existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
04
Out 10
publicado por alemvirtual, às 17:06link do post | comentar | ver comentários (19)

   Foto "roubada" do álbum da Isabel em http://palavrasdecorredor.blogspot.com/ do meu amigo António Almeida

 

Foi ontem. De Alqueva a Portel numa distância, mais ou menos, de 36/37 Km. Fui a 3ª classificada no escalão F45 (claro que éramos apenas três! Por isso, estes "destaques" são relativos. Mas não fui a última a chegar. Nem desisti. Isso é o meu melhor prémio).

Gastei 5h 10 min, mas cheguei ao fim. Eu e uma dor terrível nos tendões do calcanhar. Nenhum "mazela" adquirida na prova, apenas agravada. Agora, vamos ver se recupero para os próximos desafios (não sei se iriei conseguir). Por enquanto, estou em respouso quase absoluto.

 

Na véspera, estava indecisa entre correr a prova mais pequena (numa extensão de cerca de 22 Km) e o trail maior que, por motivos relacionados com algumas impossibilidades de cumprir o percurso previsto, teve de ser alterado na sua distância. Assim, a distância final seria fixada nos 37 Km. Um desafio imenso para mim...

 

Amanheceu. O céu cinzento e o vento frio afirmavam um Outono que o sol da véspera teimava em desmentir.

Entrei no autocarro que nos levaria até Alqueva. Este tinha uma identificação "Trail" e, à entrada, uma pessoa da organização informava: "Apenas para a prova grande". Senti-me como à entrada dos túneis de acesso à montanha russa Space Mountain na Disney em Paris. Só para não parecer fraca diante dos meus filhos e inspirar-lhes confiança, ia avançando. Cada patamar que me aproximava da entrada "fatídica", acentuava a impossibilidade do retorno. Foi a mesma sensação à entrada do autocarro: "agora, não posso voltar atrás".

 

A banda de música de Portel alegrou a partida da caminhada que se fez no mesmo ponto dos participantes no trail. Umas esculturas em bronze de homenagem ao "Malheiro", transportam a imaginação para o "estado selvagem" da natureza que nos circundava. E eu ia entrar nela...

Partimos. Caminhos largos de terra batida, uma imensidão à nossa volta, o azul da albufeira e o silêncio da paisagem transmitiam serenidade. Talvez seja o que melhor define a sensação de penetrar naquelas paragens: tranquilidade, paz e harmonia. Foram quilómetros sem nunca encontrar um povoado, uma pessoa além dos atletas, ou qualquer marca da "evolução" dos tempos. Apenas as cercas de arame revelavam que estrávamos em domínios privados. E o gado bovino denunciava o controlo humano. Tudo o resto era o Alentejo em estado puro. Alentejo nunca antes visto. Bandos de perdizes esvoaçavam à nossa aproximação. Marcas de javali faziam-me estar atenta aos "perigos" que julgava existir atrás de cada moita ou sobreiro mais antigo.

Alentejo de subidas e descidas. De cor térrea e manchas verdes. De secura e riachos resistentes. De vales frescos e encostas áridas. De estevas brilhantes e urzes intensas. Vale a pena descobrir os contrastes alentejanos.

 

Até ao quilómetro vinte, a dor que trazia no calcanhar há dois dias, deixou-me correr. Sentia um prazer enorme na leveza das subidas! Depois, instalou-se de forma rápida e profunda.

Desde a partida que os 3 AP corriam juntos ( eu, Ana Pinto, António Pereira e António Pinho). Como sempre, há um que nunca me deixa e o outro não quis deixar também. Pelo caminho partilhou comigo gel, açúcar, água e palavras de incentivo. Até à chegada os 3 AP ficaram juntos. E de mãos dadas (um gesto que nos une) cortámos a linha de meta. Nesse instante, as nuvens escuras desfizeram-se em grossas gotas de chuva. Começou um verdadeiro dilúvio. Mas dentro de nós, continuava a brilhar um sol envergonhado que, aqui e ali, ia sorrindo, enquanto via avançar três pontos de loucura sobre o pó alentejano.

 

Foi uma prova fantástica:

- Excelente organização e coordenação de meios.

- Abastecimentos fartos.

- Percurso lindo e assinalado correctamente (em alguns pontos poderiam ter colocado mais fitas; é a única sugestão a fazer)

- A equipa de massagem revelou uma qualidade de serviço extraordinária.

- O acolhimento e as condições no pavilhão desportivo foram irrepreensíveis.

- A facilidade de transporte a partir de Lisboa é um aspecto extremamente positivo.

- O cozido de grão estava uma maravilha

 

O MUNDO DA CORRIDA porporcionou-nos momentos muito agradáveis de convívio.

 

Parabéns a toda a equipa envolvida!

 


mais sobre mim
Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
13
14
15

17
18
21
22
23

25
27
29
30

31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO