existe sempre alguém ...passo e fico como o universo...
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Out 10
publicado por alemvirtual, às 19:28link do post | comentar | ver comentários (3)

O que a seguir transcrevo é um apontamento que fiz em 2007. No ano de 2010 (como em muitas outras ocasiões) lembrei-me dele e da indignação que entrou em mim e se instalou desde então... Talvez, com a sua leitura, se entenda por que, ontem, uma notícia em horário nobre de informação me tomou de assalto, provocando a mesma repulsa, a mesma revolta, a mesma raiva surda de me sentir impotente perante esta e outras "justas" (digo eu), causas sociais. Continuo a perguntar: Onde está a nossa política social? Que país é este, onde padrões tão díspares do que é prioritário (uma vez que não se pode chegar a todo lado e ao mesmo tempo) coexistem lado a lado? Que assimetrias se instalam e, pacificamente, a elas nos habituamos como se de naturais e não aberrantes se revestissem...

 

Não que tenha algo contra ginásios e promoção da boa forma e bem-estar físico e psíquico;

Não que tenha algo contra barcos que "não se afogam";

Não que tenha algo contra ferrovias...ou pistas...ou altas cilindradas...

Não tenho nada contra; apenas cada "macaco no seu galho" e, por cá, ando farta de "macacadas"...

 

Apenas tenho algo contra a promoção de tudo isso e a interdição de produtos básicos...Exagero? Basta entrar numa farmácia e ouvir os idosos, como eu ouvi ontem...ou reparar no "saquito" de compras que sai de um supermercado para uma família de 4 ou 5 pessoa...ou reparar no rosto macilento e olhar vago de muitos alunos para quem uma perna de frango é quase tão inalcançável quanto os motivos daquela "revolta" que a professora de História fala...bem..afinal, talvez não! Revolta, começa ele (e eu) a sentir cada vez mais!...

 

(com as devidas reformulações de "números", creio que há coisas que permancem actuais)

 

 

2007

Ontem disseram-me: "escreve com ironia sobre isso. é o que resulta melhor neste país"

 

Claro que só posso começar com ironia, mas nunca falar com ironia sobre a avalanche de indignação e revolta (motivada pelo sofrimento, sobretudo) que nos invade, sempre que se anunciam medidas do género e, inevitavelmente, nos fazem reviver outras situações.

Passo a explicar-me, ou melhor, reforço o pedido de explicações, FEITO HÁ MESES ATRÁS, a quem de direito, às cabeças iluminadas e de ENORME sentido de justiça social,  defensores e praticantes convictos de autênticas políticas sociais! Apologistas da exclusão, da segregação e de umas quantas hipócritas  atitudes, camufladas sob o apanágio de estimular, incentivar e proporcionar a igualdade de oportunidades e acesso de TODOS a uma vida mais saudável. Neste caso, baixando o IVA na prática de actividades desportivas.

Pois, que se promovam e criem, respectivamente, hábitos e condições, para a adopção de estilos de vida saudável, acho MUITO BEM. Reconheço o mérito de tal (é sinceramente) e congratulo-me por ser cidadã deste grande país (ironicamente)! Mas, respondam-me agora, Senhores Ministros, membros do governo a quem EU NÃO AJUDEI a eleger (aliás, se mudassem os nomes, os rostos e a orientação política, os resultados seriam diferentes ou manter-se-iam os mesmos? Eterna questão, tal como discutir o sexo dos anjos), repito, expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra, (talvez seja e não consiga compreender a lógica que superintende a tão benevolente acção) por que razão, existem condições para reduzir o valor de IVA nesta situação e continua a persistir a situação caricata, abusiva, repugnante de se APLICAR 21% DE IVA  NA AQUISIÇÃO E ALUGUER NOS SEGUINTES ARTIGOS:

 

CADEIRA DE RODAS 

CAMA ARTICULADA

ALMOFADA

COLCHÃO ANTI-ESCARAS

ARRASTADEIRA

CHUVEIRO PARA CAMA

CREMES E AFINS DE GAMAS CONSIDERADAS "DE BELEZA" MAS UTILIZADAS PARA TRATAMENTO DE SEQUELAS DE RADIOTERAPIA E CLOIDES CIRÚRGICAS

... 

 

Pois é. Isto ainda não consegui entender. Bem, nem pensem que sou contra a medida anunciada, ontem, pelo governo. Sinto é a memória da minha filha insultada quando penso na situação que viveu, desprotegida por toda e qualquer medida governamental e de quantos necessitam de ajudas técnicas e outros produtos indispensáveis a alguma qualidade de vida, na vida que se apaga. Estabeleço comparações com aquilo que se entende por PRIORITÁRIO nas questões de saúde...

 

A Margaret teve sempre (ou pelo menos, gosto de pensar assim) tudo quanto foi possível adquirir, ou pelo menos o indispensável, para enfrentar a sua doença. Mas há quem não possa assumir essas despesas, ou será que não há? Será que 200 ou 300 € de reformas e pensões (grande parte dos nossos idosos, aufere pouco mais que isso) chegam para cobrir as despesas de uma vida diária e ainda mais as de saúde?  Muito mais que isso (não sei nem vou querer saber) pagávamos nós na farmácia e já deduzida a comparticipação do nosso sistema de saúde!

Tudo se paga! Até a MORFINA!!! (nem quero recordar o nome dos malvados comprimidos para tomar no "intervalo" dos MST....)

 

Até uma cama articulada para quem estava imobilizada totalmente (nem sequer estava em recuperação, como acontece, por vezes, o doente obrigar-se a imobilização por isto ou aquilo). As lesões na coluna com a progressão da doença, remeteram-na para a paralisia total, em questão de horas.

Agora, digam lá, é justa a minha revolta quando ouço o nosso governo, envaidecido ao máximo, anunciando estas medidas? Será legítimo aplaudir quando estou prestes a explodir de indignação?

Não consigo. Há medidas boas, sim. Esta será uma delas - vejamos os resultados. Mas, Senhores Ministros, há ainda muito por fazer.

Venham-me lá falar de PROTECÇÃO NA DOENÇA!!!!

 

 

 

Já ouviram falar da pirâmide de Maslow? Olhem com olhos de ver para o Zé Povinho e tirem as vossas conclusões.

 

Eu, sempre que puder, falarei e quando não puder falar, espero que outros o façam por mim.

 

"Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não...."


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