habita já não sei onde.

Quando já muitos deram por encerrada a sua época desportiva surge a prova da Lagoa de Santo André. Uma corrida de 10 Km (que este ano se transformaram em mais de 11, mercê de um trilho incorrecto no pinhal) e uma caminhada são o pretexto ideal para comparecer nesta festa em que se transformou a corrida ou na corrida feita festa. Arraial popular, música, sardinhas, febras e vinho.
Termina a prova. Começa a festa. Acendem-se fogareiros. O calor do dia cede lugar ao fresco da noite.

Uma noite sem vento, sem maresia, sem lua. Uma noite de veludo escuro com "luzeiros" acesos no céu. São mais intensas as estrelas sobre a planície alentejana e sobre o mar que se oculta para lá da escuridão.

Em cada ano, um medalhão de barro pintado à mão, apela à preservação dos eco-sistemas. Sem alarde. Num silêncio profundo, apenas a identificação de uma espécie de ave rapina: a águia de asa redonda. No Ano Internacional da Biodiversidade, a Lagoa de Santo André é exemplo da riqueza que nos envolve e que começa a escassear...

A pretexto da corrida, há (pre)textos de palavras...




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